O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós.
JEAN-PAUL SARTRE

terça-feira, 11 de outubro de 2011

FRAGMENTOS DO TEMPO

A Faculdade de Ciências da U.Porto traz à cidade do Porto uma exposição de fotografia inédita, "Harold Edgerton - Fragmentos de Tempo", que reune 58 das imagens mais icónicas conseguidas por este cientista e fotógrafo, pioneiro da fotografia de alta velocidade.

Através da utilização de luz estroboscópica, Edgerton consegue, pela primeira vez, parar o tempo numa imagem fotográfica, capturando assim imagens fascinantes de sequências de movimento que, de outra forma, seriam imperceptíveis ao olho humano. Fosse a sua motivação científica ou artística, vale a pena olhar atentamente para a sua obra. Esta exposição recupera os magníficos instantâneos que Harold Edgerton legou à história da fotografia. Uma exposição surpreendente que amplia o nosso campo de percepção dando-nos a descobrir a secreta beleza do movimento.

Harold Edgerton nasceu em 1903 em Freemont, Nebraska. Estudou na Universidade do Nebraska e, posteriormente, no Massachusetts Institute of Technology (MIT), instituição à qual estaria ligado toda a sua vida, como investigador, professor e académico, e onde fez as suas primeiras experiências com estroboscópios.

Foi sobretudo o uso da luz estroboscópica na fotografia que o tornou célebre, por lhe ter permitido parar movimentos no tempo e gravá-los em imagens fotográficas, tornando perceptíveis fenómenos que, de outra forma, o olho humano não conseguiria observar. Apesar de ser, antes de tudo, um cientista, grande parte do seu reconhecimento nasce do seu enorme feito artístico: capturar estes fenómenos criando, ao mesmo tempo, imagens de grande beleza.

No âmbito da investigação científica, Edgerton foi um pioneiro, tendo criado e desenvolvido equipamentos electrónicos e fotográficos ao longo de toda a sua vida - registou mais de quarenta patentes - contribuiu para a explicação de fenómenos naturais, como o vôo do beija-flor, registou imagens de experiências científicas - é célebre a fotografia que mostra uma maçã a ser atravessada por uma bala -, participou em diversas expedições com Jacques Cousteau e outros exploradores, documentou explosões atómicas e prestou apoio aos Aliados durante a 2.ª Guerra Mundial.

A soma destas actividades não resumem a vida de Harold Edgerton. A par da curiosidade científica que sempre procurou saciar, esteve sempre na base do seu trabalho uma preocupação artística e uma busca constante pela perfeição, visíveis por exemplo na notável "Coroa de Gotas de Leite", última de uma série de tentativas feitas ao longo de 25 anos.

O seu trabalho demonstra um equilíbrio perfeito entre arte e ciência, que lhe valeu reconhecimento e admiração em ambos os campos. As suas fotografias fazem parte de prestigiadas coleções de arte, como a do Victoria & Albert Museum, e foram publicadas em afamados meios de comunicação social, como a revista Life.


A exposição estará patente na Casa Andreson, no Jardim Botânico do Porto (Rua do Campo Alegre, 1191), de 12 de Outubro de 2011 a 8 de Janeiro de 2012. De Quarta a Domingo das 14h30 às 18h30 - Entrada livre.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

A PERSPECTIVA DAS COISAS. A NATUREZA MORTA NA EUROPA SÉC.XIX-XX

70 dos mais famosos nomes da pintura mundial: Picasso, Braque, Dali, Cézanne, Renoir, Gauguin, Van Gogh, Monet, Manet, Léger, Duchamp, Magritte, Matisse, mas também Amadeo, Eduaro Viana, Mário Eloy, Vieira da Silva e muitos outros. A partir de 21 de Outubro, na Fundação Gulbenkian. Comissário da expo. Neil Cox ( Universidade de Essex)

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

ANTÓNIO PINHO VARGAS - ONZE CARTAS


ANTÓNIO PINHO VARGAS, apresentou em estreia a obra: ONZE CARTAS, encomenda da Casa da Música, Teatro Nacional São Carlos e Centro Cultural de Belém.
Vargas define esta obra como uma espécie de sinfonia/ópera falada na qual são ditos textos de Italo Calvino, Jorge Luís Borges e Bernardo Soares. Estes textos são ditos nas línguas originais e incidem sobre a dificuldade do acto criativo, com base na diferença de atitudes de cada um deles.
Vargas fez 60 anos e diz da sua carreira:
Na actual situação do país, é uma espécie de regresso atrás. Por um lado há um percurso conseguido, prosseguido, diverso, complexo, com uma série de coisas de que me orgulho; e ao mesmo tempo estou muito triste por sentir que provavelmente a vida cultural portuguesa irá ter, nos próximos anos, um retrocesso. Vai ser tudo muito difícil, sobretudo para as gerações mais novas, como as dos meus alunos, para as quais não há horizontes.
Canto dos Pássaros

quinta-feira, 6 de outubro de 2011


Tempo houve

Quando ainda havia tempo

Em que a morte estava perto

Porque estava longe

Podia sabê-la

No desconhecido

Dos corpos que eu fosse

Por não serem meus

No sabor a mar

Dos ventres pulsando

No sangue e no mosto

De quando o deserto

Que quase já sou

Na sombra que seja

Do que não serei

Nos colava em rios

A fonte e a foz

Sem morte e sem tempo

Sem perto nem longe

Sem mim e sem ti

De ti para mim

de mim para ti

a dar morte ao tempo

a dar tempo à morte

no tempo que sobra

do nada que é tudo


Hélder Macedo

terça-feira, 4 de outubro de 2011

«Torturado por espectros numa espiral de tempo…pretérito presente em permanente reconstrução»… A.L.A.

Poucos construíram uma carreira literária com tanto talento, intensidade e profissionalismo. Nas últimas três décadas vai a caminho dos 30 títulos.

A. Antunes recusou o caminho da facilidade e da sedução ao leitor.

Toda a sua primeira fase de produção não pode deixar de ser relida, para se perceber o que se passou em Portugal a partir dos anos sessenta. Romances como Os Cus do Judas, As Naus, Manual de Inquisidores ou Exortação de Crocodilos... foi depois deste livro que se adensou a sua escrita, diluiu-se a coesão e a sequencialidade lógica da narrativa, sem radical abandono de situações do seu universo, mas configurando um universo ficcional não só fragmentado, mas também estilhaçado.

«Fui ficando surdo e ao deixar de ouvir as vozes exteriores, tornaram-se mais nítidas as vozes interiores…as vozes que todos temos dentro de nós… fala torrencial e polifónica».

Antunes vive obcecado pela ideia: será este o meu último livro? Mas sempre volta ao Grande Livro que incessantemente está a escrever !





COMISSÃO DAS LÁGRIMAS, seu último livro, volta a Angola, á guerra de África, não é um romance histórico, não recorre a documentos nem a investigação é um continuum, ligado a vivências e memórias, uma percepção pessoal e interior.

Luanda «uma gaveta de facas sempre aberta». «Gaveta» onde a única verdade é o conflito, que pode ser também «umbigo» ou o «cu do mundo», lugar marginal onde se dá um «julgamento mútuo»!

sábado, 1 de outubro de 2011