O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós.
JEAN-PAUL SARTRE

domingo, 17 de julho de 2011

LO FATAL...

Lo Fatal

Dichoso el árbol, que es apenas sensitivo,
y más la piedra dura porque esa ya no siente,
pues no hay dolor más grande que el dolor de ser vivo,
ni mayor pesadumbre que la vida consciente.

Ser y no saber nada, y ser sin rumbo cierto,
y el temor de haber sido y un futuro terror...
Y el espanto seguro de estar mañana muerto,
y sufrir por la vida y por la sombra y por

lo que no conocemos y apenas sospechamos,
y la carne que tienta con sus frescos racimos,
y la tumba que aguarda con sus fúnebres ramos,

¡y no saber adónde vamos,
ni de dónde venimos!...

BIOGRAFIA DE RUBEN DARIO

http://pt.wikipedia.org/wiki/Rub%C3%A9n_Dar%C3%ADo

POEMAS

http://www.poemas-del-alma.com/ruben-dario.htm

quarta-feira, 13 de julho de 2011

DE RILKE PARA LOU...


Recuso os sonhos que te ignoram e os desejos que não possas despertar. Não quero fazer um gesto que não te louve, nem cuidar uma flor que não te enfeite; não quero saudar as aves que ignorem o caminho da tua janela, nem beber em ribeiros que não tenham acolhido o teu reflexo. Não quero visitar países que os teus sonhos não tenham percorrido como taumaturgos vindos de fora, nem habitar cabanas, que não tenham abrigado o teu repouso. Nada quero saber de quem te precedeu em meus dias, nem dos seres que aí permanecem.

in “Correspondência Amorosa – Rainer Maria Rilke a Lou Andreas-Salomé”

sábado, 9 de julho de 2011

Casa da Música – Prémio Internacional Fundação da Casa da Música/SUGGIA

Guilhermina Suggia (Porto 1885-Porto1949)

Aos 7 anos aprendeu violoncelo com o seu pai, Augusto de Medim Suggia, violoncelista do Real Teatro São Carlos. Mais tarde foi estudar para o Conservatório de Leipzig, na Alemanha, com uma bolsa dada pela Rainha D. Amélia.

Atingiu grande sucesso, fazendo uma carreira internacional, como poucas mulheres nessa época. Londres foi o centro da sua actividade musical.

Com Pablo Casals formou o célebre «duo ibérico» e viveram juntos durante sete anos.

Regressou ao Porto no fim dos anos quarenta, dirigindo o naipe de violoncelos da Orquestra Sinfónica do Conservatório de Música do Porto, desempenhando também um importante papel pedagógico. Os seus instrumentos predilectos eram um Stradivarius e um Montagnana. O Montagnma, que foi comprado pela Câmara do Porto, é cedido ao vencedor até à edição seguinte, que se realiza de dois em dois anos.

De oito violoncelistas a concurso dos mais prestigiados conservatórios e escolas superiores de música da Europa, apresentaram-se três à final:

Ildikó Szabó, que nasceu na Hungria, tocou o Concerto para violoncelo e orquestra nº.1 de Dimitri Chostakovitch;

*

Jacob Shaw, que nasceu na Inglaterra, tocou o Concerto para Violoncelo e orquestra em Si menor, de Antonín Dvorák e Michael Petrov, natural da Bulgária tocou a Sinfonia Concertante de Sergei Prokofieff.

*

O júri constituído pela presidente honorária, a violoncelista Madalena Sá e Costa, pelos violoncelistas David Gerings e Paulo Gaio Lima e ainda pelo pianista Pedro Burmester, deliberaram entregar o prémio a Michael Petrov e apesar da grande qualidade dos outros participantes não foi nenhuma surpresa!

*A presença aqui de Mstislav Rostropovitch, é natural, na medida em que estas duas obras foram compostos, para este virtuoso violoncelista.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

«COMO DESENHAR UM CÍRCULO PERFEITO»

Do realizador Marco Martins, vi o seu primeiro filme «ALICE» (2005) que teve bastante sucesso, mantendo um suspense constante, apesar da história ser «magra»! «Alice» é de facto um filme inesquecível, onde se destaca a soberba interpretação de Nuno Lopes, a banda sonora de Bernardo Sassetti e a direcção de fotografia de Carlos Lopes.

Tive oportunidade agora de ver o seu segundo filme «Como Desenhar Um Circulo Perfeito». Filme que aborda a ruptura dos conceitos família/relação. História limite, história no limite. Como diz Marco Martins:«Quando estava a escrever o argumento, descobri no YouTube que havia um campeonato mundial de desenho de círculos perfeitos e pareceu-me que seria uma metáfora perfeita e muito forte para a personagem do Guilherme e para sugerir que eles estão presos dentro de um desses círculos.»

Sinopse: Numa velha e decrépita mansão, os gémeos Guilherme e Sofia cresceram a partilhar experiências e, aos poucos, vão descobrindo a sua sexualidade. Existe uma avó excêntrica, fanática pelo poker, uma mãe pouco presente e um pai ausente… Guilherme, incapaz de lidar com o amor não correspondido da sua irmã e das relações que ela mantém com outros rapazes, acaba por fugir de casa. Refugia-se em casa do pai, que vive isolado, imerso num mundo quase autista. Guilherme descobre então que a vida não cabe num círculo perfeito e volta para casa. Quando os gémeos se reencontram, surge finalmente o amor. De forma íntima e silenciosa, o filme oferece o prazer da exploração dos limites, criando um universo fechado e claustrofóbico, inocente e contagiante na simplicidade das suas emoções.

Há obsessões que não largam Marco Martins, que não descansou enquanto não aprendeu a desenhar círculos perfeitos, da mesma forma que não descansa das histórias tristes, que chegam ao ecrã ainda mais tristes. Desta vez, escreveu a meias com Gonçalo M. Tavares e realizou uma história de gémeos, incestos e círculos perfeitos. Outra vez soturna, melancólica, claustrofóbica.

Para MM, o cinema é uma conversa que vai continuando, assim voltou a convidar os actores Beatriz Batarda e Gonçalo Waddington e dois jovens actores, para cenas intensas e delicadas.

Para o realizador as cenas de sexo raramente acrescentam alguma coisa, têm um carácter voyeurista, acessório, previsível. Regra geral, são banais, por isso quis uma cena mais interior. Aqui era a primeira vez que eles tinham uma relação sexual... uma relação sexual entre dois irmãos. Era algo extremamente perturbador. Não queria que fosse uma cena vulgar, mas queria explorá-la, porque é raro ter-se a oportunidade de fazer uma cena assim. Precisou de os contextualizar e mostrou-lhe filmes, como: Bresson, Gus Van Sant, o "Les Enfants Terribles".

EM ENTREVISTA:

Tem uma obsessão por histórias tristes?

Confesso que sou obcecado por personagens obsessivas. Opto sempre por filmar no Inverno, o que torna os filmes mais escuros. O lado radioso de Lisboa lembra sempre os clichés - os bairros típicos, as sete colinas, as imagens dos postais - e esse lado não me apetece filmar. Tenho um lado lunar muito vincado, que é também onde me sinto melhor a criar.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

FEZ PRECISAMENTE NO DIA 2 DE JULHO, 50 ANOS QUE HEMINGWAY MORREU

[ERNEST HEMINGWAY (1899-1961) – LIVROS E MULHERES]


Estava casado com Mary Welsh, sua quarta mulher, com quem viveu os seus últimos anos, a maior parte do tempo em Cuba, onde o escritor convivia com gente simples, que o levou a escrever The Old Man and The Sea ( O Velho e o Mar). Mary esteve com Hemingway durante 15 anos, foi a mulher que esteve mais tempo com ele. Era jornalista e teve um casamento anterior. Viveu com a Hemingway a sua consagração ao receber o Prémio Nobel em 1954. Os dois viajaram muito. Em 1954, fazendo uma incursão de caça em África Hemingway, sofreu um acidente aéreo e chegou a ser dado como morto, mas foi encontrado vivo e posto num segundo avião que se incendiou. A partir daí, com sequelas severas, Mary passou a ser a sua enfermeira. Hemingway, herdou riscos de depressão, já o seu pai se tinha suicidado, começou a beber muito e isso levou-o a cometer o acto terminal contra a sua vida, alvejando-se com um tiro de espingarda.
Apaixonado pela literatura e pelas mulheres, viver com Hemingway não era uma «fiesta»!
A primeira das suas quatro mulheres foi: Hadley Richardson. Nessa altura era jornalista e tinha 21 anos, enquanto Hadley era mais velha oito anos. Hemingway tinha-se oferecido para condutor de ambulâncias da Cruz Vermelha em Itália, mas ficou ferido. Regressou aos Estados Unidos e conheceu Hadley, casaram e partiram para a Europa. Os dois viveram a aventura em Paris, onde conheceram muitas personalidades ligadas à arte, como James Joyce, T.S. Elliot ou Ezra Pound. Fizeram parte da «Geração Perdida», dos protegidos de Gertrudes Stein, depois de terminada a Grande Guerra. Errâncias por França, idas a Pamplona às touradas, tudo está descrito no romance que então publicou, Paris é uma festa e que dedicou à mulher e ao seu filho Jonn.
Estiveram juntos durante seis anos, até Hemingway se apaixonar por Pauline Pfeiffer, com quem se casou em 1927 e se divorciou em 1940. Desse relacionamento nasceram dois rapazes: Patrick e Gregory. Os dois regressaram aos Estados Unidos, nesta altura surgiu o romance, A Farewell to Arms ( Adeus às Armas), resultado da experiência de Hemingway na guerra em Itália.
Em 1937 Hemingway regressou à Europa, devido à Guerra Civil de Espanha, para apoiar os revolucionários contra os fascistas, ele era um homem de esquerda sem reticências e aí conheceu a jornalista Martha Gellhorn, que ditou o fim do casamento com Pauline. Casaram em 1940 e estiveram juntos até 1945. Martha contrariamente às duas anteriores mulheres, não se deixava ofuscar por Hemingway, nunca desistiu de ser repórter e fazia questão em ser melhor que o marido. Trabalharam juntos em Espanha, desse experiência Hemingway escreveu o livro, For Whom the Bell Tolls ( Por Quem os Sinos Dobram). O casamento não durou, Hemingway sentia-se preterido a favor da carreira exaustiva da mulher em vários cenários de guerra.
Em 1946 casou com Mary Welsh.
Outros livros de Hemingway: Across the River and Into the Trees (Do Outro Lado do Rio e Entre as Árvores) e em 1986 foi publicado, The Garden of Eden (O Jardim do Éden)

terça-feira, 5 de julho de 2011

STRAVINSKY

Ígor Stravinski (18821971) foi um compositor, pianista e maestro russo, considerado por muitos, como um dos compositores mais importantes e influentes do século XX.

Foi o arquétipo do russo cosmopolita, escolhido pela revista Time como uma das 100 pessoas mais influentes do século.

A carreira de compositor de Stravinski foi notável pela sua diversidade estilística. Inicialmente adquiriu fama internacional com três ballets encomendados pelo empresário Sergei Diaghilev e executados pelos Ballets Russes de Diaghilev: L'Oiseau de feu ("O Pássaro de Fogo") (1910), Petrushka (1911/1947), e Le Sacre du printemps ("A Sagração da Primavera") (1913).

Mas deixou uma obra vasta.

Do Concerto em Ré «Basel – 2. Arioso; Andantino

E da suite «O Pássaro de Fogo», «Canção de Embalar e Final»

sexta-feira, 1 de julho de 2011

ILUSÃO


Tudo é ilusão (1).
A ilusão do pensamento, a do sentimento, a da vontade. Tudo é criação, e toda a criação é ilusão.
Criar é mentir.
Para pensar o não‑ser criamo‑lo, passa a ser uma coisa. Todos os que pensam ocultistamente criam em absoluto todo um sistema do Universo, que fica sendo real. Ainda que se contradigam: há vários sistemas do universo, todos eles reais.
Nós próprios, porque existimos, somos criações também, portanto ilusões. Mas somos criações de quem? Do Deus que nós‑próprios criámos? Como se o criámos nós, e lhe somos portanto anteriores? Isso é supondo real o tempo, que é outra criação nossa. Tudo é um amontoado de ilusões.
Aquilo a que chamamos verdade é aquilo a que também chamamos o ser. Verdadeiro é o que é. Mas o que é, é ilusão. Por isso a verdade é a ilusão, é uma ilusão.
A que abismo vamos ter?
Quanto mais forte o pensamento, o sentimento, a vontade, maior o poder criador.
O que a ocultistas é verificável é falso. Há imortalidade, mesmo eternidade da alma, mas isto é falso. Há um Deus eterno, criador do céu e da terra, e isto é falso. Ser é não‑ser.
Nunca podemos deixar de criar, por isso nunca podemos deixar de mentir.
A própria ilusão é uma ilusão.
O que nós não sentimos não existe. O que nós sentimos (...)
Só há uma coisa que não pode ser ilusão, porque ela não é criada: é a consciência. Uma só coisa escapa a toda a crítica — a consciência. A consciência não cria, nem é um conceito nosso, porque a não podemos pensar nem como sendo, nem como não‑sendo. Pensar, sentir, querer, são ilusões; mas ter consciência não é uma ilusão.
A verdade é da consciência para lá. «Deus» é a consciência da consciência, coisa que não podemos pensar.
A consciência não é concreta nem abstracta, não é um ser nem não‑ser.
Na proporção em que a consciência é uma ideia falsa.
Existem realmente Deus, céu, anjos, almas imortais e eternas. E contudo nada disso é verdade. Existe e dura eternamente, mas é falso.
O niilismo transcendental ...
Temos todos a noção de que há qualquer coisa: isso é falso. Não há; não há nem não há. A própria consciência não existe, mas é a única verdade.
Não haverá graus na ilusão? Quanto mais criadora uma coisa é mais ilusória. Partindo do nosso espírito, vemos quais as maiores ilusões ...
(1) Tudo se reduz a criar.
Tudo se reduz a iludir-se.
Portanto criar é mentir.
1915?
Textos Filosóficos. Vol. I. Fernando Pessoa. (Estabelecidos e prefaciados por António de Pina Coelho.) Lisboa: Ática, 1968 (imp. 1993).