O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós.
JEAN-PAUL SARTRE

sábado, 9 de outubro de 2010

JOÃO DOMINGOS BOMTEMPO (1775-1842)



João Domingos, nasceu em Lisboa, em 28 de Dezembro de 1775, era filho do músico italiano Francesco Saverio Buontempo que era primeiro oboé da Orquestra da Real Câmara do rei D. José I e de mãe portuguesa.

Os primeiros estudos de Bomtempo, foram inicialmente obtidos através do pai e depois frequentou a principal instituição de ensino, o Seminário da Patriarcal, onde se presume que teve aulas com João de Sousa Carvalho. Aos 14 anos foi admitido na Irmandade de Santa Cecília como cantor, em 1792 também foi cantor da Capela Real da Bemposta e em 1795, devido à morte do pai, foi ocupar o seu lugar na Real Câmara onde esteve até 1801.

Com o seu espírito progressista, ligado à causa liberal e eventualmente à maçonaria, em 1801 partiu para Paris e aí relacionou-se com a comunidade de emigrantes liberais, que se reuniam à volta do poeta Filinto Elísio e iniciou uma brilhante carreira de pianista virtuoso. Apresentou-se na Salle Olympique em 1804, que era dirigida por Rodolphe Kreutzer e depois na Salle Desmarets e em inúmeras cidades francesas. Teve críticas muito favoráveis no Le Publicister e no Le Courrier de L’Europe e tornou-se amigo de Clementi, Cramer, Field e Dussek, entre outros.

Entre 1803 e 1806, foram publicadas as Sonatas op.1 e op.5, o Fandango varié op.4 e os Concertos para piano e orquestra nº.1 op.2 e nº.2 op.3.

Em 1810, na Salle Olympique, no seu último concerto em Paris, foi executada a Sinfonia nº.1 em Mi bemol Maior op.11. Bomtempo teve bastante sucesso em Paris, mas em 1810 foi obrigado a deixar Paris, possivelmente pelas derrotas sofridas em Portugal pelos franceses. O músico partiu para Londres, aí foi também encontrar uma comunidade de emigrantes portugueses liberais, que o ajudaram conjuntamente com algumas famílias aristocráticas inglesas, o que lhe permitiu uma fácil integração, desenvolvendo o seu trabalho como professor de piano, concertista e compositor.

Em 1811, devido à vitória anglo-portuguesa sobre os franceses, realizou-se uma comemoração e Bomtempo apresentou na embaixada de Portugal a cantata Hino Lusíada, com texto do poeta liberal, Vicente Nolasco da Cunha. O músico tinha prestígio e em 1813 figurava como um dos primeiros vinte e cinco «associate members» da recém criada, Philarmonic Society.

Após o rescaldo da Guerra Peninsular, Bomtempo regressou a Portugal, precisamente no ano de 1814, e dirigiu a cantata, O Anúncio da paz, que escreveu para a reintegração de Fernando VII no trono de Espanha. Em 1815 voltou a Londres, o ambiente cultural em Portugal não era favorável, para desenvolver o seu trabalho, embora passado um ano tivesse voltado a Portugal, mas devido ao luto pela morte de D. Maria, os concertos estavam proibidos e por essa razão regressou a Paris em 1818, onde se ocupou a compor aquela que é considerada a sua obra-prima, o Requiem à memória de Camões op.23, no ano seguinte o Requiem foi interpretado em Paris e em Londres.

Entre 1810 e 1822, Bomtempo tinha publicado em Londres, na casa Clementi & C.o, vinte e quatro obras, entre elas a Sinfonia nº.1, primeiro numa versão para piano a quatro mãos e depois para orquestra. Entre 1819 e 1820, publicou em Paris, na casa Auguste Leduc, a Sonata op.20, a Fantasia e Variações sobre um tema de Mozart op.21 e o Requiem op.23.

Bomtempo regressou definitivamente a Portugal, pouco depois do triunfo liberal e da proclamação da Constituição e criou em 1822 a Sociedade Filarmónica, semelhante à que existia em Londres. Esta sociedade, desde a data que foi criada, até à instauração do Regime Absoluto em 1828, conseguiu fazer sessenta e nove concertos à base do reportório vienense e onde também foi executada a Sinfonia nº.2 em Ré Maior de Bomtempo.

Portugal vivia nesta altura um período muito agitado, com muitos problemas políticos que motivaram ao músico uma actividade irregular e mesmo a prisão em 1827, por ter participado em amotinações populares. Em 1828 foi proclamado o Regime Absoluto, depois dos golpes absolutistas da «Vilafrancada» em 1822 e da «Abrilada» em 1828. Esta situação teve como consequência a perseguição aos liberais e Bomtempo teve que se refugiar na embaixada da Rússia, onde permaneceu praticamente todo o tempo que durou o reinado de D. Miguel. Só com o definitivo triunfo da causa liberal e a proclamação de D. Pedro IV, Bomtempo foi reabilitado e recebeu a Comenda da Ordem de Cristo, assim como a nomeação para mestre de música de D. Maria II.

Em 1835 foi criado o Conservatório de Música de Lisboa, segundo o modelo laico do Conservatório de Paris, projecto que Bomtempo já tinha apresentado em 1822, para substituir o Seminário Patriarcal, que tinha sido fundado por D. João V em 1713. Bomtempo foi nomeado director e manteve o seu cargo até à morte. No ano seguinte foi integrado como Escola de Música, no Conservatório da Arte Dramática, que dispunha de uma Escola de Declamação e de uma Escola de Dança, uma iniciativa de Almeida Garrett, com quem o músico teve os seus desacordos.


ALMEIDA GARRETT (1799-1859)
Bomtempo em 1837 casou com Maria das Dores Almeida, de quem teve um filho. Morreu em 1842, devido a uma apoplexia. Foram-lhe prestadas exéquias solenes realizadas na Igreja de S. Caetano e na cerimónia foram tocadas as suas obras: Requiem e Libera me.
MÚSICA DE BOMTEMPO


Foi um compositor ecléctico e fecundo, compôs concertos, sonatas, fantasias e variações para piano, instrumento no qual se notabilizou. Na sua obra há uma influência de Clementi e uma exploração dos recursos sonoros e expressivos do pianoforte.
A sua personalidade como compositor e a sua originalidade estilística, como músico moderno, nascido em Portugal no século XVIII, revela-se de uma forma mais relevante nas suas duas sinfonias, em algumas obras de câmara e no Requiem.

Bomtempo escreveu em 1816, numa edição da Casa Clementi, a obra didáctica, Elementos de Musica e Methodo de Tocar Piano Forte.
OBRAS ESSENCIAIS:
MÚSICA ORQUESTRAL:

2 Sinfonias (possibilidade de mais cinco), Abertura em dó menor, Marcha, Musica di Balio.
MÚSICA CORAL SINFÓNICA:

Requiem, Hino Lusitano, A paz na Europa, Te Deum, Missa em fá menor, Credo, Libera me, Quatro Absolvições, Kyrie e Glória, Tantum Ergo, Mattutino de Morti, Miserere.
MÚSICA CONCERTANTE:

4 Concertos para piano e orquestra (5º.e 6º. Inacabados), Fantasia para piano e orquestra, Divertimento para piano e orquestra.MÚSICA DE CÂMARA:

Quinteto com piano, Serenata para piano, flauta, clarinete, 2 trompas, fagote e contrabaixo, Sonata para violino e piano (existem vários manuscritos de Quintetos e Sextetos incompletos).
MÚSICA PARA PIANO:

10 Sonatas para piano, Variações sobre um minueto afandangado, Variações sobre uma ária de Paisiello, Capricho e «God save the King» com variações, Fantasia e Variações sobre uma ária de Mozart, Variações sobre uma ária da ópera «Alessandro in Efeso», Fantasia com variações sobre um tema de «La Donna del Lago» de Rossini.
MÚSICA DRAMÁTICA:

Alessandro in Efeso (fragmentos de uma ópera).
CONCERTO PARA PIANO











( Estas publicações que tenho feito sobre compositores portugueses, resultaram de um texto que escrevi, depois de frequentar um curso de História da Música Portuguesa, que foi orientado pelo maestro Manuel Ivo Cruz. Nesse meu texto abordo a música «Das Origens à Idade Contemporânea» e os devidos contextos históricos. Aqui publicarei apenas fragmentos desse trabalho, com opções musicais pessoais)

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

JANET FRAME (1924-2004)




Janet Frame nasceu em Dunedin no sudeste da Nova Zelândia. A sua família era modesta, o seu pai, George Frame, trabalhava nos caminhos-de-ferro e a sua mãe, foi empregada doméstica da família da escritora, Katherine Mansfield. Janet, teve cinco irmãos. Como relatou na sua auto-biografia, ficou muito marcada com a morte de duas das suas irmãs por afogamento, Myrtle e Isabel, em situações distintas e pelos ataques epilépticos do seu irmão George. Janet tirou o curso de professora na Faculdade de Educação de Dunedin. Tudo correu bem a Janet até esta altura, foi no final do estágio, em 1943 que Janet tentou o suicídio com um pacote de aspirinas e isso levou-a a ter que fazer sessões de terapia regulares.
Voltou depois a dar aulas, mas em 1945 com a visita de um inspector, foi internada na secção de psiquiatria para observação. Janet não queria voltar a casa devido ao ambiente de tensão entre o irmão e o pai e durante oito anos esteve em vários hospitais psiquiátricos. Foi-lhe diagnosticada esquizofrenia e a terapia de electro choques.
Em 1951, estava hospitalizada e um dos seus contos, A Lagoa e Outras Histórias, foi publicado e premiado com o Hubert Memorial Award, que naquela altura era um dos mais prestigiados prémios literários. Este facto motivou o cancelamento de uma lobotomia, que estava para fazer, salvando-a do estigma de louca que a perseguia. Uma lobotomia, (leucotomia) tal como a concebeu o Dr.Egas Moniz já não é praticada devido aos efeitos secundários severos, como mudanças na personalidade, apatia e até morte.
(Infomações sobre lobotomia em:
http://www.srsdocs.com/parcerias/revista_imprensa/jornal_madeira/2005/jm_2005_12_17_01.htm).

Janet Frame, sofria de problemas psíquicos devido à situação familiar, mas tinha muito para dar, se tivesse feito esta cirurgia, ficava inviabilizada para escrever.
Janet conheceu o roteirista Frank Sargeson e viveu com ele, cerca de um ano, escrevendo,
Owls Do Cry.Os anos seguintes, foram os mais prolíficos em termos de publicação. Viveu e trabalhou na Europa, sobretudo em Londres, com estadas breves em Ibiza e Andorra, embora continuasse a sofrer de ansiedade e depressão. Alan Miller, reputado psiquiatra disse-lhe que ela nunca tinha sofrido de esquizofrenia, mas para a tratar dos efeitos nocivos dos anos passados em hospitais psiquiátricos, começou a fazer sessões regulares de terapia com o psicanalista Robert Hugh Cawlev, que a incentivou a prosseguir a sua escrita. Frame acabaria por dedicar sete de seus romances a Cawley.
Em 1963 retornou à Nova Zelãndia e viveu em várias zonas do país, viajando ocasionalmente para a Europa e para os Estados Unidos, onde manteve relações estreitas com vários artistas americanos: o pintor Teófilo Brown, o seu parceiro de longa data João Paulo Wonner, o poeta May Sarton, John Marquand, Lelchuck Jr. e outros. Janet era uma pessoa errática, não era lida por um grande número de pessoas e evitava de todo a mundanidade.
Frame escreveu depois a sua autobiografia em três volumes, que vendeu mais que qualquer outro dos seus livros e foi adaptada ao cinema por Jane Campion, com o título, Um Anjo à Minha Mesa. Com esta auto-biografia o objectivo era ajustar correctamente os seus problemas mentais, mas o seu passado e o seu estado mental, continuou a sofrer a especulação dos críticos e do público, mesmo após a sua morte em 2004.



Ganhou vários prémios literários, nomeadamente o Commonwealth Writers Prize para o último romance publicado em vida, Cárpatos. Em 1983 recebeu a Ordem do Império Britânico (CBE) pelos serviços prestados à literatura. Em 1990, tornou-se membro da Ordem da Nova Zelândia. Frame também fez parte da Academia Americana de Artes e Letras, recebeu doutoramentos honoris causa de duas universidades da Nova Zelândia. Rumores circularam, para o prémio Nobel de literatura, principalmente em 1998 e novamente cinco anos depois em 2003.
Janet Frame morreu em Dunedin em 2004, aos 79 anos, de leucemia. Uma série de obras póstumas foram lançadas desde a sua morte, incluindo um volume de poesia intitulado «O Banho de ganso», a que foi atribuído o Prémio Top-nova poesia em 2007.

http://en.wikipedia.org/wiki/Janet_Frame
http://janetframe.org.nz/Biography.htm

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

CARLOS SEIXAS (1704-1742)

José António Carlos de Seixas, nasceu em Coimbra em 1704 e morreu precocemente em Lisboa em 1742. Inicialmente era conhecido pelos seus três primeiros nomes, actualmente é conhecido por Carlos Seixas.

Carlos Seixas começou os seus estudos com o seu pai, Francisco Vaz, que era organista da Catedral de Coimbra. Com a morte do pai, cedo ocupou o seu cargo, permanecendo no mesmo durante dois anos. Aos dezasseis anos e devido ao seu desenvolvimento musical, foi nomeado organista da Catedral de Lisboa e simultaneamente professor de cravo das famílias nobres da Corte. Mais tarde foi-lhe atribuído o cargo de Vice-Mestre da Capela Real, cargo muito prestigiante porque reconhecia o seu valor, quando o Mestre de Capela era o famoso Domenico Scarlatti e na Capela Real só existiam músicos italianos.

Relativamente ao seu relacionamento com Scarlatti há um manuscrito da época que se refere a um episódio interessante:
quis o Sereníssimo Senhor Infante D. António que o grande Escarlate, pois se achava em Lisboa no mesmo tempo lhe desse alguma lição regulandosse por aquela ideia errada de que is Portugueses por mais que fação nunca chegão o que fazem os estrangeiros, e mandou ao ditto; este apenas o vio por as mãos no Cravo cunhecendo o Gigante pelo dedo lhe disse «Vossa mercê hé que me pode dar Lições, e encontrandosse com aquele Senhor lhe disse «Vª. Alteza mandomeexaminar, pois saiba que aquele sujeito hé dos maiores proffessores que eu tenho ouvido.
Não se sabe, se isto verdade ou se Scarlatti estaria a ser simpático com um membro da Família Real Portuguesa. A realidade, é que a obra de Carlos Seixas, tem uma grande originalidade criativa.

A maior parte da obra de Carlos Seixas, foi composta para instrumentos de tecla e as suas peças eram denominadas, por tocatas ou sonatas. Na Biblioteca Lusitana, estão referenciadas setecentas tocatas para cravo, mas só cento e cinco chegaram até nós, possivelmente muitas desapareceram com o terramoto de 1755.

Perusio
Estas tocatas que sobreviveram estão guardadas, nas Bibliotecas da Universidade de Coimbra, Nacional de Lisboa e no Palácio da Ajuda. Nelas encontramos exemplos reveladores da evolução da sonata barroca para tecla, desde a sua forma simples em duas partes, como nos mostram, por exemplo, as obras de Scarlatti, copiadas em 1733 num manuscrito português como as Obras Romanas per Organ. Nalguns casos, Seixas vai para além do limite imposto por esta estrutura dual e expande a secção inicial na segunda parte da obra, com uma passagem tão cheia de modulação e liberdade de manipulação temática – antes de voltar a um paralelismo estrito com a primeira parte – que no fim nos dá uma estrutura tri-partida, parecendo antecipar a forma da Sonata do período Clássico de Haydn e Mozart. Por outro lado, o carácter irregular e assimétrico do frasear e a escrita fortemente ritmada do compositor, deve ser apontada, porque contrariamente ao balanceado frasear de Scarlatti, com a sua medida regular (a chamada quadratura barroca), dispersa frequentemente as suas frases em diferentes grupos de compassos.

A sua harmonia é geralmente de uma simplicidade extrema, utilizando normalmente modulações para tonalidades paralelas ou do mais próximo nível no ciclo das quintas. A sua inspiração está direccionada para a invenção melódica, especialmente nos andamentos lentos, com uma expressão melancólica dos sentimentos reforçada, pela sua preferência de tonalidades menores.

Também chegaram até nós algumas peças orquestrais, para além da sua qualidade intrínseca, estas obras também revelam o conhecimento de formas musicais significativas do barroco instrumental Europeu, de uso muito reduzido na Península Ibérica. Estas peças são: uma Abertura em Ré Maior, no estilo francês, com um primeiro movimento lento em ritmo constante e secções alternantes em tempos contrários, características desta forma musical. O único exemplo do género na Península Ibérica e que se pode igualar em rigor formal e instrumentação, às aberturas de um Häendel ou de um Telemann; uma Sinfonia em Si bemol, com a característica sequência italiana – rápido/lento/rápido e o fantástico Concerto para Cravo e Orquestra de Cordas que é um dos primeiros exemplos do género em toda a Europa e que é uma contribuição original para a música Barroca europeia.

Relativamente à música sacra, destaca-se Ardebat Vicentius para a festa de S. Vicente, a Missa em Sol e um Te Deum, para duplo coro e orquestra, que se encontra desaparecido.

Carlos Seixas - Concert harpsichord, A major
1


2

height="340">

3

CONSULTA - INTERNET

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

A FERNANDO PESSOA, como a outros autores, são atribuídos poemas e frases erradas.

São muitos! Vou reproduzir apenas fragmentos de textos que não são de Fernando Pessoa e correm pela Internet como se fossem.

“A Concha”
.
A minha casa é concha.

Como os bichos
Segreguei-a de mim com paciência:
Fechada de marés,
a sonhos e a lixos,
O horto e os muros só areia e ausência... (Vitorino Nemésio)
-
"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo e esquecer os caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia; e se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos." (Autor: Fernando Teixeira de Andrade - 1946-2008 - foi um professor de Literatura
-
"Um dia a maioria de nós irá separar-se. Sentiremos saudades de todas as conversas atiradas fora, das descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos,dos tantos risos e momentos que partilhámos... (Autoria desconhecida)
-
"Deus costuma usar a solidão para nos ensinar sobre a convivência. Às vezes, usa a raiva, para que possamos compreender o infinito valor da paz. ... (Autor: Paulo Coelho)
-
"Existe no silêncio tão profunda sabedoria que às vezes ele se transforma na mais perfeita resposta. (carece de fontes)
-
"É fácil trocar as palavras, Difícil é interpretar os silêncios!É fácil caminhar lado a lado, Difícil é saber como se encontrar!.." (Autor Desconhecido)
-
" Navegue, descubra tesouros, mas não os tire do fundo do mar,o lugar deles é lá. Admire a lua, sonhe com ela, mas não queira trazê-la para a terra..." (Silvana Duboc) provavelmente um repassador anónimo, acrescentou ao texto um fragmento de Ricardo Reis ... "Circunda-te de rosas, ama , bebe E cala. O mais é nada."
-
"O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis." Augusto Cury
-
"Os ventos, que as vezes tiram algo que amamos... Não é de Fernando Pessoa, nem de Bob Marley.


"Paro às vezes à beira de mim próprio e pergunto-me se sou um doido ou um mistério muito misterioso." (sem referências bibliográficas)
-
"Ser Feliz e/ou Palco da Vida (Autor: Augusto Cury, no livro: Dez Leis para Ser Feliz) O final apresenta a seguinte frase, que também não é de Fernando Pessoa: "Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."
-
No poema "Recomeçar/ou Faxina na Alma "Não importa onde você parou em que momento da vida você cansou...o que importa é que sempre é possível e necessário "Recomeçar"...de Paulo Roberto Gaefke, um repassador adicionou ao final a frase "Porque sou do tamanho daquilo que vejo, e não do tamanho da minha altura" da poesia "A minha Aldeia", de Fernando Pessoa, heterónimo Alberto Caeiro.

-
O maior escândalo em Portugal surgiu com a publicação do texto “A Coragem de Pessoa”, que não passou despercebido e suscitou veementes indignações.
Escreve Laurinda Alves: «Deixo aqui o texto inspirador de Fernando Pessoa que foi lido em voz alta neste fim de tarde inesquecível».


[Laurinda Alves, jornalista, autora e apresentadora de programas de televisão, criou a revista XIS.Repórter na RTP, foi distinguida com o Prémio do Clube dos Jornalistas pelo seu trabalho de investigação sobre a morte do general Humberto Delgado. Directora da revista Pais &Filhos, colaboradora da TSF e, depois, da Rádio Renascença foi, também, colunista no Independente e, mais tarde, no jornal Público, onde actualmente assina uma página semanal.
Publicou os livros XIS Ideias Para Pensar, Um Dia Atrás do Outro e Ideias XIS. Atitude XIS recolhe os editoriais escritos na revista nos últimos dois anos.Em 2000 Laurinda Alves foi distinguida com o grau de Comendador da Ordem do Mérito pelo debate e defesa das questões educativas.]

Posso ter defeitos, viver ansioso
e ficar irritado algumas vezes mas
não esqueço de que minha vida é a
maior empresa do mundo, e posso
evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale
a pena viver apesar de todos os
desafios, incompreensões e períodos
de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos
problemas e se tornar um autor
da própria história. É atravessar
desertos fora de si, mas ser capaz de
encontrar um oásis no recôndito da
sua alma.É agradecer a Deus a cada manhã
pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios
sentimentos.É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um “não”.
É ter segurança para receber uma
crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construirum castelo…”

A Casa Fernando Pessoa, foi contactada e deu a seguinte resposta:
“O poema em questão não é de Fernando Pessoa, coisa que poderia ser garantida à primeira leitura (pelo tema, pela escrita, pela ortografia). Na Internet como em papel impresso, circulam vários «poemas apócrifos» assinados por Fernando Pessoa; muitas vezes, os seus autores pretendem garantir algum reconhecimento anónimo através da utilização do nome do poeta – são, geralmente, textos de má qualidade e que, infelizmente, se multiplicam todos os dias. Qualquer «leitor mediano» da obra de Pessoa ou dos seus heterónimos se dá conta da mistificação e da falsificação. Fernando Pessoa não diz semelhantes patetices”, esclareceu Francisco José Viegas, escritor e director da Casa Fernando Pessoa.

ERRARE HUMANUN EST, mas o aconselhável é consultar as fontes de carácter mais fidedigno, como por exemplo:


Casa Fernando Pessoa
Multipessoa - Instituto de Estudos de Modernismo
Arquivo Pessoa - Instituto de Estudos de Modernismo
Instituto de Estudos de Modernismo - FCSH - UNL
Um Fernando Pessoa - Um site sobre a vida e obra de Fernando Pessoa
Fernando Pessoa - Vidas Lusófonas
Pessoa revisitado
Poesia falada de Fernando Pessoa (Ode a pessoa)
Obra de Fernando Pessoa disponível para acesso gratuito em www.dominiopublico.com
Obra de Pessoa disponível na internet
Obra Completa em ordem alfabétcia - Jornal de Poesia

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

VIOLETTE LEDUC (1907- 1972)

Filha ilegítima, nasceu em Arras, Pas de Calais, França. Em Valenciennes, Violette passou a maior parte da sua infância, sofrendo de baixa auto-estima, devido à hostilidade da sua mãe. As pessoas que mais amava, eram a avó e a tia.A sua educação formal, iniciada em 1913, foi interrompida pela Primeira Guerra Mundial . Após a guerra, foi para um colégio interno, o Collège de Douai, onde teve a sua primeira experiência lésbica.Em 1926, Leduc mudou-se para Paris, matriculou-se no Liceu Racine e simultaneamente arranjou um emprego. Passado algum tempo, conheceu Maurice Sachs e Simone de Beauvoir, que a incentivaram a escrever. O seu primeiro romance L'Asphyxie, narra as lembranças de uma bastarda. A sua mãe jamais aceitou seu próprio mau passo, e é a sua filha quem deverá carregar o peso do erro maternal. Para Leduc, a sua mãe não passará da encarnação de uma Lei moral caprichosa e absurda. Privada do oxigénio oriundo do amor materno, a pequena Violette asfixia. Esta asfixia teria sido fatal se não houvesse a sua avó, Fidéline, pois através dela a criança pôde conhecer o aconchegante mundo da intimidade e da afeição. Foi publicada por Albert Camus para Éditions Gallimard e rendeu-lhe elogios de Jean-Paul Sartre, Jean Cocteau e Jean Genet .
Bissexual, Leduc teve uma série de relacionamentos.
Em Ravages, a intenção inicial de Violette com este livro era contar de forma romanceada as três experiências amorosas e sexuais que marcaram a sua vida: a paixão por Isabelle, o relacionamento com Denise, o encontro com Jacques Mercier, com quem foi casada por um breve período e que terminou com a sua tentativa de suicídio e um aborto. Os editores consideraram demasiado chocante a parte inicial (seu envolvimento com Isabelle) e recusaram o manuscrito. E Leduc foi forçado a remover parte do romance devido a descrições de sexo explícito lésbico. A parte censurada foi finalmente publicada como um romance independente, Thérèse e Isabelle, em 1966. Outro romance, Le Taxi causou controvérsia por causa da abordagem da temática de incesto entre irmão e irmã. O crítico J. Edith Benkov comparou este romance ao trabalho de Marguerite Duras e Nathalie Sarraute.
Desde muito cedo Viollet Leduc, sofreu de distúrbios psicológicos, o facto de ser bastarda sempre foi um estigma na sua vida. Em 1956, foi internada durante seis meses numa clínica em Versailles, para tratamento das suas tendências maníaco-depressivas e depois esteve na casa de repouso, Vallée aux Loups.Leduc morreu com 65 anos, depois de duas operações, devido a cancro da mama.
La Bâtarde , principal obra da autora, é uma narrativa autobiográfica de uma sinceridade intrépida — como classificaria Simone de Beauvoir no elogioso prefácio que escreveu para o livro.Ainda que o erotismo lésbico esteja bastante presente, o leitor atento observará que ele não trata "histórias escabrosas", mas de um "inferno humano vivido".Foi publicado em 1964, quase ganhou o Prémio Goncourt e rapidamente tornou-se um bestseller. Esta autobiografia, é uma catarse de todo o sofrimento que Leduc arrastou durante a sua vida. Desprezada pela mãe, no livro diz, que em criança começava a chorar por nada, só pelo choro, queria sentir uma imensa tristeza dentro dela e considerava que tinha dentro de si um crucifixo. Ser bastarda, ser repudiada pela mãe é uma ideia fixa que sempre a atormentou, no livro escreveu «Tu vives em mim, como eu vivi em ti»! O sofrimento iria fazer dela uma escritora com uma linguagem visceral, que irritou os homens e deixou as mulheres incomodadas. Na sua juventude Violette era rebelde, quis escolher os seus próprios caminhos. Com a morte da avó que ela adorava, ela confessa que a sentia ao seu lado, mas não estava, enquanto Violette se sentia condenada a estar no mundo, ela sofria pela pobreza em que vivia, pelo estigma de ser uma mulher curvada e pouco atractiva (Simone de Beauvoir referia-se a ela como "mulher feia"), Violette nada tinha, foi através das palavras, que ela encontrou o seu rumo para a vida e a vida aguçou esse rumo, com uma experimentação ao limite. Não só descrevia as sensações físicas do sexo, como a sensação de não ser amada, a sensação física da pobreza, da neve, da guerra, ela ligou todos os seus sentidos à vida, prestando atenção ao detalhe, à laranja murcha ao sol, à mancha de tinta sobre a mesa, sugerindo atmosferas, lugares e cenas. Nada é gratuito, é tudo que ela sentiu e tem importância na sua observação/sentir a vida. Até escrever a sua autobiografia, Violette viveu as duas guerras mundiais, teve intensos casos de amor bissexuais, casou e separou-se, escreveu e publicou alguns romances, mas também andou a vender no mercado negro, foi telefonista, secretária, revisora e redactora de publicidade. O escritor homossexual Maurice Sachs foi importante na sua vida, era um escritor polémico, adorado pelas mulheres. Leduc viveu com ele e Maurice incentivou-a a escrever, estava cansado de a ouvir falar. Assim escreveu o primeiro livro, L’ Asphyxie, que Simone de Beauvoir, através dos seus contactos, conseguiu que fosse publicado. Quando escreveu La Bâtarde, Leduc abordou temas sobre os quais já se tinha debruçado nos seus romances, que foram baseados na sua própria vida, mas agora no auge dos seus poderes literários. No livro confessa que gostaria de ter sido uma estátua de bronze em vez de ser de carne, para não sentir. Cada momento da sua escrita, tem a respiração e o suspiro que empurra a narrativa para lugares diferentes. Liga a acção à percepção, quando rouba flores azuis de um jardim, ela diz que são uma maneira de tirar os olhos da mãe, quer encontrar a imagem da sua mãe em alguma coisa bonita.E quando ela está convalescendo de uma doença, escreveu: "Quando eu olhei em volta para os objectos e móveis da sala eu senti que estava sentada na ponta de uma agulha. A sua prosa é cinética e é poética. Os, seus livros fundamentão-se nas realidades e incertezas da vida quotidiana.Apesar de ser aclamada por Camus, Genet, Simone de Beauvoir e Sartre, os livros de Leduc não se encontram no mesmo patamar. A literatura para Leduc não era um confortável sofá ou uma sala de conferências numa universidade, nem era um lugar onde o ser humano imperfeito sofre algum tipo de catarse e sai feliz, inteiro, curado, miraculosamente limpo de ira, luxúria, e dor. Violette Leduc é quase uma escritora esquecida, está à margem é necessário que ela ocupe o lugar merecido como grande escritora. Leduc era considerada pelos seus pares, mas simultaneamente vista como louca pela sua sinceridade inabalável e consequentemente inconveniente. Beauvoir, disse que Leduc escreveu sem pensar numa audiência, no entanto mesmo uma autobiografia desinibida, onde o objectivo é chegar à verdade absoluta da memória, há uma audiência em mente. Leduc viveu uma vida muito turbulenta e nada notável. Ela era ridicularizada pela forma como se expunha, até pelo seu aspecto físico, ela própria não se sentia à vontade.Violette Leduc escreveu: "Eu estava com medo de ter de apresentar o meu nariz grande " ou "Eu pensei que a personalidade pode ser modificada através do uso de roupas caras. No século XX, a atmosfera era de crítica permanente e reduziu o seu trabalho a uma tragédia do sexo feminino instável em grande escala. Freud dizia que a segredos mais interessantes são os que mantemos para nós mesmos, mas para Leduc os segredos foram os seus materiais de trabalho.


http://en.wikipedia.org/wiki/Violette_Leduc
http://www.violetteleduc.com/

domingo, 3 de outubro de 2010

HISTÓRIA DA VIDA PRIVADA PORTUGUESA - JOSÉ MATTOSO


Historiador de projecção nacional e internacional, o professor José Mattoso tem dado um importante contributo para o conhecimento da identidade portuguesa e das raízes da Europa. Depois de inúmeras obras publicadas em nome próprio, a sua mais recente incursão nos domínios da História diz respeito ao projecto inédito "A vida privada portuguesa", sob sua direcção.
Para a “História da vida privada portuguesa” tomou-se como referência o modelo francês, a obra de Philippe Ariés/G. Duby. A maior dificuldade foi conseguir distinguir “Vida privada” de “Vida quotidiana”. O conceito de vida quotidiana é simples. Pode ser tratado de maneira descritiva. O de vida privada é ambíguo. Temos de interpretar indícios indirectos e ambivalentes. Como a documentação é, normalmente, pouco explícita, tratava-se mais de interpretá-la do que reproduzi-la. pode envolver várias interpretações. Muitos dos indícios usados para descrever a vida privada de outrora têm um sentido ambíguo. É também um projecto em aberto porque a fluidez dos sentidos sugere novas interpretações e a consulta de novas fontes.
A vida íntima não tem só transgressões, longe disso. O que importa é encontrar as diferenças entre as várias épocas, entre o passado e o presente, e tentar explicá-las. Há uma curiosidade que se excita com a descoberta do oculto. Mas há também a curiosidade que se alimenta da diferença e se interroga acerca das razões que a explicam. Para além da dificuldade de interpretar a linguagem figurada, há dificuldades características, a redução das fontes disponíveis.

A primeira coisa que me lembro é que a Idade Média não é tão cristã como geralmente se pensa, nem, por outro lado, tão rude e primitiva como outros dizem. Um dos aspectos mais característicos desta época é o que se pode chamar a «dialogia», isto é, uma norma muito exigente ou até radical - a dos sermões - e uma prática muito maleável, baseada nas circunstâncias e nos casos pessoais. Quanto à rudeza dos costumes, creio que se deve pôr de lado o conceito de «idade das trevas» que muitas vezes se aplica à Idade Média. Diferente é o problema das concepções mágicas, que é um problema muito complexo, mas em que houve, sem dúvida alguma, um progresso muito lento devido à racionalização da teologia e ao desenvolvimento das universidades. De qualquer maneira um tipo de magia que não tem nada que ver com “Harry Potter” ou “O Senhor dos Anéis”.

SOBRE JOSÉ MATTOSO AQUI

sexta-feira, 1 de outubro de 2010