O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós.
JEAN-PAUL SARTRE

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

TEXTOS FILOSÓFICOS - FERNANDO PESSOA


Tudo é ilusão.
A ilusão do pensamento, a do sentimento, a da vontade. Tudo é criação, e toda a criação é ilusão.
Criar é mentir.
Para pensar o não‑ser criamo‑lo, passa a ser uma coisa. Todos os que pensam ocultistamente criam em absoluto todo um sistema do Universo, que fica sendo real. Ainda que se contradigam: há vários sistemas do universo, todos eles reais.
Nós próprios, porque existimos, somos criações também, portanto ilusões. Mas somos criações de quem? Do Deus que nós‑próprios criámos? Como se o criámos nós, e lhe somos portanto anteriores ? Isso é supondo real o tempo, que é outra criação nossa. Tudo é um amontoado de ilusões.
Aquilo a que chamamos verdade é aquilo a que também chamamos o ser. Verdadeiro é o que é. Mas o que é ilusão. Por isso a verdade é a ilusão, é uma ilusão.
A que abismo vamos ter?
Quanto mais forte o pensamento, o sentimento, a vontade, maior o poder criador.
O que a ocultistas é verificável é falso. Há imortalidade, mesmo eternidade da alma, mas isto é falso. Há um Deus eterno, criador do céu e da terra, e isto é falso. Ser é não‑ser.
Nunca podemos deixar de criar, por isso nunca podemos deixar de mentir.
A própria ilusão é uma ilusão.
O que nós não sentimos não existe. O que nós sentimos (...)
Só há uma coisa que não pode ser ilusão, porque ela não é criada: é a consciência. Uma só coisa escapa a toda a crítica — a consciência. A consciência não cria, nem é um conceito nosso, porque a não podemos pensar nem como sendo, nem como não‑sendo. Pensar, sentir, querer, são ilusões; mas ter consciência não é uma ilusão.
A verdade é da consciência para lá. «Deus» é a consciência da consciência, coisa que não podemos pensar.
A consciência não é concreta nem abstracta, não é um ser nem não‑ser.
Na proporção em que a consciência é uma ideia nessa é falsa.
Existem realmente Deus, céu, anjos, almas imortais e eternas. E contudo nada disso é verdade. Existe e dura eternamente, mas é falso.
O niilismo transcendental ...
Temos todos a noção de que há qualquer coisa: isso é falso. Não há; não há nem não há. A própria consciência não existe, mas é a única verdade.
Não haverá graus na ilusão? Quanto mais criadora uma coisa é mais ilusória. Partindo do nosso espírito, vemos quais as maiores ilusões ...
Tudo se reduz a criar.
Tudo se reduz a iludir-se.
Portanto criar é mentir.

sábado, 9 de janeiro de 2010

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

VAUGHAN WILLIAMS INSPIROU-SE EM WHITMAN

Ralph Vaughan Williams, (1872 — 1958)
Sinfonia: A Sea (Sinfonia No. 1), uma sinfonia coral com texto de Whitman

Toward the Unknown Region, canção para coro e orquestra, arranjo de Walt Whitman (1906)
Dona nobis pacem, texto de Walt Whitman e outras fontes (1936)
Three Poems by Walt Whitman para barítono e piano (1920

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

HÁ DEUS?

FOTOGRAFIAS DE SABASTIÃO SALGADO
















FERNANDO PESSOA - TEXTOS FILOSÓFICOS


«Demonstrar a existência de Deus é demonstrar que o universo aparente tem uma causa consciente.»Os argumentos relativos ao problema da existência de Deus têm sido viciados, quando positivos, pela circunstância de frequentemente se querer demonstrar, não a simples existência de Deus, senão a existência de determinado Deus, isto é, dum Deus com determinados atributos. Demonstrar que o universo é efeito de uma causa é uma coisa; demonstrar que o universo é efeito de uma causa inteligente é outra coisa; demonstrar que o universo é efeito de uma causa inteligente e infinita é outra coisa ainda; demonstrar que o universo é efeito de uma causa inteligente, infinita e benévola outra coisa mais.
Importa, pois, ao discutirmos o problema da existência de Deus, nos esclareçamos primeiro a nós mesmos sobre, primeiro, o que entendemos por Deus; segundo, até onde é possível uma demonstração.
O conceito de Deus, reduzido à sua abstracção definidora, é o conceito de um criador inteligente do mundo. O ser interior ou exterior a esse mundo, o ser infinitamente inteligente ou não — são conceitos atributários. Com maior força o são os conceitos de bondade, e outros assim, que, como já notámos têm andado misturados com os fundamentais na discussão deste problema.
Demonstrar a existência de Deus é, pois, demonstrar, que o universo aparente tem uma causa que não está nesse universo aparente como aparente, que essa causa é inteligente, isto é, conscientemente activa. Nada mais está substancialmente incluído na demonstração da existência de Deus, propriamente dita.
Reduzido assim o conteúdo do problema às suas proporções racionais, resta saber se existe no raciocínio humano o poder de chegar até ali, e, chegando até ali, de ir mais além, ainda que esse além não seja já parte do problema em si, tal como o devemos pôr.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

PAPA BENTO XVI QUESTIONA FALTA DE FÉ


Já andei pelo catolicismo, pelo ateísmo e agora estou numa situação de agnóstica, relativamente à fé. Respeito no entanto qualquer tipo de religião, que não seja fundamentalista.

Relativamente às preocupações do Papa, se há um afastamento das pessoas, as razões quanto a mim devem ser imputadas à Instituição Católica e para não estar com mais delongas por demais conhecidas, posso simplificar com uma pergunta. Se há menos praticantes, não será por culpa dessa Instituição não ter sabido ou não ter querido acompanhar a modernidade, encontrando-se muito longe das preocupações das pessoas?

UM PROFETA