O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós.
JEAN-PAUL SARTRE
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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

LYONEL FEININGER






Lyonel Feininger (1871 - 1956) começou a pintar com 36 anos, em seguida trabalhou como um caricaturista comercial para vários jornais nos EUA. Foi membro do Berliner Sezession em 1909, foi associado aos grupos Die Brücke, Novembergruppe, Gruppe 1919, e Os Quatro Azuis do expressionismo. Ensinou também no Bauhaus por diversos anos.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

SIMBOLISMO

Movimento artístico, que surgiu em França no século XIX, opondo-se ao Realismo, ao Naturalismo e ao Positivismo da época.
Esta corrente teve a adesão, de escritores e também de pintores e foi influenciada pelo misticismo e pelo orientalismo.
Como tudo que é novo houve contestação, o simbolismo foi chamado de decadentismo, que aludia à decadência dos valores estéticos existentes e uma afectação dos mesmos. Em 1886, um manifesto formalizou a nova corrente: SIMBOLISMO.

Embora vários artistas tivessem aderido a esta corrente, predominava entre os mesmos o individualismo. Uma característica, no entanto era abrangente: o subjectivismo, os artistas procuram o mais profundo do «eu», o inconsciente, o sonho. Este vector pode ter uma aproximação ao passado movimento romântico e até ao futuro movimento surrealista, de «grosso modo». Ênfase no imaginário e na fantasia. Para interpretar a realidade, os simbolistas valem-se da intuição e não da razão ou da lógica. Preferem o vago, o indefinido, o impreciso.
Tendo surgido paralelamente ao neo-impressionismo de Georges Seurat e de Paul Signac, o simbolismo apresenta-se como mais uma tentativa de superação da pura visualidade defendida pelo impressionismo. Porém enquanto o divisionismo de Seurat e Signac, se baseia em leis científicas de visão, o simbolismo segue uma trilha espiritualista e anticientífica. Se o impressionismo fornece sensações visuais, o simbolismo almeja apreender valores transcendentes - o Bem, o Belo, o Verdadeiro, o Sagrado - que se encontram no pólo oposto ao da razão analítica.
Oriundo do impressionismo, Paul Gauguin deixou-se influenciar pelas pinturas japonesas que apareceram na Europa e abandonou as técnicas ainda vigentes nas telas do movimento onde se iniciou. A temática alegórica passa a dominar, a partir de 1890. Ao artista não bastava pintar a realidade, mas demonstrar na tela a essência sentimental dos personagens - e em Gauguin isto levou a uma busca tal pelo primitivismo que o próprio artista abandonou a França e foi morar com os nativos da Polinésia francesa.





A "pintura literária" de Gustave Moreau e Pierre Puvis de Chavannes, por exemplo, focaliza civilizações e mitologias antigas, com o auxílio de imagens místicas, tratadas com forte sensualidade, como, A Aparição, ca.1875.
APARICÃO de GUSTAVE MOREAU

Salomé com seu corpo adornado e atraente, aponta para a cabeça degolada de João Baptista.
Referência ao episódio bíblico, no qual Salomé é apontada como responsável pela execução de João Batista, a cena parece querer associar o acto de matar o amado e ver o seu sangue escorrer com uma compulsão erótica feminina associada à histeria e à encarnação de Eros e Thanatos.

Mestre da cor, o artista soube representar uma mulher de beleza rara, com traços de anjo e pele aveludada, cobertas apenas por ousadas transparências. A luz foi utilizada por Moreau para obter essa atmosfera ao mesmo tempo mística e mágica, que caracterizou a pintura simbolista.

Odilon Redon, explora, em desenhos e litografias, diversos temas fantásticos, sob inspiração da literatura de Edgar Allan Poe.


Tendo a sua origem em França, o simbolismo, converteu-se imediatamente num fenómeno europeu. Na Áustria, a obra de Gustav Klimt é emblemática da associação entre fórmulas decorativas e temáticas simbolistas, como indicam, por exemplo, as figuras femininas, de tom alegórico e forte sensualidade, visto no Retrato de Corpo Inteiro de Emilie Flöge, 1902, Judite I, 1901, e As Três Idades da Mulher, 1908, entre outros.



Outros artistas europeus da época, aderem, como por exemplo: o suíço Ferdinand Hodler, destacando-se as obras, O Desapontado, 1890, e Eurritmia, 1895 - e Arnold Böcklin, responsável por telas de tom místico e clima sombrio como, A Ilha dos Mortos, 1880.
A Ilha dos Mortos - Arnold Böcklin

Ou ainda, na Inglaterra, os trabalhos de Aubrey Beardsley - autor das ilustrações da versão inglesa de Salomé, de Oscar Wilde - e das obras esteticistas de sir Edward Coley Burne-Jones.
Os pintores do grupo belga Les Vingt (Les XX) - que reúne
James Ensor, Theodor Toorop e Henri van de Velde - são outros exemplos da expressão europeia simbolista/decadentista. Ensor produziu uma obra povoada de elementos macabros e figuras grotescas, que procura enveredar pelas profundezas do inconsciente.
Christ's Entry into Brussels


A obra do norueguês Edvard Munch, alia-se primeiro ao simbolismo, tornando-se depois um expoente do expressionismo. Munch, confere um sentido mais trágico ao diagnóstico pessimista lançado pelos artistas em relação à sociedade industrial do fim de século. Nesse ponto também se verifica um movimento de arte da realidade exterior para o universo interior, só que os seus trabalhos recusam qualquer sentido de transcendência da arte e do símbolo. As suas obras tematizam a dor, a morte e os estados psicológicos extremos, sem nenhum apelo estetizante - O Grito, 1893, Ansiedade, 1894.
O Grito - Munch




É possível pensar ainda em reverberações simbolistas e decadentistas no grupo francês dos nabis - Aristide Maillol, Pierre Bonnard e Édouard Vuillard - e no expressionismo, de Wassily Kandinsky e Paul Klee.

CONSULTA: GUIA DA HISTÓRIA DE ARTE, SPROCCATI, Sandro, Editorial presença, 4ª. Edição, Lisboa, 1999
(C&H)

sábado, 24 de julho de 2010

PINTURA - LES NABIS

Les Nabis, grupo de jovens artistas pós-impressionistas vanguardistas da última década do século XIX. Este grupo foi uma consequência do SIMBOLISMO. As suas características são: formas mais simplificadas e cores mais puras, onde estão patentes; emoções, sentimentos e ideologias. Este grupo abriu caminho ao pré-abstracionismo e ao anti-figurativismo.
O impulsionador deste movimento foi, Paul Sérusier, o seu divulgador foi Maurice Denis e o pintor mais influente foi Gauguin. Outros pintores, que aderiram foram: Pierre Bonnard e Edouard Vuillard.
Apesar de outros movimentos terem surgido, como o Fauvismo e o Cubismo, os Nabis continuaram.
Paul Sérusier impulsionou os Nabis, arranjou o nome e a grande influência, Paul Gauguin. A palavra nabi deriva da palavra árabe, profeta. Embora deste grupo houvesse vários nomes a citar, os mais importantes são realmente Paul Gauguin e Pierre Bonnard.

PAUL GAUGUIN (1848 – 1903)

Nos seus primeiros anos, a pintura não fazia parte dos seus horizontes. Foi corrector de valores, casou e teve 5 filhos. Com 35 anos e devido a problemas com a Bolsa de Paris, decidiu dedicar-se à pintura e começou a frequentar o meio boémio. Era um autodidacta. Não se integrou no movimento impressionista e começou a pintar e expor, dentro das suas próprias ideias. A sua obra foi tão singular como a de Van Gogh ou Paul Cézanne, mas teve seguidores e foi o fundador do grupo Les Nabis, que pensavam a pintura como uma filosofia de vida.
Paul Gauguin começou a pintar a vida natural e simples do campo, o seu quadro famoso,
Cristo Amarelo é desse período, onde aplicou as cores de forma arbitrária.



De espírito inquieto, partiu para o Taiti, em busca da pureza das origens. Pintou telas carregadas da iconografia exótica do lugar, onde não falta um erotismo natural, fruto da sua paixão pelas nativas.
Gauguin depois viveu na Bretanha, no sul de França, onde conviveu com Van Gogh e tiveram uma relação tempestuosa. Mais tarde fez uma viagem a Martinica e determinou o objectivo de se dedicar à arte primitiva.
Voltou a Paris, mas o seu maior desejo era voltar ao Taiti e apesar das dificuldades, lá conseguiu o dinheiro para a viagem. Chegou em 1891, pintou cerca de 100 quadros, fez escultura e escreveu o livro, Noa-Noa.


MULHERES DO TAITI
Regressou a Paris para fazer uma exposição, mas voltou ao Taiti, fixando-se na ilha Dominique. Nessa fase, criou algumas das suas obras mais importantes, como "DE ONDE VIEMOS? O QUE SOMOS? PARA ONDE VAMOS?, uma tela enorme que sintetiza toda sua pintura, realizada quando teve conhecimento da morte da filha e antes de uma frustrada tentativa de suicídio.
Em 1901, transferiu-se para a ilha Hiva Oa, uma das Ilhas Marquesas, onde veio a falecer.



PIERRE BONNARD (1867-1947)
Estudou na Academia das Belas Artes, onde foi formado o grupo Les Nabis. Conhecido pelo nabi japonês, devido ao seu interesse pela Arte Japonesa.
Foi um artista bem sucedido e premiado. Além de pintor, foi também gravador.
Juntamente com Gauguin, Bonnard foi sem dúvida um dos pintores mais interessantes do grupo dos Nabis. A sua pintura de interiores, de cores claras e luminosas, reflecte a capacidade de captar os pequenos detalhes, sob um efeito emocional. Os objectos parecem formar-se pela solidificação do ar. Os nus de Bonnard, nada mais são, do que experimentações, nas quais o pintor tenta pesquisar a variação das cores sob a luz. O resultado é uma obra de tranquila intimidade. (Segundo críticos especializados).

Nu

No banheiro
[C&H]

PINTURA - FAUVISMO/CUBISMO

FAUVISMO
Vem da palavra francesa «les fauves» (as feras). Este movimento iniciou-se em 1901, mas só foi considerado como movimento artístico, passados 4 anos. Os fauvistas, eram pintores, que não seguiram o impressionismo. Segundo Henry Matisse, um dos seus seguidores, esta forma de expressão pictórica foi caracterizada, por «uma arte do equilíbrio, da pureza e da serenidade, não abordando temas perturbadores, nem deprimentes».
Os princípios do movimento eram: criação artística à margem do intelecto e dos sentimentos, seguindo os impulsos dos instintos, as sensações primárias. Relativamente à cor, a mesma devia ser pura e de forma exaltante e impulsiva, traduzindo as sensações elementares, com pincelada espontânea, em manchas largas.
As principais figuras deste movimento foram: Paul Gauguin (na sua pintura estão presentes vários movimentos), Georges Braque, Paul Cézanne (considerado depois pai do Cubismo) e Henri Matisse.Este grupo de pintores escandalizou os contemporâneos, ao utilizar nos seus quadros cores violentas, de forma arbitrária. A denominação do movimento deve-se ao crítico conservador Louis Vauxcelles, que, no Salão de Outono de 1905, em Paris, comparou esses artistas a feras (fauves). Tal denominação, inicialmente de carácter depreciativo, acabou por se fixar e passou designar o movimento.



A Dança - Matisse
CUBISMO
O Cubismo é um movimento artístico que ocorreu entre 1907 e 1914, tendo como principais fundadores Pablo Picasso e Georges Braque.
O Cubismo tratava as formas da natureza por meio de figuras geométricas, representando todas as partes de um objecto no mesmo plano. A representação do mundo passava a não ter nenhum compromisso com a aparência real das coisas.
Historicamente o Cubismo teve origem na obra de Cézanne, pois para ele a pintura deveria tratar as formas da natureza como se fossem cones, esferas e cilindros. Entretanto, os cubistas foram mais longe do que Cézanne. Passaram a representar os objectos com todas as suas partes num mesmo plano. É como se eles estivessem abertos e apresentassem todos os seus lados no plano frontal em relação ao espectador. Na verdade, essa atitude de decompor os objectos não tinha nenhum compromisso de fidelidade com a aparência real das coisas. O pintor cubista tentou representar os objectos em três dimensões, numa superfície plana, sob formas geométricas, com o predomínio de linhas rectas. Não representa, mas sugere a estrutura dos corpos ou objectos. Representa-os como se movimentassem em torno deles, vendo-os sob todos os ângulos visuais, por cima e por baixo, percebendo todos os planos e volumes.
Isto leva a: geometrização das formas e volumes; renúncia à perspectiva; o claro-escuro perde sua função; representação do volume colorido sobre superfícies planas; sensação de pintura escultórica; cores austeras, do branco ao negro passando pelo cinza, por um ocre apagado ou um castanho suave.
Cubistas:
Pablo Picasso, Georges Braque Juan Gris, Kazimir Malevich, Fernand Léger, Robert Delaunay, Diego Rivera, entre outros menos conhecidos.


Les Demoiselles de Avignon - Picasso
Guernica - Picasso

[C&H]

segunda-feira, 19 de julho de 2010

IMPRESSIONISMO

A renovação estilística empreendida pelo impressionismo encontra algumas das suas matrizes nos trabalhos precursores de Joseph Mallord William Turner (1775 - 1851)



e John Constable (1776 - 1837),


sobre cujas paisagens luminosas Monet, Sisley e Pissarro se debruçaram na passagem pela Inglaterra em 1870. Na França são sobretudo Eugène Delacroix (1798 - 1863),


e as suas pesquisas de cor e luz, os artistas da Escola de Barbizon e a defesa da pintura ao ar livre, e as paisagens de Jean-Baptiste-Camille Corot (1796 - 1875)


e Gustave Courbet (1819 - 1877),


partidários de novas formas de registo da natureza, são as principais referências para os impressionistas. Isso sem esquecer o impacto causado pelas estampas japonesas - suas soluções formais e colorido particulares - principalmente nos trabalhos de Degas.

Éduard Manet (1832 - 1883),


por sua vez, de precursor do grupo passa a seu integrante - embora nunca tenha exposto com eles -, sobretudo a partir de 1870, quando se volta para a pintura em espaço aberto e aproxima-se mais directamente de Monet.
Impressionismo foi um movimento artístico que surgiu na pintura europeia do século XIX. O nome do movimento, foi dado por um crítico, depois de uma exposição, onde estava exposto, Impression, soleil levant (1872), de Claude Monet.
Impressionismo, foi um movimento, de pessoas com ideias comuns, mas não foi uma escola, todos os pintores seguiam um postulado idêntico, mas eram autónomos e diversificados. Todos eles consideravam, que a descoberta da fotografia, teria forçosamente que influenciar a pintura, portanto estavam contra os preceitos do Realismo e em oposição ao ensino académico. Os impressionistas, portanto, rompem totalmente com o passado; pesquisam sobre a óptica/ efeitos (ilusões) ópticas, são autónomos, embora conversem entre si, não concordam com as mesmas coisas porém discordam do mesmo e pintam preferencialmente no exterior, abandonando o atelier.
A emergente arte visual do Impressionismo foi logo seguida por movimentos análogos, noutros sectores artísticos, assim surgiu a música impressionista e a literatura impressionista.
A pintura impressionista, caracteriza-se pela luz e o movimento, mostrando as tonalidades que os objectos adquirem ao reflectir a luz do sol num determinado momento, pois as cores da natureza mudam constantemente, dependendo da incidência da luz do sol, é portanto uma pintura instantânea e feita ao ar livre As figuras não devem ter contornos nítidos pois o desenho deixa de ser o principal meio estrutural do quadro passando a ser a mancha/cor, pinceladas soltas como principal elemento da pintura, para melhor capturar as variações de cores da natureza, geralmente a pintura era feita ao ar livre. As sombras devem ser luminosas e coloridas, de acordo com a impressão visual que causam. O preto jamais é usado numa obra impressionista. Os contrastes de luz e sombra são obtidos de acordo com a lei das cores complementares. Assim um amarelo próximo a um violeta produz um efeito mais real do que um claro-escuro muito utilizado pelos académicos no passado. Essa orientação viria dar mais tarde origem ao pontilhismo. As cores e tonalidades não devem ser obtidas pela mistura das tintas na paleta, devem ser puras e dissociadas no quadro em pequenas pinceladas. É o observador que, ao admirar a pintura, combina as várias cores. A mistura deixa, portanto, de ser técnica para se tornar óptica.
Os principais pintores que aderiram à nova forma de ver a pintura foram:
Claude Monet (1840-1926), Pierre Auguste Renoir (1841 - 1919), Alfred Sisley (1839 - 1899), Frédéric Bazille (1841 - 1870), Camille Pissarro (1831 - 1903), Paul Cézanne (1839 - 1906), Edgar Degas (1834 - 1917), Berthe Morisot (1841 - 1895) e Armand Guillaumin (1841 - 1927).
MONET

RENOIR

SISLEY

BAZILLE

PISSARRO

CÉZANNE

DEGAS

MORISOT

GUILHAUMIN

Há determinados pintores, contemporâneos dos pintores citados, que orientaram o seu trabalho de forma diferente, estão neste caso: Toulouse-Lautrec (1864-1901) que revolucionou o design gráfico dos cartazes publicitários, ajudando a definir o estilo que seria posteriormente conhecido como Art Nouveau; Eugène-Henri-Paul Gauguin (1848 - 1903) que foi um pintor francês do pós-impressionismo; Van Gogh (1853-1890) considerado pioneiro na ligação das tendências impressionistas com as aspirações modernistas, sendo a sua influência reconhecida em variadas movimentos da arte do século XX, como por exemplo o expressionismo, o fauvismo e o abstraccionismo; Paul Signac (1863-1935) e Georges Seurat (1859-1891), foram dois artistas impulsionadores do chamado Movimento do Divisionismo, também designado por Neo-Impressionismo ou Pontilhismo.
[C&H]