COMPASSOS DE DANÇA
CASA DO MÉDICO
REGIÃO NORTE
ORQUESTRA DO NORTE - DIRECTOR JOSÉ FERREIRA LOBO
PROGRAMA
TCHAIKOVSKY - Valsa das Flores - de, O Quebra-Nozes
SIBELIUS - Valsa Triste
DVORÁK - Dança Eslava nº3
BRAHMS - Dança Híngara
STRAUSS - Polka Trtsch-Tratsch
MASCAGNI - Interlúdio da Cavalleria Rusticana
BIZET - Suite Carmen: Aragonesa e Dança Boémia
SAINT-SAËNS - Baccanale de Sansão e Dalila
FREITAS BRANCO - Suíte nº.1, Fandango
O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós.
JEAN-PAUL SARTRE
JEAN-PAUL SARTRE
sábado, 17 de julho de 2010
quinta-feira, 15 de julho de 2010
BOSCH E BRUEGHEL – A DIFERENÇA NA PINTURA FLAMENGA
Hieronymus Bosch (c.1450-1516)
Foi um pintor contemporâneo do flamengo, mas o seu estilo era completamente diferente. Os críticos de arte consideram que as suas influências vieram de pintores alemães como Martin Schongauer, Matthias Grünewald e Albrecht Dürer. É considerado o primeiro artista fantástico.
Também se especula que a sua obra terá sido uma das fontes do movimento surrealista do século XX, que teve mestres como Max Ernst e Salvador Dalí.
Realmente o pintor que mais o influenciou foi Pieter Brueghel o Velho, que produziu vários quadros em um estilo semelhante.
O seu nome verdadeiro era, Jeroen van Aeken, flamengo que além de pintor, também foi gravador. Por falta de documentação pouco se sabe da sua vida, mas com certeza pela temática da sua obra, poderia eventualmente ter feito parte de uma seita de ciências ocultas e ter adquirido conhecimentos sobre alquimia. Por essa razão teria sido perseguido pela Inquisição.
A sua obra é o seu maior testemunho de si e da sociedade em que viveu, pintou cenas de pecado e tentação, recorrendo à utilização de figuras simbólicas, complexas, originais, imaginativas e até caricaturais. Viveu numa época de peste e também de rumores do Apocalipse, que surgiram perto do ano 1500.
As obras de Bosch demonstram que foi um observador minucioso bem como um refinado desenhador e pintor. Utilizou estes dotes para criar uma série de composições fantásticas e diabólicas onde são apresentados, com um tom satírico e moralizante, os vícios, os pecados e os temores de ordem religiosa que afligiam o homem medieval.
O seu sucesso na época, é explicado por uma encomenda de um altar que lhe fez Filipe, o Belo da Borgonha. Se a obra foi executada está perdida, mas foi essa encomenda que motivou encomendas posteriores. Em Espanha, no Museu do Prado, é onde se encontra as suas melhores obras e a explicação é dada pelas aquisições de Filipe II de Espanha, apreciador da sua pintura. Actualmente apenas se conservam cerca de 40 originais seus, dispersos na sua maioria por museus da Europa e Estados Unidos da América..
O original tríptico As Tentações de Santo Antão esta incorporado no Museu Nacional de Arte Antiga. Desconhecem-se as circunstâncias da chegada da obra a Portugal, não sendo certo que tenha feito parte da colecção do humanista Damião de Góis, como algumas vezes é referido.
PINTURA DE BOSCH
Pieter Bruegel o Velho (c.1525/1530-1569)
Foi um pintor de multidões e de cenas populares, com tal vitalidade que transborda do quadro. Além da sua predilecção por paisagens, pintou quadros que realçavam o absurdo da vulgaridade, expondo as fraquezas e loucuras humanas, que lhe trouxeram muita fama. A mais óbvia influência sobre sua arte é de Hieronymus Bosch, em particular no início dos estudos de imagens demoníacas, como o "Triunfo da Morte" e "Dulle Griet". Foi na natureza, no entanto, que ele encontrou a sua maior inspiração, sendo identificado como um mestre de paisagens. Ele é muitas vezes referenciado como sendo o primeiro pintor ocidental a pintar paisagens pela paisagem, e não como um pano de fundo da pintura.
Retratava a vida e costumes dos camponeses, a sua terra, uma vivida descrição dos rituais da aldeia, da vida, incluindo agricultura, caça, refeições, festas, danças e jogos. As suas paisagens de Inverno (1565), são tomados como provas corroborativas da gravidade dos Invernos durante a Pequena Era Glacial.
Utilizando abundantemente o espírito cómico e satírico, criou algumas das primeiras imagens de protesto social na história da arte. Exemplos incluem pinturas como "A luta entre Carnaval e Quaresma" (uma sátira aos conflitos da Reforma).
Pieter Brueghel, foi o primeiro de uma família de pintores flamengos, considerado como um dos melhores pintores da Flandres do século XVI. Foi aprendiz de Coecke Van Aelst, escultor, arquitecto e desenhador de tapeçarias e vitrais. Com 26 anos foi admitido como mestre na guilda de São Lucas. Viajou para Itália, para aprender a forma de pintar dos renascentistas, onde pintou várias obras. Depois estabeleceu-se em Antuérpia e passados 10 anos radicou-se em Bruxelas.
Foi um pintor contemporâneo do flamengo, mas o seu estilo era completamente diferente. Os críticos de arte consideram que as suas influências vieram de pintores alemães como Martin Schongauer, Matthias Grünewald e Albrecht Dürer. É considerado o primeiro artista fantástico.
Também se especula que a sua obra terá sido uma das fontes do movimento surrealista do século XX, que teve mestres como Max Ernst e Salvador Dalí.
Realmente o pintor que mais o influenciou foi Pieter Brueghel o Velho, que produziu vários quadros em um estilo semelhante.
O seu nome verdadeiro era, Jeroen van Aeken, flamengo que além de pintor, também foi gravador. Por falta de documentação pouco se sabe da sua vida, mas com certeza pela temática da sua obra, poderia eventualmente ter feito parte de uma seita de ciências ocultas e ter adquirido conhecimentos sobre alquimia. Por essa razão teria sido perseguido pela Inquisição.
A sua obra é o seu maior testemunho de si e da sociedade em que viveu, pintou cenas de pecado e tentação, recorrendo à utilização de figuras simbólicas, complexas, originais, imaginativas e até caricaturais. Viveu numa época de peste e também de rumores do Apocalipse, que surgiram perto do ano 1500.
As obras de Bosch demonstram que foi um observador minucioso bem como um refinado desenhador e pintor. Utilizou estes dotes para criar uma série de composições fantásticas e diabólicas onde são apresentados, com um tom satírico e moralizante, os vícios, os pecados e os temores de ordem religiosa que afligiam o homem medieval.
O seu sucesso na época, é explicado por uma encomenda de um altar que lhe fez Filipe, o Belo da Borgonha. Se a obra foi executada está perdida, mas foi essa encomenda que motivou encomendas posteriores. Em Espanha, no Museu do Prado, é onde se encontra as suas melhores obras e a explicação é dada pelas aquisições de Filipe II de Espanha, apreciador da sua pintura. Actualmente apenas se conservam cerca de 40 originais seus, dispersos na sua maioria por museus da Europa e Estados Unidos da América..
O original tríptico As Tentações de Santo Antão esta incorporado no Museu Nacional de Arte Antiga. Desconhecem-se as circunstâncias da chegada da obra a Portugal, não sendo certo que tenha feito parte da colecção do humanista Damião de Góis, como algumas vezes é referido.
PINTURA DE BOSCHPieter Bruegel o Velho (c.1525/1530-1569)
Foi um pintor de multidões e de cenas populares, com tal vitalidade que transborda do quadro. Além da sua predilecção por paisagens, pintou quadros que realçavam o absurdo da vulgaridade, expondo as fraquezas e loucuras humanas, que lhe trouxeram muita fama. A mais óbvia influência sobre sua arte é de Hieronymus Bosch, em particular no início dos estudos de imagens demoníacas, como o "Triunfo da Morte" e "Dulle Griet". Foi na natureza, no entanto, que ele encontrou a sua maior inspiração, sendo identificado como um mestre de paisagens. Ele é muitas vezes referenciado como sendo o primeiro pintor ocidental a pintar paisagens pela paisagem, e não como um pano de fundo da pintura.
Retratava a vida e costumes dos camponeses, a sua terra, uma vivida descrição dos rituais da aldeia, da vida, incluindo agricultura, caça, refeições, festas, danças e jogos. As suas paisagens de Inverno (1565), são tomados como provas corroborativas da gravidade dos Invernos durante a Pequena Era Glacial.
Utilizando abundantemente o espírito cómico e satírico, criou algumas das primeiras imagens de protesto social na história da arte. Exemplos incluem pinturas como "A luta entre Carnaval e Quaresma" (uma sátira aos conflitos da Reforma).
Pieter Brueghel, foi o primeiro de uma família de pintores flamengos, considerado como um dos melhores pintores da Flandres do século XVI. Foi aprendiz de Coecke Van Aelst, escultor, arquitecto e desenhador de tapeçarias e vitrais. Com 26 anos foi admitido como mestre na guilda de São Lucas. Viajou para Itália, para aprender a forma de pintar dos renascentistas, onde pintou várias obras. Depois estabeleceu-se em Antuérpia e passados 10 anos radicou-se em Bruxelas. [C&H
CONSULTA:
ENCICLOPÉDIA ALFA
GUIA DA HISTÓRIA DA ARTE, SPROCCATI, Sandro, Editorial Presença, Lisboa, 1999
Vários Sites]
segunda-feira, 12 de julho de 2010
INGMAR BERGMAN (1918-2007)
INGMAR BERGMAN, para mim e toda uma geração cinéfila foi um realizador de culto, todos os seus filmes eram esperados com grande expectativa. Dos variadíssimos aspectos técnicos, ao trabalho com os actores e aos temas filosófico/reflexivos que abordava, todo o seu trabalho era de grande qualidade e conteúdo. À saída das salas de cinema, sentia-se um especial peso na cabeça, uma vontade de sentir o vento na cara, mas também a certeza de um enriquecimento. Depois entre amigos dissecava-se o conteúdo dos seus filmes, que eram sempre uma motivação reflexiva e um desafio à inteligência.
Filmes, lidando com temas como a mortalidade, a solidão e a fé. As suas influências provêm do teatro: Henrik Ibsen e August Strindberg.
Sempre vi o cinema como arte e não como entretimento com o saco das pipocas na mão. Relativamente a Bergman, porque a sua linha se manteve muito personalizada, é difícil dizer os filmes que mais gostei, porque realmente gostei de todos, embora não tendo como objectivo o aspecto comercial, há filmes que se tornaram mais conhecidos do grande público.Woody Allen descreveu Ingmar Bergman como "provavelmente o maior artista do cinema, levando tudo em conta, desde a invenção da câmara de filmar". Woody Allen, fez mesmo um filme muito bergmaniano, Intimidades.
Tarkovsky, Woody Allen e Robert Altman, reconheciam a sua influência. Bergman não gostava de Orson Welles e Godard, mas tinha admiração por Spielberg, Scorsese, Coppola e Soderbergh.
Comentário de Jean-Luc Godard, sobre Bergman no Cahiers du Cinéma: "O cinema não é um ofício. É uma arte. Cinema não é um trabalho de equipe. O director está só diante de uma página em branco. Para Bergman estar só é questionar-se; filmar é encontrar as respostas. Nada poderia ser mais classicamente romântico".


Ernst Ingmar Bergman nasceu a 14 de Julho de 1918. Foi duramente marcado por uma educação de cruel disciplina e severa educação religiosa (detalhado por si no livro Lanterna Mágica e no filme Fanny och Alexander. O seu refúgio era o seu mundo de fantasia. Com 19 anos afastou-se definitivamente dos pais.
Iniciou-se como encenador e dramaturgo e começou a trabalhar no cinema em 1942 como assistente de argumentista, assinando em 1944 o seu primeiro original, Hets para o maior cineasta daquele tempo, Alf Sjoeberg, e que receberia o Grande Prémio do Júri no Festival de Cannes. Em 1945 realizou o seu primeiro filme, Kris, e a partir daí manteve uma média de dois filmes por ano, conjugados com produções teatrais. O cineasta despertou atenção fora das suas fronteiras com, Sommarnattens leende em 1955, mas foi Det sjunde inseglet e Smultronstället, dois anos mais tarde, que lhe deram aclamação a nível mundial junto da crítica e do público. O primeiro, é uma alegoria sobre os anos da Peste no século XIV, recebeu o Grande Prémio do Júri em Cannes e inclui uma das cenas mais famosas da história do cinema, a de um cavaleiro medieval (interpretado por Max Von Sydow, numa das 13 vezes que trabalharam juntos) a jogar xadrez com a morte.
O segundo ganharia o Urso de Ouro no Festival de Cinema de Berlim e o Prémio da Crítica em Veneza. Criou o que se chamou de um universo bergmaniano, trabalhando repetidamente com certos actores, como: Max von Sydow, Erland Josephson, Gunnar Björnstrand, Bibi Andersson, Liv Ullmann e Ingrid Thulin, entre outros.
«A Hora do Lobo» (1968), «Skammen/A Vergonha» (1968) e «En Passion/A Paixão» (1969). Nos anos 70, o prestígio cresceu com «Viskningar och rop/Lágrimas e Suspiros» (1972, Grande Prémio em Cannes),
«Scener ur ett äktenskap/Cenas da Vida Conjugal» (1973), «Ansikte mot ansikte/Face a Face» (1976), «Das Schlangenei/O Ovo da Serpente» (1978) e «Höstsonaten/Sonata de Outono» (1978, nomeação pelo argumento).
Em 1976 tem lugar um dos episódios mais penosos da sua vida, é detido para investigação por invasão fiscal. Bergman, que deixara a gestão de todas as finanças nas mãos de um advogado, foi interrogado durante horas. Após ser dispensado, foi proibido de deixar o país. O caso deu origem a um enorme escândalo na imprensa e o cineasta teve um esgotamento nervoso. Mais tarde, viria a ser absolvido de todas as acusações, mas a experiência fê-lo exilar-se na Alemanha. Regressou a Estocolmo para filmar, Fanny e Alexandre e afirmou ser a sua última película. Este filme obteve quatro Oscars, incluindo o seu terceiro na categoria de Melhor Filme Estrangeiro.
Dedicou-se depois principalmente ao teatro e televisão, e escreveu argumentos que outros adaptaram ao cinema, ainda que o cineasta admitisse que sentia sempre a necessidade de realizar, mesmo não tendo planos para um novo filme. Mas o seu último filme surgiu em 2002, Saraband, nesse filme recuperava as duas personagens principais de Cenas de Vida Conjugal.
Ingmar Bergman teve 5 casamentos tumultuosos e 9 filhos. Nos seus últimos anos de vida refugiou-se na ilha de Faaro.
Filmes, lidando com temas como a mortalidade, a solidão e a fé. As suas influências provêm do teatro: Henrik Ibsen e August Strindberg.Sempre vi o cinema como arte e não como entretimento com o saco das pipocas na mão. Relativamente a Bergman, porque a sua linha se manteve muito personalizada, é difícil dizer os filmes que mais gostei, porque realmente gostei de todos, embora não tendo como objectivo o aspecto comercial, há filmes que se tornaram mais conhecidos do grande público.Woody Allen descreveu Ingmar Bergman como "provavelmente o maior artista do cinema, levando tudo em conta, desde a invenção da câmara de filmar". Woody Allen, fez mesmo um filme muito bergmaniano, Intimidades.
Tarkovsky, Woody Allen e Robert Altman, reconheciam a sua influência. Bergman não gostava de Orson Welles e Godard, mas tinha admiração por Spielberg, Scorsese, Coppola e Soderbergh.
Comentário de Jean-Luc Godard, sobre Bergman no Cahiers du Cinéma: "O cinema não é um ofício. É uma arte. Cinema não é um trabalho de equipe. O director está só diante de uma página em branco. Para Bergman estar só é questionar-se; filmar é encontrar as respostas. Nada poderia ser mais classicamente romântico".


Ernst Ingmar Bergman nasceu a 14 de Julho de 1918. Foi duramente marcado por uma educação de cruel disciplina e severa educação religiosa (detalhado por si no livro Lanterna Mágica e no filme Fanny och Alexander. O seu refúgio era o seu mundo de fantasia. Com 19 anos afastou-se definitivamente dos pais.
Iniciou-se como encenador e dramaturgo e começou a trabalhar no cinema em 1942 como assistente de argumentista, assinando em 1944 o seu primeiro original, Hets para o maior cineasta daquele tempo, Alf Sjoeberg, e que receberia o Grande Prémio do Júri no Festival de Cannes. Em 1945 realizou o seu primeiro filme, Kris, e a partir daí manteve uma média de dois filmes por ano, conjugados com produções teatrais. O cineasta despertou atenção fora das suas fronteiras com, Sommarnattens leende em 1955, mas foi Det sjunde inseglet e Smultronstället, dois anos mais tarde, que lhe deram aclamação a nível mundial junto da crítica e do público. O primeiro, é uma alegoria sobre os anos da Peste no século XIV, recebeu o Grande Prémio do Júri em Cannes e inclui uma das cenas mais famosas da história do cinema, a de um cavaleiro medieval (interpretado por Max Von Sydow, numa das 13 vezes que trabalharam juntos) a jogar xadrez com a morte.
O segundo ganharia o Urso de Ouro no Festival de Cinema de Berlim e o Prémio da Crítica em Veneza. Criou o que se chamou de um universo bergmaniano, trabalhando repetidamente com certos actores, como: Max von Sydow, Erland Josephson, Gunnar Björnstrand, Bibi Andersson, Liv Ullmann e Ingrid Thulin, entre outros.
Os seus filmes eram esperados religiosamente e imprescindíveis de serem vistos, assim filmou: «Ansiktet/O Rosto» (1958), «Nära livet/O Direito à Vida» (1958, Prémio de Realização em Cannes), «Jungfrukällan/A Fonte da Virgem» (1959, Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, menção especial em Cannes), «Djävulens öga/O Olho do Diabo« (1960), «Såsom i en spegel/Em Busca da Verdade» (1962, segundo Oscar), «Nattvardsgästerna/Luz de Inverno» (1962), «Tystnaden/O Silêncio» (1963), «Persona/A Máscara» (1966),
«A Hora do Lobo» (1968), «Skammen/A Vergonha» (1968) e «En Passion/A Paixão» (1969). Nos anos 70, o prestígio cresceu com «Viskningar och rop/Lágrimas e Suspiros» (1972, Grande Prémio em Cannes),
«Scener ur ett äktenskap/Cenas da Vida Conjugal» (1973), «Ansikte mot ansikte/Face a Face» (1976), «Das Schlangenei/O Ovo da Serpente» (1978) e «Höstsonaten/Sonata de Outono» (1978, nomeação pelo argumento).
Em 1976 tem lugar um dos episódios mais penosos da sua vida, é detido para investigação por invasão fiscal. Bergman, que deixara a gestão de todas as finanças nas mãos de um advogado, foi interrogado durante horas. Após ser dispensado, foi proibido de deixar o país. O caso deu origem a um enorme escândalo na imprensa e o cineasta teve um esgotamento nervoso. Mais tarde, viria a ser absolvido de todas as acusações, mas a experiência fê-lo exilar-se na Alemanha. Regressou a Estocolmo para filmar, Fanny e Alexandre e afirmou ser a sua última película. Este filme obteve quatro Oscars, incluindo o seu terceiro na categoria de Melhor Filme Estrangeiro.
Dedicou-se depois principalmente ao teatro e televisão, e escreveu argumentos que outros adaptaram ao cinema, ainda que o cineasta admitisse que sentia sempre a necessidade de realizar, mesmo não tendo planos para um novo filme. Mas o seu último filme surgiu em 2002, Saraband, nesse filme recuperava as duas personagens principais de Cenas de Vida Conjugal.
Ingmar Bergman teve 5 casamentos tumultuosos e 9 filhos. Nos seus últimos anos de vida refugiou-se na ilha de Faaro.
O responsável por uma das grandes filmografias da história do cinema evitava ver os seus próprios filmes, porque isso o fazia sentir-se "deprimido e miserável".
[C&H]
[C&H]
sexta-feira, 9 de julho de 2010
O DISTINTO E CONTROVERSO JORGE LUIS BORGES
JORGE LUÍS BORGES, foi um caso à parte, pelo seu universalismo, a variedade e a excentricidade dos seus temas. Transitava pelos clássicos e por temas exóticos com uma intimidade assombrosa. Não satisfeito com Dante, Shakespeare ou Kafka, mergulhava nas sagas islandesas, nas lendas orientais e deliciava-se com As mil e uma noites, traduzidas por Sir Richard Burton. Eventualmente incursionava pelos subúrbios da sua amada Buenos Aires. Multifacetado escritor (poesia, conto e ensaio), notável estilista da língua espanhola moderna, talvez mesmo um dos mais relevantes do século XX, o Homero do Rio da Prata.
Manchou-lhe a gloriosa trajectória (nos últimos anos de vida, Borges virara um totem cultural consumido pela média internacional) a sua confraternização pública com as ditaduras militares. Ao apertar a mão de Augusto Pinochet em 1976, aceitando-lhe uma condecoração, perdeu definitivamente a possibilidade de lhe outorgarem o Prémio Nobel de Literatura.BIOGRAFIA DE JORGE LUÍS BORGES: http://educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u221.jhtm
O Presente não Existe
Não é extraordinário pensar que dos três tempos em que dividimos o tempo - o passado, o presente e o futuro -, o mais difícil, o mais inapreensível, seja o presente? O presente é tão incompreensível como o ponto, pois, se o imaginarmos em extensão, não existe; temos que imaginar que o presente aparente viria a ser um pouco o passado e um pouco o futuro. Ou seja, sentimos a passagem do tempo. Quando me refiro à passagem do tempo, falo de uma coisa que todos nós sentimos. Se falo do presente, pelo contrário, estarei falando de uma entidade abstracta. O presente não é um dado imediato da consciência.
Sentimo-nos deslizar pelo tempo, isto é, podemos pensar que passamos do futuro para o passado, ou do passado para o futuro, mas não há um momento em que possamos dizer ao tempo: «Detém-te! És tão belo...!», como dizia Goethe. O presente não se detém. Não poderíamos imaginar um presente puro; seria nulo. O presente contém sempre uma partícula de passado e uma partícula de futuro, e parece que isso é necessário ao tempo.
Jorge Luís Borges, in 'Ensaio: O Tempo'
LIMITES
Manchou-lhe a gloriosa trajectória (nos últimos anos de vida, Borges virara um totem cultural consumido pela média internacional) a sua confraternização pública com as ditaduras militares. Ao apertar a mão de Augusto Pinochet em 1976, aceitando-lhe uma condecoração, perdeu definitivamente a possibilidade de lhe outorgarem o Prémio Nobel de Literatura.BIOGRAFIA DE JORGE LUÍS BORGES: http://educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u221.jhtm
O Presente não ExisteNão é extraordinário pensar que dos três tempos em que dividimos o tempo - o passado, o presente e o futuro -, o mais difícil, o mais inapreensível, seja o presente? O presente é tão incompreensível como o ponto, pois, se o imaginarmos em extensão, não existe; temos que imaginar que o presente aparente viria a ser um pouco o passado e um pouco o futuro. Ou seja, sentimos a passagem do tempo. Quando me refiro à passagem do tempo, falo de uma coisa que todos nós sentimos. Se falo do presente, pelo contrário, estarei falando de uma entidade abstracta. O presente não é um dado imediato da consciência.
Sentimo-nos deslizar pelo tempo, isto é, podemos pensar que passamos do futuro para o passado, ou do passado para o futuro, mas não há um momento em que possamos dizer ao tempo: «Detém-te! És tão belo...!», como dizia Goethe. O presente não se detém. Não poderíamos imaginar um presente puro; seria nulo. O presente contém sempre uma partícula de passado e uma partícula de futuro, e parece que isso é necessário ao tempo.
Jorge Luís Borges, in 'Ensaio: O Tempo'
LIMITES
quinta-feira, 8 de julho de 2010
OCTAVIO PAZ

Para Octavio Paz a poesia é a forma natural de convivência entre os homens. Sua crítica é um diálogo aberto com o mundo, sendo seu desejo "a busca de identidade da natureza humana na multiplicidade de signos". Segundo o poeta Sebastião Uchoa Leite, "a crítica de Octavio Paz é de ordem antropológica e poética. Paz é poeta e crítico das civilizações, acreditando, ao contrário de que as civilizações são mortais, na frase de Valéry, que mesmo as aparentemente mortas estão vivas: os seus signos circulam nessa ars combinatoria do universo histórico. Como tudo é linguagem, tudo significa".
Isto e isto e isto
O surrealismo tem sido a maçã de fogo na árvore da sintaxe
O surrealismo tem sido a camélia de cinza entre os peitos da adolescente possuída pelo espectro de Orestes
O surrealismo tem sido o prato de lentilhas que o olhar do filho pródigo transforma em festim fumegante de rei canibal
O surrealismo tem sido o bálsamo de Ferrabrás que apaga os sinais do pecado original e o umbigo da linguagem
O surrealismo tem sido a cusparada na hóstia e o cravo de dinamite no confessionário e o abre-te sésamo das caixas de segurança e das grades dos manicómios
O surrealismo tem sido a chama ébria que guia os passos do sonâmbulo que caminha na ponta dos pés sobre o fio de sombra que traça a folha da guilhotina no pescoço dos justiçados
O surrealismo tem sido o prego ardente na fronte do geómetra e o vento forte que à meia-noite levanta o lençol das virgens
O surrealismo tem sido o pão selvagem que paralisa o ventre da Companhia de Jesus até que a obriga a vomitar todos os seus gatos e seus diabos encarcerados
O surrealismo tem sido o punhado de sal que dissolve as velhas moedinhas do realismo socialista
O surrealismo tem sido a coroa de papelão do crítico sem cabeça e a víbora que desliza entre as pernas da mulher do crítico
O surrealismo tem sido a lepra do ocidente cristão e o açoite de nove cordas que desenha o caminho de saída para outras terras e outras línguas e outras almas sobre o lombo do nacionalismo embrutecido e embrutecedor
O surrealismo tem sido o discurso da criança soterrada em cada homem e a aspersão de sílabas de leite de leoas sobre os ossos calcinados de Giordano Bruno
O surrealismo tem sido as botas de sete léguas dos foragidos das prisões da razão dialéctica e a tocha de Pulgarcito que corta os nós da trepadeira venenosa que cobre os muros das revoluções petrificadas do século XX
O surrealismo tem sido isto e isto e isto
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