O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós.
JEAN-PAUL SARTRE

quarta-feira, 7 de julho de 2010

URSULA RUCKER (SPOKEN WORD)






A história, a obra e a vida de uma das artistas mais interessantes da actualidade:

http://www.ruadebaixo.com/ursula-rucker.html

terça-feira, 6 de julho de 2010

A APARENTE VIVÊNCIA EM PAZ DE UM CASAL DE MEIA-IDADE

Edward Hopper

Imaginem duas pessoas robotizadas. Levantam-se, quarto de banho, pequeno-almoço, compras, um toma café e o outro compra o jornal. Vão para casa, um lê o jornal o outro vai ler as notícias à Internet! De vez enquanto cruzam-se e dizem palavras imperceptíveis. Há hora do almoço, juntam-se na cozinha e ligam a televisão para ver as notícias. Há alguns comentários superficiais, já combinaram não falar na política, para evitar discussões, aliás já desistiram de falar de muitas coisas, nas quais estão sempre em desacordo.
Nós já não conversamos, ficamos calados para não discutirmos.
Ela diz «vou dar um passeio, o tempo não está mau».
Ele diz «vais?»
Ela. «Vamos, se quiseres!»
«Não sei se quero, estou cansado!»
Os dois, caminham até ao parque, de que falam?
De pouco, coisas muito triviais.
Depois sentam-se numa esplanada e ficam olhando para um lado e para o outro em silêncio. Ela leva sempre um livro, ele fecha os olhos. Dorme? Não dorme?
Regressam a casa e ele vai para o sofá.
Mas no que havia de dar isto, não passas de um mongo de chinelos, numa letargia, entre o sono e a realidade.
Ela vai para o computador, ou ler ou falar ao telefone.
Ele diz: Tu muito falas e muito escreves!?...
Ela faz que não ouve.
Mais tarde, ela vai fazer o jantar.
Jantam na sala, como sempre correm as notícias. Ela barafusta irritado para a televisão, ela fica em silêncio.
Depois ele regressa ao sofá. Ela vai para o quarto. Cada um tem uma televisão, porque não vêem os mesmos programas. Ele vê, dorme e fica até às tantas no sofá. Nem se apercebe quando ela vai à cozinha, comer qualquer coisa! Depois disso ela mete-se na cama e adormece, só o vê de manhã deitado ao seu lado!..

domingo, 4 de julho de 2010

BACH - Passacaglia BWV 582/1 - Karl Richter - Orgão

CONCERTO ORGÃO IBÉRICO (IGREJA DOS GRILOS) - GIAMPAOLO DI ROSA

PROGRAMA:
J.S. BACH - Suíte Inglesa II BWV 807
G. DI ROSA - Sopras una melodia antiga para orgão Ibérico
Improvisação de um sonata em três andamentos
N. LEBEGUE - Offertorio en Ut


Ouvir extasiada os acordes empolgantes de um instrumento, que «combinando diferentes registos que produzem o som», atinge, por vezes, o sublime.
Olhos que se fecham para usufruir mais intimamente a música e que se abrem para o belo desta igreja, de nome S. Lourenço, mais conhecida pela dos Grilos, muito perto da Sé Catedral.





GIAMPAOLO DI ROSA - AQUI

sábado, 3 de julho de 2010

TODOS OS DIAS TE DESCUBRO...OCTAVIO PAZ


Todos os dias te descubro...

Segundo um poema de Fernando Pessoa

Todos os dias descubro
A espantosa realidade das coisas:
Cada coisa é o que é.
Que difícil é dizer isto e dizer
Quanto me alegra e como me basta
Para ser completo existir é suficiente.
.
Tenho escrito muitos poemas.
Claro, hei-de escrever outros mais.
Cada poema meu diz o mesmo,
Cada poema meu é diferente,
Cada coisa é uma maneira distinta de dizer o mesmo.
.
Às vezes olho uma pedra.
Não penso que ela sente
Não me empenho em chamá-la irmã.
Gosto porque não sente,
Gosto porque não tem parentesco comigo.
.
Outras vezes ouço passar o vento:
Vale a pena haver nascido
Só por ouvir passar o vento.
Não sei que pensarão os outros ao lerem isto
Creio que há de ser bom porque o penso sem esforço;
.
O penso sem pensar que outros me ouvem pensar,
O penso sem pensamento,
O digo como o dizem minhas palavras.
Uma vez me chamaram poeta materialista.
E eu me surpreendi: nunca havia pensado
Que pudessem me dar este ou aquele nome.
.
Nem sequer sou poeta: vejo.
Se vale o que escrevo, não é valor meu.
O valor está aí, em meus versos.
Tudo isto é absolutamente independente de minha vontade.

(Tradução de Maria Teresa Almeida Pina)
SOBRE OCTAVIO PAZ AQUI

sexta-feira, 2 de julho de 2010

RÚBEN DARIO - LO FATAL


LO FATAL
A René Pérez.
Dichoso el árbol que es apenas sensitivo,
y más la piedra dura, porque ésa ya no siente,
pues no hay dolor más grande
que el dolor de ser vivo,
ni mayor pesadumbre que la vida consciente.
.
Ser, y no saber nada, y ser sin rumbo cierto,
y el temor de haber sido y un futuro terror...
Y el espanto seguro de estar mañana muerto,
y sufrir por la vida y por la sombra y por
.
lo que no conocemos y apenas sospechamos,
y la carne que tienta con sus frescos racimos,
y la tumba que aguarda con sus fúnebres ramos,
¡y no saber adónde vamos,ni de dónde venimos!...
Rubén Darío

quinta-feira, 1 de julho de 2010

OS ANOS ÁUREOS DO CINEMA ALEMÃO

O «NOVO CINEMA ALEMÃO» - (DÉCADAS DE 60 A 80) - FASSBINDER-WIM WENDERS- SCHLÖNDORFF – HERZOG-VON TROTTA

Tendo por base a Nouvelle Vague francesa e os protestos e causas defendidas em Maio 1968 em França, um novo cinema alemão surgiu e tornou-se conhecido internacionalmente. Os realizadores desse movimento foram: Rainer Werner Fassbinder, Werner Herzog, Wim Wenders e Volker Schlöndorff. Os seus filmes abordavam temas como o conflito de gerações, revolução sexual, emancipação feminina e as amarras da estrutura familiar alemã. Estes realizadores, tiveram um reconhecimento internacional, mas na Alemanha não eram muito bem vistos, eram olhados como arrogantes e pretensiosos.

Um dos nomes de maior relevo foi, Rainer Werner Fassbinder (1945 – 1982), fez 43 filmes (incluindo duas curta-metragens, e Berlin Alexanderplatz, de 15 horas e meia), esteve ligado ao cinema e ao teatro. Fassbinder, tinha uma disciplina intensa e grande energia criativa. Os seus filmes abordavam as paixões de uma Alemanha, que ainda «carregava» consequências do «pós-guerra», vivendo uma democracia com dificuldades económicas, políticas, sociais e morais. A solidão, o medo, o desespero, a angústia, a busca de identidade e a aniquilação do indivíduo por convencionalismos, o amor não correspondido, a felicidade sonhada, o desejo tortuoso e a exploração dos sentimentos. Nos seus filmes a mulher tem um lugar especial, revelando os mecanismos opressivos de que era vítima. Três filmes são paradigmáticos disso: O Casamento de Maria Braun, interpretada por Hanna Schygulla, Lola, vivida por Barbara Sukowa e Veronika Voss, interpretada por Rosel Zech.Fassbinder tinha uma diversidade de estilos: clássico, barroco, realista, alegórico, expressionista, moderno, considerando cada filme em particular. Todas as cenas eram minuciosamente estudadas, tanto no aspecto técnico, como no aspecto estético. Michael Ballhaus, foi um excelente colaborador e juntos prodigalizaram grande audácia técnica. Depois Ballhaus foi trabalhar para Hollywood com, Martin Scorsese, Francis Ford Coppola e Paul Newman. Fassbinder, na sua formação teve influências de mestres do melodrama hollywoodiano, como Raoul Walsh ou Douglas Sirk. Depois de Ballhaus, trabalhou com Xaver Scharzemberger, filmando, As Lágrimas Amargas de Petra von Kant, Lola e a mítica adaptação televisiva de Berlin Alexanderplatz, baseada numa novela de Alfred Döblin. Nos seus últimos filmes, o seu estilo tornou-se mais hermético, com A Terceira Geração, Um Ano de 13 luas e o clássico Querelle, baseada na obra Querella, de Jean Genet.Fassbinder levou ao cinema obras capitais da literatura alemã, como Effi Brest (1894), Theodor Fontane e Alfred Döblin. Realizou também uma trilogia sobre a República Federal no pós-guerra, assim como retratou o nascimento do nazismo. o seu auge e queda. Igualmente retratou os assuntos sociais e políticos da sua época, como o terrorismo de extrema-esquerda. Fassbinder morreu de uma overdose de drogas aos 36 anos. Há controvérsias se a overdose foi voluntária ou não, e se a discriminação sofrida por ser homossexual declarado, não tenha sido a causa para o seu fim prematuro.

Ernst Wilhelm "Wim" Wenders (1945). Nos seus filmes, a vida tem sempre uma grande dose de questionamento. É o mais internacional dos cineastas do Cinema Alemão, "pai" de personagens em constante crise existencial e de trajectória incerta. Antes de se dedicar ao cinema, estudou filosofia e medicina, mas desistiu dos sofismas e laboratórios, para investigar o ser humano através das películas. Frequentou a Hochshule für Film und Fernsehen (Escola Superior de Cinema e Televisão), de Munique. Entre 1967 e 1970, conciliou o curso com viagens a Paris, onde estudou pintura. Desde criança, Wenders sentiu interesse por outras culturas e por viagens. A sua primeira longa-metragem foi I Die Angst des Tormanns Beim Elfmetter (1971). Com Alice in den Staedten (1973), Wenders começou a projectar-se e entrou no mundo dos road movies, com personagens que vagueiam, procurando respostas para os seus conflitos. Com Der Americanische Freund (1977), adaptação de uma novela da escritora Patricia Highsmith, o cineasta ganhou fama internacional. O filme é um dos mais significativos da trajectória do cineasta, mostrando a associação e o confronto entre um alemão e um americano. Em 1982, Wenders segue o inevitável caminho rumo a Hollywood e dirige Hammet, para a produtora Zoetrope, do director Francis Ford Coppola. A experiência não é das mais satisfatórias para Wenders, que nas folgas rodou Der Stand der Dinge (1982), em Lisboa. Apesar de ter alinhado com a indústria cinematográfica, sempre procurou fazer um cinema de autor. Com, Paris, Texas, fez o seu trabalho mais popular e ganhou a Palma de Ouro em Cannes. Em 1987, Wenders finalizou o poético Asas do Desejo, sobre anjos que observam a desordem afectiva e material dos habitantes de Berlim. No filme, Wenders derrubou não o muro que separou as duas Alemanhas, mas procurou uma espécie de língua comum para uma certa ordem celestial e o mundo terrestre. Depois, fez a continuação da história, Weiter Ferne, So Nah! (1993). Com Until The End of the World (1991), Wenders realizou um projecto de muitos anos, mas não foi bem recebido pela critica, partiu depois para Lisbon Story (1995).Com Michelangelo Antonioni, Wenders participou das filmagens de Além das Nuvens, depois retornou a Hollywood para fazer The End of Violence, dentro do género do estilo explosivo de cineastas como Quentin Tarantino. Seguem-se outros filmes, como: Million Dollar Hotel , Buena Vista Social Club e outros.

Volker Schlöndorff (1939) foi para França, estudar cinema. Foi assistente de grandes nomes como Jean-Pierre Melville, Alain Resnais e, acima de tudo, Louis Malle, o seu maior mestre e amigo. Anos mais tarde, Schlöndorff voltaria mais uma vez ao cinema francês, com Um amor de Swann, de Marcel Proust, cuja adaptação ficou aquém das expectativas.No seu próprio país, Schlöndorff mostrou ser um director politicamente engajado, o que fica claro em filmes como, A honra perdida de Katharina Blum, mas foi com uma adaptação literária que Schlöndorff garantiu, em 1966/67, o seu lugar no grupo dos grandes nomes do Novo Cinema Alemão. Embora, O jovem Törless, de Robert Musil, não fosse certamente um material fácil para o cinema, Schlöndorff soube transpor a obra com maestria, encontrando um estilo específico.Daí em diante, Schlöndorff passou a ser considerado um "especialista em literatura". O director, filho de um médico, que perdeu cedo a mãe num terrível acidente automobilístico, sempre foi um leitor ávido. Acostumado desde a infância a só adormecer com um livro nas mãos, o cineasta teria dito certa vez, que a literatura era para ele pelo menos tão importante quanto o cinema.Na prática, soube conciliar os dois: O Tambor, agradou até mesmo ao seu autor Günter Grass, algo, naquele momento, difícil de acontecer. O Viajante, de Max Frisch, foi outra prova impressionante da habilidade de Schlöndorff de adaptar a literatura para o cinema. O Tambor ganhou o Óscar de melhor filme estrangeiro.Quando Schlöndorff recebeu o Óscar em 1980, ninguém vislumbrava que, poucos anos depois, os áureos tempos do cinema alemão já estariam perto do fim. A morte de Rainer Werner Fassbinder foi apenas um sinal simbólico e profundamente triste da decadência que se anunciava. Da mesma forma que outros directores, Schlöndorff usaria a fama conquistada após o triunfo de um Óscar para cruzar o oceano e trabalhar nos EUA, embora continuasse fiel às suas raízes literárias. A Morte de um caixeiro viajante (1985), peça de Arthur Miller, com Dustin Hoffmann no elenco, foi uma das memoráveis adaptações para o cinema de Schlöndorff. Depois dirigiu um estudo impressionante sobre o tema "culpa e responsabilidade" durante o período nazista (O nono dia) e também Strajk, die Heldin von Danzig (Greve, a heroína de Gdansk), um drama situado na Polónio nos tempos do sindicato Solidariedade.
Werner Herzog, nasceu em 1942, em Munique, e cresceu numa granja nas montanhas da Baviera. Estudou história, literatura e teatro em Munique e Pittsburgh ( EUA) nos anos de 1960, mas interrompeu os estudos para se dedicar ao cinema. Pertenceu ao movimento do jovem cinema alemão, desde o começo, alternando filmes de ficção e documentários. Herzog explorou de maneira intensa os limites entre realidade e ficção, privilegiando sempre o contacto físico e sensorial com a realidade. A sua capacidade narrativa depende essencialmente da possibilidade da sua experiência (...) e seus esforços se concentram na procura daquele instante mágico em que o homem vê, sente ou faz algo pela primeira vez, daí o seu interesse em contar histórias que se passam em lugares nunca antes filmados (como a selva amazónica) e em abordar personagens como Kaspar Hauser, cujo olhar para o mundo é o de constante descoberta. Os seus filmes contêm sempre heróis com sonhos impossíveis ou pessoas com talentos únicos em áreas obscuras. Herzog também seria aclamado por Lotte Eisner nos anos 1970, o que o levaria a retomar narrativas da cultura germânica, como se vê nos filmes Nosferatu e Woyzseck.A partir do final da década de 1980, dedicou-se mais aos documentários a até mesmo a direcção de ópera. Em 1991, dirigiu nos EUA um de seus poucos filmes de ficção, No coração da montanha, retomando um de seus temas predilectos: o alpinismo. Também realizou, em 1999, o documentário, Meu pior inimigo, sobre sua conturbada relação com Klaus Kinski ( 1926 – 1991) – actor que estrelou alguns de seus filmes mais importantes.


Margarethe Von Trotta (1942). Ao terminar a Escola secundária, começou a estudar Belas Artes. Frequentou a escola de dramaturgia em Munique. Trabalhou como actriz no Teatro de Stuttgart. Em 1969, conheceu Volker Schlöndorff e casaram. Margarethe tornou-se uma das actrizes mais famosas no período chamado de “Novo cinema alemão”. Em 1970, Margarethe começou a escrever ensaios e argumentos. No mesmo ano trabalhou pela primeira vez como directora (com Volker Schlöndorff). Ficou famosa como directora em 1975, quando co-dirigiu “The Lost Honour of Katharina Blum” com Schlöndorff. The Second Awakening of Christa Klages (1977) foi o primeiro filme que dirigiu sozinha. Em 1979, dirigiu, Sisters or the Balance of Happiness. Em 1981, alcançou renome internacional com, Die bleierne Zeit. Seguiu-se um filme sobre Rosa Luxemburgo com Barbara Sukowa e em 1989, von Trotta co-produziu, Felix.
[C&H]