O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós.
JEAN-PAUL SARTRE

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

ANO NOVO - FERNANDO PESSOA



De tudo, ficaram três coisas:

A certeza de que estamos sempre começando...

A certeza de que precisamos continuar...

A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar...

Portanto devemos:

Fazer da interrupção um caminho novo...

Da queda um passo de dança...

Do medo, uma escada...

Do sonho, uma ponte...

Da procura, um encontro...


(Fernando Pessoa)

O SONHO NA OBRA DE FERNANDO PESSOA


O Homem é do tamanho do seu sonho. Fernando Pessoa

Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte disso, tenho em mim todos os sonhos do mundo...Álvaro de Campos ( Fernando Pessoa )

Deus quer, o homem sonha e a obra nasce. Fernando Pessoa

Ler é sonhar pela mão de outrem. Ler mal e por alto é libertarmos-nos da mão que nos conduz. A superficialidade na erudição é o melhor modo de ler bem e ser profundo. Fernando Pessoa

As figuras imaginárias têm mais relevo e verdade que as reais. Fernando Pessoa
Descobri que a leitura é uma forma servil de sonhar. Se tenho de sonhar, porque não sonhar os meus próprios sonhos? Fernando Pessoa, in: Notas Autobiográficas e de Autognose

A superioridade do sonhador consiste em que sonhar é muito mais prático que viver, e em que o sonhador extrai da vida um prazer muito mais vasto e muito mais variado do que o homem de acção. Em melhores e mais directas palavras, o sonhador é que é o homem de acção. Nunca pretendi ser senão um sonhador." (Bernardo Soares)
Alguns têm na vida um grande sonho e faltam a esse sonho. Outros não têm na vida nenhum sonho, e faltam a esse também. Bernardo Soares (no Livro do Desassossego)
De sonhar ninguém se cansa, porque sonhar é esquecer, e esquecer não pesa e é um sono sem sonhos em que estamos despertos. Bernardo Soares (no Livro do Desassossego)
Os meus sonhos são um refúgio estúpido, como um guarda chuva contra um raio. Sou tão inerte, tão pobrezinho, tão falho de gestos e actos. (...) Por mais que por mim me embrenhe, todos os atalhos do meu sonho vão dar a clareiras de angústia (Bernardo Soares, no Livro do Desassossego)

2010 - ANO EUROPEU DA LUTA CONTRA A POBREZA E EXCLUSÃO SOCIAL

O ano de 2010, vai ser consagrado à Luta Contra a Pobreza e a Exclusão Social no espaço europeu. Bruxelas vai disponibilizar perto de 17 milhões de euros para esse esforço, um orçamento que será complementado a nível interno com o financiamento próprio dos Estados-Membros. O presidente em Portugal da Rede Europeia Anti-Pobreza revelou que Portugal gastará 700 mil euros, para colocar o tema na agenda.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

MUITA MÚSICA PARA FINALIZAR O ANO...





ANO 2009

Com o ano a terminar, jornais e revistas fazem a retrospectiva dos acontecimentos de 2009 e até mesmo da década. Relativamente a Portugal obviamente que foram muito chocantes os escândalos financeiros, envolvendo políticos e empresários, os paradoxos da crise, a constante subida do desemprego, a luta dos professores...e ainda aqueles casos recorrentes, que de vez enquanto saltam para as primeiras páginas e preocupam o espírito de muita gente, o mistério da Praia da Luz e o caso Casa Pia, entre outros.
Os grandes acontecimentos da década, foram inevitavelmente o ataque terrorista sofrido pelos Estados Unidos e subsequentes atentados da Al-Qaeda, que alteraram completamente o mundo, a nomeação de um presidente americano negro, os problemas ambientais e as consequentes catástrofes naturais, a situação de miséria para além dos limites em que se encontra muitas pessoas, especialmente em África e que sobrevivem até à fatalidade no caos da fome e da doença.
Por muito que se tenha feito a nível mundial a insegurança continua e, ainda há poucos dias, uma bomba esteve a milésimos de segundos a ser detonada num avião, as guerras no Afeganistão e Iraque não se lhes vê um fim e nada vão resolver, os problemas ambientais vão continuar, possivelmente em crescente e a crise, resultado também de tudo isto, quem sabe quando vai acabar?
Relativamente a Portugal, a corrupção tornou-se uma coisa banal, os conflitos instuticionais também, o desequilibrio social idem aspas, que solução há para o desemprego?
TEREMOS ASSIM UM ANO MAIS DO MESMO!?...
(Claro que isto é uma visão muito sintética e simplista, outros poderão fazê-la com mais profundidade, com mais poder de análise, isto é apenas um pequeno apontamento)

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

CONTÁGIO CONSCIENTE DA SIDA DEVIA DAR CADEIA

Em alguns países dá cadeia, nos EUA dá 45 anos de prisão, no Canadá 18 e no Brasil, Reino Unido e Alemanha 8 anos.

LIVRO DO DESASSOSSEGO

Toda a noite, e pelas horas fora, o chiar da chuva baixou. Toda a noite, comigo entredesperto, a monotonia liquida me insistiu nos vidros. Ora um rasgo de vento, em ar mais alto, açoitava, e a água ondeava de som e passava mãos rápidas pela vidraça; ora com som surdo só fazia sono no exterior morto. A minha alma era a mesma de sempre, entre lençois como entre gente, dolorosamente consciente do mundo. Tardava o dia como a felicidade - áquela hora parecia que também indefinidamente. Se o dia e a felicidade nunca viessem! Se esperar, ao menos, pudesse nem sequer ter a desilusão de conseguir.O som casual de um carro tardo, áspero a saltar nas pedras, crescia do fundo da rua, estralejou por debaixo da vidraça, apagava-se para o fundo da rua, para o fundo do vago sono que eu não conseguia de todo. Batia de quando em quando, uma porta de escada. Às vezes havia um chapinhar liquido de passos, um roçar por si mesmo de vestes molhadas. Uma ou outra vez, quando os passos eram mais, soava alto e atacavam. Depois, o silêncio volvia, com os passos que se apagavam, e a chuva continuava, inumeravelmente. Nas paredes escuramente visiveis do meu quarto, se eu abria os olhos do sono falso, boiavam fragmentos de sonhos por fazer, vagas luzes, riscos pretos, coisas de nada que trepavam e desciam. Os móveis, maiores do que de dia, manchavam vagamente o absurdo da treva. A porta era indicada por qualquer coisa nem mais branca, nem mais preta do que a noite, mas diferente. Quanto á janela, eu só a ouvia.Nova, fluida, incerta, a chuva soava. Os momentos tardavam ao som dela. A solidão da minha alma alargava-se, alastrava, invadia o que eu sentia, o que eu queria, o que ia sonhar. Os objectos vagos, participantes, na sombra, da minha insónia, passam a ter lugar e dor na minha desolação.

BERNARDO SOARES