Em
Hiroshima Meu Amor e o Último Ano em Marienbad é visível uma leitura da
consciência. Dá-nos o sentimento do eu e do que o mundo é, condição necessária
para existir a consciência moral. A consciência é uma sombra projectada sobre a
nossa imaginação. A imaginação é dominada pelo problema da sobrevida do próprio
e do outro. Esta sombra é a sombra da vida. Tudo que chamamos arte não
acontece por acaso, são produtos da
mente humana que estão preocupados com a condição humana. Isto é a grande arte,
porque se não for assim não é grande arte. O ponto de vista interior de pessoas
não normais. A anormalidade de um ser conduz à diferença, de uma forma ou de
outra!
quarta-feira, 18 de julho de 2012
quinta-feira, 12 de julho de 2012
L'ÀPRES-MIDI D'UN FAUNE
Prelúdio L'ÀPRES-MIDI D'UN FAUNE", baseado no poema de Mallarmé, causou estranheza pela 'ausência de melodia': Debussy lançou na verdade, a sugestão de um tema melódico, sem desenvolvimento.
”Que à exaltação dos teus sentidos atribuis?
Fauno, a ilusão se escapa dos olhos azuis
E frios, como fonte em prantos, da mais casta
Toda suspiros, a outra, achas que ela contrasta
Qual brisa matinal quente no teu tosão?
Mas não! no lasso espasmo e na sufocação
Do calor, que a manhã combate, não murmura
Água se não a verte a minha flauta pura”
O poema «L'ÀPRES-MIDI D'UN FAUNE», de Stéphane Mallarmé, foi um marco na literatura francesa, como expoente do simbolismo e cujo refinamento lírico fez com que Paul Valéry o considerasse como o maior poema da literatura da França. Na obra o autor retrata um fauno a relembrar as aventuras sensuais que tivera pela manhã, junto às ninfas.
”Que à exaltação dos teus sentidos atribuis?
Fauno, a ilusão se escapa dos olhos azuis
E frios, como fonte em prantos, da mais casta
Toda suspiros, a outra, achas que ela contrasta
Qual brisa matinal quente no teu tosão?
Mas não! no lasso espasmo e na sufocação
Do calor, que a manhã combate, não murmura
Água se não a verte a minha flauta pura”
O poema «L'ÀPRES-MIDI D'UN FAUNE», de Stéphane Mallarmé, foi um marco na literatura francesa, como expoente do simbolismo e cujo refinamento lírico fez com que Paul Valéry o considerasse como o maior poema da literatura da França. Na obra o autor retrata um fauno a relembrar as aventuras sensuais que tivera pela manhã, junto às ninfas.
quarta-feira, 11 de julho de 2012
NO MEU CASULO
Faço a ronda pela
estante dos livros. Retiro Gedeão… ouço o trisavô Bach, dulcificador do tempo e
beberico um chá frio. Absorvo poemas e fixo-me num que me retém. Farpeia-me a
alma e deixa-me errante na parede amarelecida, em frente! O ruido da rua
sobressalta-me, aproximo-me da janela, do mundo complexo e estranho, que também
é o meu! Isolo-me da cidade, mas nela estou e soletro em surdina um excerto do poema de Gedeão!
Tanto sonho! Tanta
mágoa!
Tanta coisa! Tanta
gente!
São automóveis,
lambretas,
motos, vespas,
bicicletas,
carros, carrinhos,
carretas,
e gente, sempre mais
gente,
gente, gente, gente,
gente,
num tumulto permanente
que não cansa nem
descansa,
um rio que no mar se
lança
em caudalosa corrente.
sábado, 7 de julho de 2012
O ESPLENDOR DO ESPAÇO
Joseph Mallord William Turner (Londres, 23 de Abril de 1775 - Chelsea, 19 de Dezembro de 1851), pintor romântico, considerado por alguns um dos precursores do Impressionismo, em função dos seus estudos sobre cor e luz.
Romântico na pesquisa extrema de um absoluto que excede o real e encontra na sensibilidade, intuição e imaginação, o seu ponto de referência, a sua maior garantia de autenticidade. Romântico nos seus grandes temas e na sua expressão, na comunhão da paisagem e do sonho, na apoteose da tragédia, na sua recusa, na sublimação da dor e na afirmação de um espaço de cor e de luz, que é também o do espírito. Perturbadora no elo que não deixa nunca de estabelecer com o mundo perceptível, ainda que este tenha sobretudo o valor de uma metáfora.
sexta-feira, 6 de julho de 2012
JÜRGEN HABERMAS - Ensaio Sobre a Constituição da Europa
http://pt.wikipedia.org/wiki/J%C3%BCrgen_Habermas
Ensaio Sobre a Constituição da Europa é a última obra de Jürgen
Habermas, com uma vasta obra editada, diversificada na sua temática: teoria
política, sociologia, ética do discurso e crítica da razão.
Neste livro são tratadas questões na ordem do dia e mesmo
decisivas, no sentido de melhorar a Europa e o Mundo, embora por muitos seja
acusada de ser uma «fantasmagoria» normativa própria de um espírito utópico.
O filósofo alemão é um homem de inquietações e uma das suas
inquietações é a imagem de uma «Europa sem Europa», procurando eliminar os
bloqueios em relação a uma transnacionalização da democracia, colocando a
unificação europeia no contexto de uma jurisdição democrática.
Em entrevista a Thomas Assheuer disse: «A minha maior preocupação é a injustiça social, que brada aos céus, e
que consiste no facto de os custos socializados do falhanço do sistema
atingirem com maior dureza os grupos sociais mais vulneráveis. Toda esta
tragédia humana – este escândalo político, este darwinismo social, este
programa de submissão desenfreada do mundo da vida aos imperativos do mercado –
é acompanhada de um enfado com a política ao qual não é alheia a ascensão ao
poder de uma geração desarmada em termos normativos, incapaz de assumir objetivos,
causas e esperanças».
Num quadro de crise política, económica e social, onde
muitos, já foram duramente atingidos, que fazer? Como ultrapassar a política
ridícula e hipócrita da «normalidade social»? Como ultrapassar o flagrante
fracasso europeu? Habermas sugere o caminho: «pensar a pessoa, pensar a sua dignidade, pensar os povos»!
A crise da União Europeia à luz de uma constituição do
direito internacional permite a Jürgen Habermas tentar uma narrativa nova, no
seu livro, a partir da perspetiva de uma constitucionalização do direito
internacional.
«O debate atual sobe
a Europa restringe-se e continua a restringir-se às saídas imediatas para a
crise bancária, monetária e da dívida, perdendo de vista a dimensão política:
os conceitos políticos incorretos ocultam a força civilizadora da jurisdição
democrática e o compromisso desde o princípio ao projeto constitucional
europeu. Políticos e economistas colocados perante a única saída possível - «Mais
Europa» - insistem nos conhecidos erros da construção da União Europeia. «Mais
Europa» implica um aprofundamento das competências e não o caminho saturado de
um existencialismo político errante que vai desde os compromissos assumidos em
cimeiras, ineficazes e não democráticas, até à aceleração da «perda de
solidariedade a nível europeu». Mais do que isso olham para os ditames dos
grandes bancos e agências de notação e não para o desfalque legitimatório
perante as suas próprias populações. Em vez de levar a sério um projeto
europeu, opta-se por caminhos ínvios».
Como sintetiza Habermas: «instalou-se um estranho fenómeno de acatalepsia onde se mistura ceticismo,
dúvidas não metódicas, incapacidade de compreender. As elites
político-económicas sentem-se confortáveis com incrementalismos, mas teimam em
não assumir a força civilizadora do direito democrático. Tão pouco parecem
compreender o «regresso da questão democrática», sendo óbvio que os Estados
pagam a governação baseada na intergovernabilidade com o decréscimo dos níveis
de legitimação democrática». Segundo Habermas: «o espaço de manobra da autonomia cívica só não fica reduzido se os
cidadãos em causa participarem na legislação supranacional em coo-questões – de
direito constitucional, internacional e de direito europeu – quanto a este
processo de jurisdição».
É sabido que três
instâncias – cidadãos, povo, estado – são convocadas de forma muito diversa
para explicar concetualmente a estruturação constituinte da União Europeia. Por
amor ao Estado, alguns enfatizam o patriotismo nacional e identificam
constituição com estado. Outros, navegando no cosmopolitismo sem fronteiras,
preferem esquemas de regulação global para além do estado-nacional, os cidadãos da União Europeia devem ter um
interesse legítimo em que o seu Estado nacional continue a desempenhar o papel
comprovado de garante do direito e da liberdade, mesmo quando assume o papel de
Estado-Membro. É importante o papel atribuído aos Estados como neutralizadores
de «evolução reacionária» ou de «retrocesso social». Os Estados nacionais são
mais do que a mera materialização de culturas nacionais dignas de preservação;
eles garantem um nível de justiça e liberdade que os cidadãos desejam, com toda
a razão, ver preservado».
«Qualquer acordo
institucional deve acentuar as dimensões profundas democrático-igualitárias
veiculadoras de solidariedade entre «cidadãos dispostos a responsabilizar-se uns
por outros» e a assumir a disponibilidade para também fazer sacrifícios, com
base numa reciprocidade de longo prazo. «O facto da União Europeia ter sido,
até agora, essencialmente sustentada e monopolizada por elites políticas, gerou
uma assimetria perigosa entre a participação democrática dos povos naquilo que
os seus governos «conquistam» para eles no palco de Bruxelas – que consideram
muito longínquo – e a indiferença, se não mesmo desinteresse, dos cidadãos da
União no que diz respeito às decisões do seu Parlamento, em Estrasburgo. Todos
sabemos: com indiferença, desinteresse e distância não se constroem democracias
– muito menos transnacionais. O resultado é um «buraco negro», vulgarmente designado por «déficite democrático» da
União Europeia. Este «déficite» corre o risco de se converter num arranjo para
o exercício de um domínio pós-democrático e burocrático».
«A crise do euro pôs
a claro o «clube dos ilusionistas» e revelou os pontos fracos do Tratado de
Lisboa. Este Tratado não dota a EU de meios para enfrentar os desafios que se
lhe colocam enquanto União Económica e Monetária. O que é preciso não é apenas
ultrapassar as barreiras institucionais, mas exigir uma alteração radical no
comportamento das elites políticas. È necessário uma coesão política reforçada
pela coesão social, para que a diversidade nacional e a riqueza cultural
incomparável do biótopo – velha Europa – possam ser protegidas no seio de uma
globalização que avança rapidamente».
sábado, 30 de junho de 2012
segunda-feira, 25 de junho de 2012
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