O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós.
JEAN-PAUL SARTRE

terça-feira, 8 de junho de 2010

ZONA EURO: CRISES CONVERGENTES, MAS TAMBÉM DIVERGENTES…

Continuo, continuamos, mergulhados na CRISE, cada vez mais CRISE com as notícias que vão chegando. Há anos que se anda a falar de uma crise de valores éticos, os actos corruptivos dos políticos têm sido manchete diária juntamente com uma displicência do vale tudo. Portugal começou a viver acima das suas possibilidades e a fechar os olhos, a certos sectores, como por exemplo os bancos, que alargaram o crédito e tiveram como contrapartida o não cumprimento dos empréstimos e, claudicaram! Victor Constâncio, Governador do Banco de Portugal, foi um bom «verbo de encher», como é que lhe passou tudo ao lado? Possivelmente estava mandatado para isso! Uma crise mundial desenhou-se, começou pelos Estados Unidos e pelas medidas económicas tomadas e foi-se alastrando, por todo o mundo, com graus de afectação diferentes. A zona euro, foi afectada especialmente. O projecto de uma União de Países, com possibilidades diferentes, para os quais os patamares seriam os mesmos, dizia-se que viria a trazer problemas. Irlanda, Portugal, Espanha, Grécia, Itália, Hungria…estão com grandes dificuldades. Grécia e Hungria já admitiram ter falsificado as contas e outros o fizeram com certeza!

Relativamente a Portugal, assiste-se a contradições estranhas por parte do Governo! Que contenções estão a ser feitas a nível das despesas do Estado?
TGV vai ser construído ou não? Um dia sim, outro dia não, um dia economistas dizem que deve ser, no outro dia economistas dizem que não! E o mesmo se pode dizer, de outras grandes obras que estavam programadas.
Relativamente às despesas do próprio Estado, verdade ou não, quando se diz que o PM tem 12 motoristas, eu pergunto a mim mesma, mas isso é possível?
Hoje fiquei «pasmada», com a notícia: Estado pagou 23 milhões em cartazes partidários! Tem que haver cortes ao financiamento partidário, hoje em dia isso já não se justifica!
O esforço no corte nas subvenções públicas aos partidos entrou na agenda mediática depois do Presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, ter apelado aos partidos para se juntarem aos sacrifícios pedidos aos portugueses.
O PS abriu a porta a entendimentos, mas afastou o cenário de avançar com uma proposta legislativa. Os socialistas acreditam que em tempo de crise é errado rever a lei de financiamento partidário (!) e defendem que era preferível um acordo entre partidos a aplicar nesta conjuntura (até 2013).
Sempre pensei que existia deputados a mais e continuo a pensar e agora como cada deputado tem assessor, esta frota é imensa!..
Penso que se podia reduzir bastante à despesa do governo, porque há de facto muito desperdício, sem afectar demasiado as pessoas de reduzidos proventos ou aumentar mais o índice de desemprego, mas pelos vistos as opções vão mesmo por aí, com redução de subsídios, congelamento de salários e aumentos gerais de impostos. 2011, todos dizem que será um ano negro com a implementação de medidas mais drásticas! Possivelmente terá à frente do governo, Socrátes. Bem dizia outro dia, Adriano Moreira, que Portugal está a necessitar de pessoas confiáveis. Sócrates é um político absolutamente descredibilizado.
A vaga de planos de austeridade está a espalhar-se pela Europa de forma cada vez mais rápida. Depois dos países periféricos (Grécia, Portugal, Espanha, Irlanda e Itália) se terem visto obrigados (primeiro pelos mercados e depois pela Comissão Europeia) a reforçar as medidas anunciadas nos respectivos Programas de Estabilidade e Crescimento (PEC).
Ontem mesmo, foi recomendado a Portugal e a Espanha, complementar as medidas de austeridade recentemente anunciadas com novas reformas estruturais, “nomeadamente no mercado de trabalho e no sistema de pensões”, para acelerar a consolidação orçamental.
Esta decisão foi tomada por 16 países da zona euro no quadro de uma análise preliminar dos programas de austeridade impostos há um mês a Lisboa e Madrid, no quadro dos esforços destinados a sossegar o nervosismo dos mercados financeiros sobre a sustentabilidade da zona euro, sobretudo dos seus membros mais vulneráveis. Lisboa e Madrid, «já anunciaram ou vão anunciar reformas estruturais substanciais». Os planos de austeridade terão de ser reforçados a partir de 2011.
Também a Alemanha e o Reino Unido assumiram, por sua iniciativa, que vão ter de apertar mais o cinto do que o inicialmente esperado. Na Alemanha, país crucial para a actividade em toda a União Europeia, Merkel anunciou um programa de austeridade de 80 mil milhões de euros até 2014, de modo a permitir uma redução do défice para menos de 3 por cento do PIB e Cameron, já está a preparar os britânicos para um novo "estilo de vida". Sarkozy, não toma medidas, porque já está em campanha eleitoral para 2012, dizem os comentaristas! Estes políticos, que só querem ganhar eleições e estão a marimbar-se para o país, também já são o «pão-nosso» de cada dia!


QUE DISSE ONTEM O REPRESENTANTE DO FMI:

O discurso a favor da intensificação da consolidação foi igualmente martelado pelo FMI, que atribuiu a actual crise da zona euro “às políticas orçamentais insustentáveis em alguns países”, em conjunto com “progressos insuficientes no estabelecimento da disciplina” orçamental e “governação deficiente da zona euro”.Para o FMI “uma das soluções para o problema da governação da zona euro passaria, “idealmente”, pela centralização ao nível europeu da fixação de “metas vinculativas” para o défice orçamental e dívida pública dos países membros. Isto, embora reconhecendo que “uma reforma deste tipo exige um consenso sobre alterações do Tratado [da União Europeia], o que levará tempo”.
Ao mesmo tempo, defende que o quadro orçamental da zona euro, tem de ser “reforçado de forma significativa” porque o pacto de estabilidade e crescimento do euro (PEC) “não encorajou os Estados membros a tirar partido dos bons tempos para construir almofadas de segurança e reduzir a dívida para níveis prudentes”. Esta situação reflecte “fragilidades fundamentais na prevenção e aplicação [do PEC] que precisam de ser urgentemente enfrentados”.


PASSEANDO PELOS CLÁSSICOS

Há livros, que embora lidos, há alguns anos, nunca mais se esquecem! Li vários livros sobre Thoman Mann, (Lübeck, 6 de Junho de 1875 — Zurique, 12 de Agosto de 1955). Nobel de Literatura de 1929.
Mais sobre Thomas Mann AQUI
DESTACO:
OS BUDDENBROOKS, um romance que conta a história de uma família protestante de comerciantes de cereais de Lübeck ao longo de três gerações. Fortemente inspirado na história da sua própria família, o romance foi lido com especial interesse pelos leitores de Lübeck que descobriram muitos traços de personalidades conhecidas. Thomas Mann é também um romancista analítico, que descreve como poucos a tensão entre o carácter nórdico, protestante, frio e ascético e as personagens mais rústicas, simples, bonacheironas, das regiões católicas, de onde se destaca o senhor "Permaneder", o paradigma do bávaro de Munique, em "Os Buddenbrook". Thomas Mann viveu entre estes dois mundos. Por um lado a origem familiar e o ambiente da ética protestante de Lübeck, por outro lado a voz interior e a influência da sua mãe brasileira, que o faziam interessar-se menos pelos negócios e mais pela literatura. A influência da mãe acabou por levar a melhor. Thomas Mann via nos Buddenbrook um exemplo de uma família em decadência, em que os descendentes não saberiam levar avante os negócios, que herdaram.
MORTE EM VENEZA, publicado em 1912, conta a história do escritor alemão Gustav von Aschenbach, que vai passar férias a Veneza. Lá, apaixona-se platonicamente pelo jovem polonês Tadzio, de 14 anos, e passa os dias a admirá-lo. O livro faz considerações de Aschenbach sobre as dicotomias, beleza natural do jovem e a arte da escrita tão arduamente trabalhada por ele, ou juventude e velhice, sabedoria e ignorância, saúde e doença."Não estava escrito que o sol desvia nossa atenção do intelectual para o sensível? Que ele entorpece e enfeitiça a razão e a memória de tal modo que a alma, entregue ao prazer, esquece inteiramente sua verdadeira condição e se apega surpresa e maravilhada ao mais belo dos objectos iluminados por ele?"Há citações da literatura clássica, como o relacionamento entre Sócrates e Fedro, tentando justificar os sentimentos amorosos expressos pelo autor. Contudo, o que torna a obra digna de leitura não é a história em si, mas a habilidade de Thomas Mann no manuseio das palavras para mostrar aspectos psicológicos.
Ao chegar a Veneza, o escritor descreve a passagem através de um Portal, sendo conduzido por um estranho gondoleiro até ao seu destino, mas ele desaparece deixando apenas a frase: "O senhor pagará". O Portal é identificado como o do Inferno, e gondoleiro Caronte, barqueiro do rio que leva as almas no rio Estiges. Predição funesta, contudo muito pertinente. Também interpreta a necessidade dos moradores de Veneza em esconder a doença que assola a cidade dos turistas: revelando um falso clima de paz que precedeu a Primeira Guerra Mundial (1914) e mostrando a falsa sensação de que "está tudo bem". O livro leva-nos a descobrir Aschenbach/Mann, os seus traumas, anseios, dúvidas, desejos e contradições. Aschenbach critica justamente aquilo em que depois se vai transformar, o êxtase que será a causa do seu infortúnio.
Teve uma adaptação cinematográfica excelente de Luchino Viscontti.
A MONTANHA MÁGICA ("Der Zauberberg"), publicado pela primeira vez em 1924. Thomas Mann faz um retrato de uma Europa em ebulição, no eclodir da Primeira Guerra Mundial. Imagem simbólica da corrosão da sociedade europeia antes da Primeira Guerra. Ao visitar o primo num sanatório, Hans Castorp acaba por contrair tuberculose. Permanece internado por sete anos, vivendo num ambiente de requinte intelectual. Ler “A Montanha Mágica” é aprender a morrer. Quem vive está morrendo um pouco, e nessa montanha vive-se muito devagar. Narra-se a história de Hans Castorp, um jovem sem muitas qualidades, que o autor apenas não quer chamar de medíocre. Estava um pouco esgotado, ao término de seu curso de engenharia. Antes de assumir um alto cargo na firma dos parentes, vai para um sanatório na montanha para repousar por quinze dias, com o pretexto de visitar o primo tuberculoso. Os médicos descobrem que ele trazia a doença embutida, e fica internado. Então opera-se uma transformação nele, paulatinamente, à medida que vai vivendo nesse lugar, em que parece que o tempo não existe. Na retrospectiva da sua vida, é interessante notar o paralelo com a de Thomas Mann, que também ficou sem pai e, embora tivesse a mãe, ficou entregue à indiferença dos parentes. Falando no paralelo biográfico, vamos notar já o inacreditável capítulo sobre o passeio na praia – isto na montanha, num lugar coberto de neve, mesmo no verão – como se a mãe do autor, brasileira, de Paraty, deixasse nele esse sentimento atávico do mar. Vai conhecendo os hóspedes da clínica, que parece não terem nada de extraordinário. São de facto pessoas comuns que têm uma doença incurável, na época, e convivem com ela da melhor maneira possível. Quanto melhor é essa convivência, quanto mais parecem normais, mais ganham profundidade psicológica, mais vamos conhecendo quanto de humano pessoas comuns carregam dentro de si. Como não poderia deixar de ser, há a discussão religiosa – na pessoa de duas das personagens mais interessantes, mais complexas, um escritor e um jesuíta, dois pândegos a princípio, que vão crescendo e dominando a cena. É a Cidade de Deus e a cidade dos homens em luta, ambas carregadas de erros, tentando justificar-se e impor-se. O desenlace dessa disputa será o clímax do romance. Sem vencedores, mas com perda e desengano. No entanto, a vida continua. Hans Castorp conhece ou pensa conhecer o amor. Não percebe que quem vive nas suas condições não tem direito a amar. É nas vésperas da 1ª Guerra Mundial, quando o mundo vai transformar-se, que Hans Castorp amadurece de repente.Livro, em que não acontece nada, e que nos deixa presos àquele mundo cheio de humanidade, que sangra sem que se perceba, que morre – e olha-se com galhardia a morte –, enquanto nos vamos enriquecendo interiormente. Não é apenas Hans Castorp que cresce ao longo do romance. Não são apenas as personagens – sem grandeza como nós – que crescem ao longo do romance. Nós também.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

A IMPORTÂNCIA DA INTERNET

A Internet, é uma ferramenta de conhecimento imprescindível. Um nome passa pelos meus ouvidos ou olhos e, não conhecendo ou conhecendo mal, a internet abre diversas caminhos ao conhecimento. Necessário é contrapôr uns sites aos outros, para um conhecimento mais confiável. Aquelas enciclopédias que sempre tinha que consultar a maior parte do tempo repousam na estante. Contrariamente às enciclopédias que vão ficando ultrapassadas pelos acontecimentos a internet vai-se sempre actualizando. Este vício que criei de procura, ocupa-me realmente muito tempo e sempre o tempo é pouco!

LOUISE BOURGEOIS, já conhecia, são famosas as suas aranhas, mas de BRIAN DUFFY, nada sabia! Dois artistas que morreram recentemente.

Louise Bourgeois (1911-2010)

Louise Bourgeois, notabilizou-se pela abordagem agressiva e explícita do sexo nas suas obras, centradas no estudo do corpo humano e na necessidade de protecção diante de um mundo assustador. Ela costumava inspirar-se em episódios da sua infância para fazer suas obras, marcadamente a relação entre os seus pais, que mantinham um relacionamento infiel mas se recusavam a admiti-lo. A série de aranhas desenvolvida a partir dos anos 90, inclusive, representa estas inquietações familiares.

MAIS SOBRE LOUISE BOURGEOIS AQUI







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Brian Duffy (1933-2010)

Este fotógrafo ficou famoso ao retratar o universo da moda e da música dos anos 1960 e 1970.Sua foto mais famosa é capa do disco 'Aladdin sane', de David Bowie.
Em 1979, o nome de Duffy correu mundo devido a ter queimado parte de seu trabalho.
MAIS SOBRE DUFFY AQUI

domingo, 6 de junho de 2010

CERTEZAS PRECISAM-SE - GEDEÃO



Certezas, precisam-se
Preciso urgentemente de adquirir
meia dúzia de valores absolutos,
inexpugnáveis e impenetráveis,
firmes e surdos como rochedos.
.
Preciso urgentemente de adquirir certezas,
certezas inabaláveis,
imensas certezas,
montes de certezas,
certezas a propósito de tudo e de nada,
afirmadas com autoridade,
em voz alta para que todos oiçam,
com desassombro, com ênfase, com dignidade,
acompanhadas de perfurantes censuras
no olhar carregado,
oblíquo.
.
Preciso urgentemente de ter razão,
de ter imensas razões, montes de razões,
de eu próprio me instituir em razão.
Ser razão!
Dar um soco furibundo e convicto no tampo da mesa
e espadanar razões nas ventas da assistência.
Preciso urgentemente de ter convicções profundas,
argumentos decisivos,
ideias feitas à altura das circunstâncias.
Preciso de correr convictamente
ao encontro de qualquer coisa,
de gritar, de berrar, de ter apoplexias sagradas
em defesa dessa coisa.
Preciso de considerar imbecis
todos os que tiverem opiniões diferentes da minha,
de os mandar, sem rebuço,
para o diabo que os carregue,
de os prejudicar, sem remorsos,
de todas as maneiras possíveis,
de lhes tapar a boca,
de lhes cortar as frases no meio,
de lhes virar as costas ostensivamente.
.
Preciso de ter amigos da mesma cor, caras unhadas,
que me dêem palmadinhas nas costas,
que me chamem pá e me façam brindes
em almoços de camaradagem.
.
Preciso de me acocorar à volta da mesa do café,
e resolver os problemas sociais
entre ruidosos alívios de expectoração.
Preciso de encher o peito e cantar loas,
e enrouquecer a dar vivas,
de atirar o chapéu ao ar,
de saber de cor as frequências dos emissores.
O que tudo são símbolos e sinais de certezas.
Certezas!
Imensas certezas!
Montes de certezas!
Pirinéus, Urais, Himalaias de certezas!
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ANTÓNIO GEDEÃO

SERRALVES EM FESTA - SERRALVES NON STOP 40 H.

É interessante, SERRALVES EM FESTA. Dois dias de cultura gratuitos para todos, com os mais diversificados espectáculos. É agradável ver o entusiasmo e a atenção das crianças a tudo que vai acontecendo. Os Jardins de Serralves são mesmo um paraíso para as crianças, mesmo para aqueles bebezinhos que vão de carrinho e respiram tanto ar puro, com os papás também sorridentes, numa festa que vai de artistas amadores a profissionais, mas onde não há cedências ao facilitismo. Gosto de passar por Serralves nesta altura, gosto de ir lá aos domingos, de manhã também é gratuito, para que todos possam usufruir daquele belo espaço.









sábado, 5 de junho de 2010

FERREIRA GULLAR - PRÉMIO CAMÕES 2010

TRADUZIR-SE
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Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
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Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
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Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
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Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.
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Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
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Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
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Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte
-será arte?
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Ferreira Gullar

sexta-feira, 4 de junho de 2010