O que há em comum, entre os «Quadros Húngaros» de Béla Bartók, as «Danças Sinfónicas» de Edvard Grieg, as «Danças Eslavas» de Dvorák e as «Danças de Galanta» de Kodály, é que todas se inspirarem na recolha de música tradicional, de canções e danças populares. Peças muito interessantes, que sempre agrada ouvir.
DANÇAS DE GALANTA DE KODÁLY
O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós.
JEAN-PAUL SARTRE
JEAN-PAUL SARTRE
sábado, 26 de fevereiro de 2011
sábado, 19 de fevereiro de 2011
«O INOMINÁVEL» - SAMUEL BECKETT

“Procurei por todo lado. E todas as perguntas faço a mim mesmo. Não é por curiosidade. Não Posso calar-me. Não, nem tudo é claro. Mas o discurso tem de ser feito.”
“É o fim que é o pior, não, é o começo que é o pior, depois é o meio, mas depois é o fim que é o pior, essa voz a cada instante, é que é o pior… é preciso continuar ainda um pouco, é preciso continua ainda muito tempo, é preciso continuar ainda sempre…”
“Eu sou palavras, eu sou feito de palavras, palavras dos outros. Eu sou todas as palavras a poeira de verbo. E preciso de palavras (…) é preciso tentar logo, com as palavras que restam.”
“não posso continuar, vou continuar”
“Je ne peux pas continuer, je vais continuer”
“I can´t go on, I’ll go on”
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
GUSTAV MAHLER - QUARTA SINFONIA
A Quarta Sinfonia de Mahler concluiu o ciclo em que o compositor utilizou textos de A Trompa Mágica do Rapaz, colectânea de poesia popular alemã de autores anónimos, um livro que Goethe dizia «ser obrigatório ter em casa».
Mahler compôs vinte e quatro canções que deram forma a andamentos inteiros da segunda, terceira e quarta sinfonia.
Na Primeira encontramos a Natureza primordial, habitada por um herói que acabará por morrer, na Segunda acompanhamos o processo de resgate desse herói do mundo dos mortos para uma ressurreição poderosa, na Terceira, há uma imersão radical na paisagem e fauna dos lagos e bosques do Tirol, seguindo a arquitectura do mundo de Schopenhauer, passamos pela Natureza inorgâmica, pela Flora, pela Fauna, pelo Homem e pelos Anjos até alcançar o Amor, na Quarta é a passagem da vida terrena para a vida celestial.
O quarto andamento consiste no Lied Das himmlische Leben ( A Vida Celestial), canção popular da Baviera, tem um carácter infantil, como se uma criança viesse explicar, no fim, tudo o que se passou.
É uma imagem idealizada, de um mundo pacífico, longínquo, ingénuo, inocente, visão inalcançável! Para Mahler o Paraíso deve mais que ser inalcançável, ser um mistério!
No fim, quando depois de o homem se questionar sobre tudo, uma criança diz-lhe: a vida é celestial! Com a sinfonia celestial acaba também o último sonho de ingénua inocência pueril de todo o reportório sinfónico romântico.
Mahler compôs vinte e quatro canções que deram forma a andamentos inteiros da segunda, terceira e quarta sinfonia.
Na Primeira encontramos a Natureza primordial, habitada por um herói que acabará por morrer, na Segunda acompanhamos o processo de resgate desse herói do mundo dos mortos para uma ressurreição poderosa, na Terceira, há uma imersão radical na paisagem e fauna dos lagos e bosques do Tirol, seguindo a arquitectura do mundo de Schopenhauer, passamos pela Natureza inorgâmica, pela Flora, pela Fauna, pelo Homem e pelos Anjos até alcançar o Amor, na Quarta é a passagem da vida terrena para a vida celestial.
O quarto andamento consiste no Lied Das himmlische Leben ( A Vida Celestial), canção popular da Baviera, tem um carácter infantil, como se uma criança viesse explicar, no fim, tudo o que se passou.
É uma imagem idealizada, de um mundo pacífico, longínquo, ingénuo, inocente, visão inalcançável! Para Mahler o Paraíso deve mais que ser inalcançável, ser um mistério!
No fim, quando depois de o homem se questionar sobre tudo, uma criança diz-lhe: a vida é celestial! Com a sinfonia celestial acaba também o último sonho de ingénua inocência pueril de todo o reportório sinfónico romântico.
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
A ALMA HUMANA É PORCA COMO UM ANUS – ÀLVARO CAMPOS

A ALMA HUMANA É PORCA COMO UM ANUS – ÁLVARO CAMPOS
A alma humana é porca como um ânus
E a Vantagem dos caralhos pesa em muitas imaginações.
Meu coração desgosta-se de tudo com uma náusea do estômago.
A Távola Redonda foi vendida a peso,
E a biografia do Rei Artur, um galante escreveu-a.
Mas a sucata da cavalaria ainda reina nessas almas, como um perfil
distante.
Está frio.
Ponho sobre os ombros o capote que me lembra um xale —
O xale que minha tia me punha aos ombros na infância.
Mas os ombros da minha infância sumiram-se muito para dentro dos meus ombros.
E o meu coração da infância sumiu-se muito para dentro do meu coração.
Sim, está frio...
Está frio em tudo que sou, está frio...
Minhas próprias ideias têm frio, como gente velha...
E o frio que eu tenho das minhas ideias terem frio é mais frio do que
elas.
Engelho o capote à minha volta...
O Universo da gente... a gente... as pessoas todas!...
A multiplicidade da humanidade misturada,
Sim, aquilo a que chamam a vida, como se não houvesse outros e estrelas...
Sim, a vida...
Meus ombros descaem tanto que o capote resvala...
Querem comentário melhor Puxo-me para cima o capote.
Ah, parte a cara à vida!
Liberta-te com estrondo no sossego de ti!
In Poesia , Assírio
[Não conhecia este poema e até fiquei surpreendida! Tenho a colecção completa das Edições Ática e possivelmente este poema estava censurado!]
domingo, 6 de fevereiro de 2011
CONCERTO
EDWARD ELGAR - IN THE SOUTH
SAMUEL BARBER - KNOXVILLE: SUMMER OF
FELIX MENDOLSSOHN - «HEAR YE, ISRAEL», ÁRIA DE ELIJAH
FELIX MENDELSSOHN - SINFONIA Nº 5 «REFORMA»
DIRECÇÃO: CHRISTOPHER SEAMAN
SOPRANO: EMMA BELL
Referências na sinfonia nº.5 «Reforma» de Felix Mendelssohn
Amen de Dresden – Johan Gottlieb Nauman
Também referenciada em obras compostas por Wagner (Parsifal, Tannhäuser), Mahler (Ressurreição), Bruckner (9ª. Sinfonia)
Ein’ fest burg ist unser Gott, Lutero
SAMUEL BARBER - KNOXVILLE: SUMMER OF
FELIX MENDOLSSOHN - «HEAR YE, ISRAEL», ÁRIA DE ELIJAH
FELIX MENDELSSOHN - SINFONIA Nº 5 «REFORMA»
DIRECÇÃO: CHRISTOPHER SEAMAN
SOPRANO: EMMA BELL
Referências na sinfonia nº.5 «Reforma» de Felix Mendelssohn
Amen de Dresden – Johan Gottlieb Nauman
Também referenciada em obras compostas por Wagner (Parsifal, Tannhäuser), Mahler (Ressurreição), Bruckner (9ª. Sinfonia)
Ein’ fest burg ist unser Gott, Lutero
sábado, 5 de fevereiro de 2011
UMA LARANJA PARA ALBERTO CARNEIRO

Uma Laranja para Alberto Caeiro
.Um poema de O Vinho e a Lira, de Natália Correia
.
Venho simplesmente dizer
Que uma laranja é uma laranja
E comove saber que não é ave
.
se o fosse não seriam ambas
uma só coisa volátil e doce
de que a ave é o impulso de partir
e a laranja o instinto de ficar.
.
Não sei de nada mais eterno
do que haver sempre uma só coisa
e ela ser muitas e diferentes
e cada coisa ternamente ocupar
só o espaço que pode rodeada
pelo espaço que a
pode rodear.
.
Sei que depois de laranja
a laranja poderá ser até
mesmo laranja se necessária
mas cada vez que o for
sê-lo-á rigorosamente
como se de laranja fosse
a exacta fome inadiável.
.
De ser laranja gomo a gomo
o íntimo pomo se enternece
e não cabe em si de amor
embriagada de saber
que a sua morte nos será doce.
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