JEAN-PAUL SARTRE
sexta-feira, 23 de maio de 2014
PARA QUEM SE INTERESSA POR HISTÓRIA!
As obras de Ranke foram bastante populares e as suas teorias sobre como um historiador deve trabalhar as fontes foram largamente adoptadas pela maioria dos historiadores e tendências historiográficas. No início do século XX, alguns historiadores como E. H. Carr, Fernand Braudel (o qual foi um dos fundadores da Escola dos Annales) consideram as ideias de Ranke ingénuas, tediosas e ultrapassadas. Entretanto, alguns historiadores ainda utilizam as teorias de Ranke, particularmente no campo da História Política, sendo que sua metodologia e técnicas permanecem em uso por quase todos os historiadores profissionais actualmente.
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
GUERRA SANTA (BIOGRAFIA DE VASCO DA GAMA) – NIGEL CLIFF

Nigel Cliff encontrava-se em Nova Iorque no dia do atentado às Torres Gémeas e a tragédia que observou, motivada pelo conflito entre o Islão e o Ocidente, deu-lhe o tema para um livro sobre Vasco da Gama, o navegador que uniu o Ocidente e o Oriente, pelas especiarias tão desejadas pela Europa.
Vasco da Gama foi o único rival de Cristóvão Colombo, mas em relação a este foi mais mal tratado pela História.
Cliff veio a Portugal e deslocando-se ao estuário do Tejo ficou intrigado com a coragem tida para entrar no Oceano, que considerou uma aventura monumental. Pensou em Neil Armstrong, o primeiro homem a pisar a Lua e considerou a viagem de Vasco da Gama, mais perigosa, porque em relação à Lua a viagem foi acompanhada passo a passo pela tecnologia, enquanto no caso da Índia, 170 homens desapareceram por vários anos, ninguém os podia ajudar, estavam mesmo por sua conta.
Os conflitos entre o islamismo e o cristianismo, existem há muitos séculos e na época dos descobrimentos foram uma questão perigosa. A viagem de Vasco da Gama significou uma ascendência sobre o mundo do Islão. Cliff considera esta viagem a última cruzada e o fim do mundo medieval, quando a evangelização era um tema constante dos monarcas da época. Claro, que não se pode separar a religião da economia, as duas coisas andavam juntas
Escrever este livro, sobre um Vasco da Gama com uma vida aventurosa, tão exótica e excitante, foi uma tarefa compensadora, para Cliff. Não é um livro para académicos, é um livro para grandes audiências.
Como noutras viagens, não foi por acaso que Vasco da Gama chegou à Índia, entre a viagem de Bartolomeu Dias e a de Gama, outras viagens foram feitas, para estudar ventos e correntes. Para chegar lá, foi necessário acumular conhecimentos. Do mesmo modo também não foi Pedro Álvares Cabral que «achou» o Brasil, quando lá chegou já outras viagens tinham sido feitas, dentro de uma estratégia de secretismo de D. João II.
terça-feira, 26 de julho de 2011
A ENGRENAGEM DO GENOCÍDIO...

JUDEUS
A eliminação dos judeus sempre esteve no âmago da concepção nazi do mundo. Já em Setembro de 1919, Hitler dizia que o «afastamento» (Entfernung) devia ser o objectivo último de qualquer governo. Para ele, os judeus eram ao mesmo tempo responsáveis pela Primeira Guerra Mundial, pela Revolução Bolchevique e pelo capitalismo de Wall Street. Estas suas ideias concretizaram-se a partir de 1924 no seu livro Mein Kampf. Assolado pela humilhação da derrota de 1918, explica aí que, no início da Grande Guerra, se tivessem morto 19 mil «hebreus», o sacrifício de vidas alemãs teria sido evitado.
PROCESSO QUE FOI EVOLUINDO
Nos anos 30 a polícia nazi começou por expulsar os judeus da Alemanha.
A partir de 1939, antes de ser desencadeado o conflito, os nazis pensavam que a guerra conduziria à aniquilação física dos judeus. Mas ainda não sabiam como. O expansionismo alemão provoca a conquista de novos territórios com forte população judaica. Só na Polónia são 3 milhões. Que fazer com esses judeus? É encarada a criação de uma «reserva» na Polónia. Mas não havia espaço suficiente. Projecta-se a sua deportação para Madagáscar, o que evidencia uma vontade genocidária, Mas a Inglaterra tem o domínio dos mares e a ideia é abandonada. Durante o Inverno de 1940-41, enquanto a Alemanha prepara a operação Barbarossa (o ataque contra a União Soviética), examina-se a possibilidade de uma deportação dos judeus para as regiões árcticas da URSS, na sequência de uma vitória que os alemães ainda imaginam rápida. A ideia de um extermínio acelerado só surge quando a Alemanha se revela incapaz de vencer rapidamente a União Soviética.
O extermínio já tinha sido experimentado com os deficientes (projecto T4). A decisão de aplicar a eutanásia aos deficientes mentais e físicos foi tomada pela Chancelaria de o Führer. Os organizadores tinham gabinetes no número 4 da Tiergartentrasse em Berlim, daí a designação de projecto T4.
Foi lançado em 1939 e começou pela exterminação dos internados em asilos, considerados bocas inúteis, «indignos de viver». Hitler deu secretamente autorização escrita (no seu próprio papel timbrado e assinado pela sua mão) ao chefe da Chancelaria, Philipp Bouhler e ao seu médico pessoal, Karl Brandt, para o lançamento do programa eutanásia. Este programa conduziu à morte de c. 70 a 90 mil pessoas e termina com o mesmo secretismo em 1941, depois dos protestos do bispo de Munique. O T4 permitiu experimentar métodos de extermínio, nomeadamente gaseamento com monóxido de carbono, que também foram experimentados na Polónia oriental, no primeiro campo de extermínio: Belzec. Seguem-se os campos de Sobibor e Treblinka, que constituirão em 1942 o Aktion Reinhard (plano de extermínio de todos os judeus da Polónia), assim denominado em honra a Reinhard Heydrich.
Antes disso, no ataque à URSS, foram criados destacamentos especiais de forças da polícia, os Einsatzgruppen, para matarem todos os judeus do sexo masculino nas cidades conquistadas, depois massacram também mulheres e crianças.
Há conhecimento que tudo isto implicou em vários encontros de Hitler com Himmler, cujas conversas se ignoram, mas que se presume terem conduzido a uma radicalização do genocídio, cujo programa é eliminar todos os judeus presentes na Europa ocupada - A SOLUÇÃO FINAL.
A ideia de que o genocídio teria ocorrido contra a vontade de Hitler é totalmente absurda. Hitler esteve implicado em todo o processo: o boicote das lojas judaicas em 1933, as leis discriminatórias de Nuremberg em 1935 ,os progroms de 1938…Até 1945 não cessou de repetir a sua célebre «profecia» de 1939 em que, no sexto aniversário da sua chegada ao poder, previa que uma guerra conduziria não à destruição do Reich, mas à de toda a comunidade judaica.
COMO SOUBERAM OS ALIADOS DO GENOCÍDIO
As primeiras informações relativas ao massacre, foram interceptadas pelos serviços de informação britânicos em 1941, mas não davam uma visão do conjunto do genocídio. Em 1942 os governos, americano e britânico recebem um telegrama de Gerhart Riegner, representante do Congresso Judaico Mundial, na Suíça. Churchill e Roosevelt ficam informados. As informações são levadas a sério, embora alguns fiquem cépticos, relativamente ao que se está a passar na Polónia. Só com a guerra terminada, se perceberá o genocídio em todo o seu horror. Para os Aliados o genocídio não era uma prioridade, a prioridade era a vitória e o esmagamento da Alemanha nazi, que implicaria o fim do genocídio.
Fonte: Ian Kershaw ( uma das principais autoridades académicas, sobre Adolfo Hitler).
terça-feira, 19 de julho de 2011
SEXO «HARDCORE» NAS CAVERNAS

O HOMO SAPIENS, do Paleolítico Superior, em tempos que tudo era descoberta, viu no acto sexual preservação da espécie, mas também uma fonte de prazer.
Cenas de sexo oral gravadas nas paredes das grutas, ossos em forma de pénis (que poderão ter funcionado como dildos9, pequenas Vénus com vaginas recortadas, genitais dom tatuagens e piercings e cenas de sexo com animais, são apenas algum do repertório em pedra que dá conta deste fascínio datado de há quarenta mil anos e que integra agora a exposição SEXO EM PEDRA, patente na Fundação Atapuerca em Espanha. Uma das cenas de bestialismo - em que um homem surge de falo erecto atrás de uma cabra – faz inclusivamente parte das gravuras portuguesas de Foz Côa e terá sido gravada há cerca de 13 mil anos. Na gruta de Ribeira de Piscos, um homem de boca aberta em êxtase dedica-se à masturbação, enquanto uma terceira cena dá conta de um voyeur a observar um casal em plena cópula.
«As vulvas estão quase sempre na posição que se veria na mesa de um ginecologista e correspondem às mulheres, de mulheres jovens obesas ou de adultas, que tivessem tido muitos partos», adianta o urologista Javier Angulo que, juntamente com o arqueólogo Marcos Garcia, dedicou muitas horas a descobrir o significado de trezentas imagens e objectos pré-históricos encontrados em várias grutas europeias e anteriores à sedentarização da espécie humana. O especialista sublinha que tais representações não tinham que ver com pornografia ou exibicionismo, eram antes «uma coisa natural, relacionada com a excitação e os nascimentos».
Outras figuras de traços menos definidos sugerem a existência de relações homossexuais. Há imagens de coitos frontais, dorsais, de pernas levantadas, em pé e deitados, metendo sexo oral, manual e animais. Segundo Marcos Garcia «Não inventamos nada desde então».
Notícias Magazine - Ana Pago
domingo, 3 de outubro de 2010
HISTÓRIA DA VIDA PRIVADA PORTUGUESA - JOSÉ MATTOSO

Historiador de projecção nacional e internacional, o professor José Mattoso tem dado um importante contributo para o conhecimento da identidade portuguesa e das raízes da Europa. Depois de inúmeras obras publicadas em nome próprio, a sua mais recente incursão nos domínios da História diz respeito ao projecto inédito "A vida privada portuguesa", sob sua direcção.
Para a “História da vida privada portuguesa” tomou-se como referência o modelo francês, a obra de Philippe Ariés/G. Duby. A maior dificuldade foi conseguir distinguir “Vida privada” de “Vida quotidiana”. O conceito de vida quotidiana é simples. Pode ser tratado de maneira descritiva. O de vida privada é ambíguo. Temos de interpretar indícios indirectos e ambivalentes. Como a documentação é, normalmente, pouco explícita, tratava-se mais de interpretá-la do que reproduzi-la. pode envolver várias interpretações. Muitos dos indícios usados para descrever a vida privada de outrora têm um sentido ambíguo. É também um projecto em aberto porque a fluidez dos sentidos sugere novas interpretações e a consulta de novas fontes.
A vida íntima não tem só transgressões, longe disso. O que importa é encontrar as diferenças entre as várias épocas, entre o passado e o presente, e tentar explicá-las. Há uma curiosidade que se excita com a descoberta do oculto. Mas há também a curiosidade que se alimenta da diferença e se interroga acerca das razões que a explicam. Para além da dificuldade de interpretar a linguagem figurada, há dificuldades características, a redução das fontes disponíveis.
A primeira coisa que me lembro é que a Idade Média não é tão cristã como geralmente se pensa, nem, por outro lado, tão rude e primitiva como outros dizem. Um dos aspectos mais característicos desta época é o que se pode chamar a «dialogia», isto é, uma norma muito exigente ou até radical - a dos sermões - e uma prática muito maleável, baseada nas circunstâncias e nos casos pessoais. Quanto à rudeza dos costumes, creio que se deve pôr de lado o conceito de «idade das trevas» que muitas vezes se aplica à Idade Média. Diferente é o problema das concepções mágicas, que é um problema muito complexo, mas em que houve, sem dúvida alguma, um progresso muito lento devido à racionalização da teologia e ao desenvolvimento das universidades. De qualquer maneira um tipo de magia que não tem nada que ver com “Harry Potter” ou “O Senhor dos Anéis”.
SOBRE JOSÉ MATTOSO AQUI
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