O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós.
JEAN-PAUL SARTRE
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sexta-feira, 30 de maio de 2014

VOLTAIRE

François Marie Arouet, mais conhecido como Voltaire (Paris, 21 de Novembro de 1694 — Paris, 30 de Maio de 1778), foi um escritor, ensaísta, deísta e filósofo iluminista francês.














A maior parte dos animais que copulam só têm prazer por um sentido; e, assim que esse apetite é satisfeito, tudo se extingue. Nenhum animal, com excepção de ti, conhece os entrelaçamentos; todo o teu corpo é sensível; os teus lábios, sobretudo, gozam de uma volúpia que nada cansa, e esse prazer só pertence à tua espécie; enfim, tu podes a qualquer tempo entregares-te ao amor, os animais têm o seu tempo específico. (...) Por isso, estás acima dos animais; mas, se gozas de tantos prazeres que eles ignoram, em compensação quantas tristezas os animais não fazem ideia!

Voltaire, in 'Dicionário Filosófico'

domingo, 22 de setembro de 2013

SCHOPENHAUER - Die Welt als Wille und Vorstellung - PARA LER E RELER

  "As religiões são como vaga-lumes: para brilhar precisam das trevas."
 "A riqueza influencia-nos como a água do mar. Quanto mais bebemos, mais sede temos".
"Quanto mais claro é o conhecimento do homem – quanto mais inteligente ele é – mais sofrimento ele tem; o homem que é dotado de génio sofre mais do que todos."
"Toda criança é, de certo modo, um génio  E todo génio é, de certo modo, uma criança."
"As causas não determinam o carácter da pessoa, mas apenas a manifestação desse carácter, ou seja, as acções."
"A felicidade não passa de um sonho, e a dor é real... Há oitenta anos que o sinto. Quanto a isso, não posso fazer outra coisa senão me resignar, e dizer que as moscas nasceram para serem comidas pelas aranhas e os homens para serem devorados pelo pesar."
"Na verdade, só existe prazer no uso e no sentimento das próprias forças, e a maior dor é a reconhecida falta de forças onde elas seriam necessárias."
"A modéstia é a humildade de um hipócrita que pede perdão por seus méritos aos que não têm nenhum."
"Decepção contínua e desilusão, bem como a natureza geral da vida, apresentam-se como previsto e calculado para despertar a convicção de que nada vale nossos esforços, nossos esforços e nossas lutas, que todas as coisas boas estão vazias e fugazes, que o mundo em todos os lados está falido, e que a vida é um negócio que não cobre os custos..."

"O que torna as pessoas sociáveis é a sua incapacidade de suportar a solidão e, nela, a si mesmos."
"A compaixão pelos animais está intimamente ligada à bondade de carácter  e pode ser seguramente afirmado que quem é cruel com os animais não pode ser um bom homem".
"O bom humor é a única qualidade divina do homem."
"Em geral, nove décimos da nossa felicidade baseiam-se exclusivamente na saúde. Com ela, tudo se transforma em fonte de prazer."
"Assim como a cera, naturalmente dura e rígida, torna-se, com um pouco de calor tão moldável que se pode levá-la a tomar a forma que se desejar, também se pode, com um pouco de cortesia e amabilidade, conquistar os obstinados e os hostis."
"Toda vez que a alegria se apresentar devemos abrir-lhe a porta e o portão, pois ela nunca é inoportuna."
"Sentimos a dor mas não a sua ausência."
"Casar-se significa duplicar as suas obrigações e reduzir pela metade dos seus direitos."O que um indivíduo pode ser para o outro, não significa grande coisa, no fim cada qual acaba só. Ser feliz, diz Aristóteles, é bastar-se a si mesmo."
"Nada merece nosso esforço, todas as coisas boas são apenas vaidades, o mundo é uma bancarrota e a vida, um mau negócio, que não paga o investimento. Para ser feliz, é preciso ser como as crianças: ignorante."
"Embora sejam muitas as coisas más deste mundo, a pior dentre todas é a sociedade."
"Em geral, chamamos de destino as asneiras que cometemos."
"A descoberta da verdade é impedida de forma mais eficiente não pela aparência falsa das coisas que iludem e induzem ao erro, nem directamente pela fraqueza dos poderes de raciocínio, mas pela opinião preconcebida e pelo preconceito."


domingo, 25 de agosto de 2013

DAVID HUME

David Hume (Edimburgo, 7 de Maio de 1711  Edimburgo, 25 de Agosto de 1776), filósofo, historiador e ensaísta escocês que se tornou célebre por seu empirismo radical e seu ceticismo filosófico. Hume opôs-se particularmente a Descartes e às filosofias que consideravam o espírito humano desde um ponto de vista teológico-metafísico. Teve profunda influência sobre Kant, sobre a filosofia analítica do início do século XX e sobre a fenomenologia. (Wikipédia)


A Nossa Prodigiosa Parcialidade
Todos nós temos uma prodigiosa parcialidade em favor de nós mesmos, e, se déssemos sempre vazão a esses nossos sentimentos, causaríamos a maior indignação uns aos outros, não somente pela presença imediata de um objecto de comparação tão desagradável, mas também pela contrariedade dos nossos respectivos juízos. Assim, do mesmo modo que estabelecemos o direito natural para assegurar a propriedade dentro da sociedade e impedir o choque entre interesses pessoais, também estabelecemos as regras da boa educação, a fim de impedir o choque entre os orgulhos dos homens e tornar o seu relacionamento agradável e inofensivo. Nada é mais desagradável que um homem com uma imagem presunçosa de si mesmo, embora quase todo o mundo tenha uma forte inclinação para esse vício. 

David Hume, in 'Tratado da Natureza Humana'

"O hábito é o grande guia da vida  humana."
"A beleza não é uma qualidade inerente às coisas. Ela existe apenas na mente de quem as contempla."

"Em nossos raciocínios a respeito dos fatos, existem todos os graus imagináveis de certeza. Um homem sábio, portanto, ajusta sua crença à evidência."

"A natureza, por uma necessidade absoluta e incontrolável determinou-nos para julgar, assim como para respirar e sentir"



domingo, 21 de outubro de 2012

SERÁ?


Fé é nostalgia. É um nó na garganta. A fé é mais um passo adiante do que uma posição, mais um pressentimento do que uma certeza. A fé é espera. Ela está caminhando no tempo e no espaço. Portanto, se alguém se chega a mim e me pede para falar sobre minha fé, é exatamente sobre essa jornada no tempo e no espaço que falo. Os altos e baixos das lágrimas, os sonhos, os momentos particulares, as intuições. Falo sobre a sensação ocasional que tenho de que a vida não é uma sequência de eventos que gera outros eventos tão a esmo, quanto uma tacada no jogo de bilhar faz que as bolas se afastem em diferentes direções, mas que a vida tem um roteiro, assim como num romance - aqueles eventos que, de algum modo, nos levam a algum lugar.

Buechner

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

DA FILOSOFIA INÚTIL

«O Livro do Desassossego» tem nesta obra um sucedâneo. «Da Filosofia Inútil», tem a crueza da verdade, é um livro negro e pessimista, sobre o género humano e a vida em geral. É uma visão onde me sinto cair e depois me esforço por me iludir. Virar a cabeça à dureza da realidade e olhar para a luz ofuscante!
É uma leitura muito próxima do que vimos e ouvimos diatiamente nos media actualmente, que nos desencanta, que nos deprime.
Sempre fui de extremos, ou caio no realismo mais cruel ou no sonho mais delirante, mas sempre procuro viver no equílibrio!

CITAÇÕES DO LIVRO

« Não devemos acreditar por maldade ou ingenuidade, mas por gozo».

«A nossa consciência não evolui, apenas se repete».

SOBRE A VELHICE:

«A velhice feliz é uma mentira piedosa».

«Envelhecer é o preço a pagar pela cobardia de continuar».

«A velhice nunca é bonita, todo o envelhecimento é penoso, uma impotência vivida e uma soma de inabilidades».

«A velhice é uma doença que prolonga a vida».

«Há poucos episódios tão dolorosos como a diferença de 30 ou 40 anos entre duas fotografias da mesma pessoa. O tempo é um tumor intratável».

«A doença invade-nos, insulta o nosso orgulho.»

«Nunca regressaremos.»

«O grande acontecimento não reside em morrer, mas em estar a morrer, em não acabar de morrer. O problema reside no durante, na duração. Morrer é deixar de morrer».

Contenção incisiva, prosa aforística, embriagada de voluptuosa construção frásica e barroca. Em João Brás há: Schopenhauer, Cioran, Camus, Jonh Gray e uns toques de Manuel de Laranjeira, António Nobre e a melancolia muito portuguesa. Unamuno, contactou com vários portugueses e considerou-nos um povo suicida.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

«PASSEANDO» PELO «O BANQUETE» DE PLATÃO!

Sobre o amor há um clássico, de leitura aconselhada, num conjunto de outras leituras que se perdem no tempo e sempre são de consulta, num contexto de cultura e mentalidades. Refiro-me ao BANQUETE (SIMPÓSIO=SUMPÓSION), de Platão, de 380 a.C.
O BANQUETE lança várias ideias e eu considero que o tema do amor não é estanque, nem definitivo, com a possibilidade sempre aberta de surgir mais uma voz a contestar ou a acrescentar. Não sou uma pessoa de certezas e até fico bastante perplexa com pessoas de certezas, vejo a vida no seu todo como algo fluído, um oceano intranquilo, avançando e recuando…
Diotima de Mantineia existiu não existiu? Uns dizem ter sido uma filósofa do amor muito influente, outros consideram que apenas existiu na mente de Sócrates. É nomeada no livro Banquete de Platão, um influente diálogo sobre o amor. O Banquete, acontece na casa de Agaton, poeta trágico ateniense. Diotima não estava presente, mas é referida por Sócrates, que disse que a encontrou em jovem e com ela aprendeu porque é que as pessoas amam, o que pretendem do amor e como o amor consegue perfurar as nuvens da ignorância e da ilusão humana, para proporcionar a iluminação. O amor transcende o que os olhos podem ver!
A palavra grega fundamental é Eros, da qual deriva o erotismo, mas os gregos pensavam que o desejo erótico era uma força que impregnava a vida sob todas as formas. Nota-se isso na obra de Homero, eros impelia o homem a tornar-se corajoso. Assim como quando uma mulher bela chora nos poemas de Safo, a causa do sofrimento é eros, por despertar nela o amor pela beleza impossível. Platão imaginava a amizade filosófica a cultivar uma tal joie de vivre que as almas gémeas podiam criar asas e erguer-se ao céu, inspiradas por eros. Eros era para os gregos, um intermediário entre deuses e homens.
No Banquete há vários intervenientes a discursar sobre o amor. Fedro, um jovem retórico, apresenta a versão homérica do amor, que encontra a sua expressão mais elevada nos actos de auto-sacrifício, dos que morreram na guerra dando a vida pelos outros. Pausânias, amante de Agaton, analisa de que modo o amor difere da concupiscência. Defende o amor permanente, de corpo e alma, a concupiscência é a gratificação sexual. Erixímaco, como médico, faz uma abordagem científica, o amor não exerce influência apenas na alma, mas dá ainda harmonia ao corpo. Defende a teoria do Universo, onde o amor une o mundo e o ódio o separa, sendo a vida ideal o equilíbrio físico e psicológico. O comediante, Aristófanes apresenta a ideia brilhante de que o amor representa a procura da metade perdida. Faz uma denúncia da insensibilidade dos homens para com o poder miraculoso de Eros. Para conhecer esse poder, é preciso antes conhecer a história da natureza humana e passa a narrar o mito da nossa unidade primitiva e posterior mutilação. Segundo Aristófanes, havia inicialmente três géneros de seres humanos, que eram duplos de si mesmos: o género masculino masculino, o feminino feminino e o masculino feminino, o qual era chamado de andrógino.
Assim, aqueles que foram um corte do andrógino, sejam homens ou mulheres, procuram o seu contrário. Isto explica o amor heterossexual. E aquelas que foram o corte do feminino ou do masculino, procurarão se unir ao seu igual. Aqui Platão apresenta uma explicação para o amor homossexual. Quando estas metades se encontram, sentem as mais extraordinárias sensações, intimidade e amor, a ponto de não quererem mais se separar, e sentem a vontade de se "fundirem" novamente num só. O amor para Aristófanes é portanto o desejo e a procura do todo perdido. Agaton ao contrário dos que o precederam canta o próprio deus e a sua essência.
Chega a vez de Sócrates que se refere a Diotima. Ela tinha-lhe dito que o amor podia ser mais que a compensação para o facto de o humano acarretar com a solidão, e mais que um ingrediente na amálgama que forma uma boa vida. O amor é ao mesmo tempo, poderoso e assustador. É o desejo que pode conduzir-nos às aspirações mais elevadas, ou mergulhar-nos nos medos mais profundos. Entregámo-nos aquilo que amamos, embora seja também o que mais tememos perder. Pode apurar o carácter, ou engolir-nos. Pode despertar um anseio pelo que é belo e bom, assim como impelir-nos para o que é carnal e corrupto. O amor pode colocar-nos numa senda virtuosa que, sobe em direcção a sugestões de transcendência, ou fazer-nos voar numa espiral viciosa em direcção à perda. No êxtase, pode fazer com que as pessoas saiam de si em direcção à vida em toda a sua plenitude. Como obsessão, pode virá-las contra si mesma e ser até causa de morte. Uma coisa é certa: a partir do momento em que vemos o poder do amor, a vida nunca mais parece igual.
Se o amor é tão extraordinário, como poderá ser domado, alimentado ou controlado? Diotima disse que era uma questão de sexo. Não exaltava a virgindade nem defendia o celibato, mas pensava que, no sexo, menos é provavelmente mais. O sexo não devia ser equiparado ao amor, porque os prazeres carnais não passam do eco dos deleites espirituais. O grande risco, no caso do sexo, é que é tão irresistível e cheio de promessas, que as pessoas ficam agarradas a ele. A sua energia devia ser sublimada na procura de um amor mais elevado, que tivesse menos a ver com posse e mais com contemplação.
Diotima era uma sacerdotisa e a sua visão de amor era religiosa. Este é de facto um amor, para mim complexo e inacreditável, que em todas as épocas muitos sentiram e continua a ser cultivado. O amor a algo transcendente, independentemente da religião em si e do que é amado. O «espírito religioso» de veneração a algo superior, que se pensa estar sempre presente, que tudo sabe, que pode intervir na vida de cada um, que um dia fará justiça…etc…etc…Que é afinal resultado da ignorância sobre o fundamental, que as explicações científicas não clarificam e que motiva uma frase muito recorrente desde sempre: DE ONDE VIMOS, O QUE SOMOS E PARA ONDE VAMOS!
A questão está em ter ou não ter fé! Como não tenho fé, «só sei que nada sei», como dizia Sócrates e não sei em que fase da sua vida a disse, se antes ou depois de conhecer Diotima!..
Platão coloca o seu apontamento crucial sobre o conceito de amor, onde o que se ama é somente aquilo que não se tem. E se alguém ama a si mesmo, ama o que não é. O objecto do amor sempre está ausente, mas sempre é solicitado. A verdade é algo que está sempre mais além: sempre que pensamos tê-la atingido, ela nos escapa entre os dedos e continua a inquietação da procura.
Segundo relatos do texto de Platão e de alguns de seus companheiros, o amor é um dos maiores bens do homem (junto com o inteligência e a sabedoria) e não é nem bom nem mau em si mesmo. O amor está relacionado com a verdade, amar não é somente exercer o poder sobre alguém ou demonstrar força, mas saber ser correspondido, ou seja, ser verdadeiro.
No meu ponto de vista, «falar» de amor é falar a priori do relacionamento espírito/carne entre duas pessoas! O sentimento afectivo tem graduações, inicialmente provoca o choque da paixão, o exacerbamento e depois pode continuar mais tranquilo ou quedar-se!
Pode ter como objectivo gerar filhos (ou não) e depois vem o amor dos pais pelos filhos e dos filhos pelos pais e o amor pela família! Manifesta-se também como uma energia da alma e do corpo para atingir certos fins, defender causas, ter ideais, ser criativo…pode mudar o mundo!
Chama-se também «amor» ao desejo de posse (a palavra amor está muito vulgarizada), como de qualquer outro bem material e transitório e pode ter outras motivações: vaidade, inveja, ambição, luxúria, satisfação do ego, como acontece quando o ego se sobrepõe a tudo e tudo é: «para usar e deitar fora»!

sexta-feira, 23 de abril de 2010

AS PAIXÕES DA ALMA

Em 1649, ano em que parte para Estocolmo a convite da rainha Cristina da Suécia, René Descartes (1596-1650) publica o Tratado das Paixões, correntemente conhecido como As Paixões da Alma. Descartes aprofunda aí a sua especulação sobre o pensamento humano, desmistificando a crença de que os sentimentos se localizavam no coração e insistindo em que é o cérebro que comanda todas as manifestações exteriores das paixões da alma, e contribui para uma longa tradição de tentativas de sistematização das paixões.
Dos artigos 53 a 67 enumera todas as paixões, mas no artigo 69 sustenta que há apenas seis «que são simples e primitivas». Todas as outras derivam destas. Ei-las:
a admiração, o amor, o ódio, o desejo, a alegria e a tristeza.



Mote para DIAS DA MÚSICA no CCB

http://www.netsaber.com.br/biografias/ver_biografia_c_1241.html

(AGRADEÇO À A.P.S. A MOTIVAÇÃO PARA A PESQUISA)