O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós.
JEAN-PAUL SARTRE
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domingo, 1 de maio de 2011

«AMÉRIQUES» - EDGARD VARÉSE

A Casa da Música apresentou em estreia em Portugal a versão original da obra «AMÉRIQUES» de EDGARD VARÉSE. Nesta versão original a formação da orquestra conta com 145 instrumentistas, mais tarde Varése foi aconselhado a reduzir esta formação, para que a sua obra fosse mais exequível no reportório das orquestras.
Varése que nasceu em França, fez o percurso contrário, numa época em que Paris era um modelo para o Novo Mundo, atraindo diversificados artistas americanos, a tal «geração perdida» como lhe chamou Gertrude Stein. Varése sentia-se num continente velho e considerava que aí nunca iriam compreender a sua música e foi para os Estados Unidos.
Na génese de «AMÉRIQUES», está implícita a ideia de um renascer, um começar de novo... de libertação. Os especialistas estabelecem comparações com a «SAGRAÇÃO DA PRIMAVERA» de IGOR STRAVINSKY, mas enquanto Varése aborda um ritual urbano, Stravinsky aborda um ritual primitivo.
A música leva-nos num passeio pelas ruas de Nova Iorque, umas mais agitadas outras mais tranquilas, com sons de embates, sirenes do porto, brigadas de bombeiros, assobios dos motores de vapor muito presentes…
Obra apoteótica, que passa por momentos de intimidade e recolhimento e por contrastes brutais e explosivos, mesmo agressivos…


SONHO COM INSTRUMENTOS OBEDIENTES AO MEU PENSAMENTO E QUE AO CONTRIBUÍREM PARA A CRIAÇÃO DE UM NOVO MUNDO DE SONS INAUDITOS SE ENTREGUEM ÀS EXIGÊNCIAS DO MEU RITMO INTERIOR.
Edgar Varése (1883-1965)


Síntese elaborada a partir do texto de Rui Pereira, no programa da CM.

Este concerto foi iniciado com duas peças de John Cage: Credo in Us e Concerto para piano preparado e orquestra de câmara, pela Orquestra Remix Ensemble Casa da Música, dirigida por Jonathan Stockhammer, seguindo-se Amériques pela orquestra Sinfónica do Porto da Casa da Música, dirigida por Emilio Pomàrico.

AMÉRIQUES
Parte 1
http://www.youtube.com/watch?v=MNpN2p495lA&playnext=1&list=PL4E1D8987E1664EF5
Parte 2
http://www.youtube.com/watch?v=WheUBp9w8vI&feature=related
Parte 3


sexta-feira, 5 de novembro de 2010

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

quinta-feira, 15 de abril de 2010

NOITE TRANSFIGURADA

Foi a peça «NOITE TRANSFIGURADA», que me levou à Casa da Música, não sou muito assídua relativamente à música Contemporânea, não gosto de tudo.


REMIX ENSEMBLE

Emilio Pomàrico direcção musical

Arnold Schönberg - Noite transfigurada
(Esta obra de Schönberg foi rejeitada pela Associação de Músicos de Viena. Composta em 1899 só foi executada em 1903. Segundo o compositor, Noite Tranfigurada apenas pretendeu representar musicalmente a natureza e os sentimentos humanos. È uma obra programática, escrita tendo por base um poema de Richard Dehmel: numa noite de luar intenso, num céu livre de nuvens, um casal apaixonado caminha pelo bosque olhando a lua; a mulher, grávida, confessa o seu tormento por ter dentro de si o fruto de outro homem, uma criança que lhe lembrará sempre esse pecado. O homem diz: «
Vê como cintila o céu claro!/Há um brilho à volta de tudo./Caminhas comigo sobre um mar frio,/mas um calor profundo irradia/de ti para mim, de mim para ti./Ele vai transfigurar esta criança estranha:/ Tu vais dar-ma, e de mim dar-lhe vida;/Tu deste-me esse brilho,/Tu fizeste de mim também uma criança.»
Esta obra dramática, usa técnicas de desenvolvimento motívico próximas dos leitmotiv wagnerianos.
RESTANTE PROGRAMA:
Emmanuel Nunes, Tissures
Igor Silva, Terminus, para viola solo e electrónica. Vencedor do Prémio de Composição Casa da Música/ ESMAE 2009 (estreia mundial)
Ferruccio Busoni, Berceuse Elegiaque op. 42. Peça que o compositor dedicou à mãe, depois da sua morte. Na partitura escreveu: «O homem canta à sua mãe morta a mesma canção que esta lhe cantou, quando era pequeno e que nele habitou toda a vida».
Friedrich Cerha, Les Adieux