O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós.
JEAN-PAUL SARTRE

domingo, 7 de fevereiro de 2010

ANNA LEIBOVITZ

Anna Leibovitz, é uma fotografa americana, que se notabilizou por realizar retratos em colaboração intima com o retratista.
Começou por trabalhar na revista Rolling Stone, dando à mesma grande projecção e obtendo a celebridade na arte fotográfica. Hoje trabalha para variadas revistas e todos querem ser fotografados por ela.
Publicou seis livros de fotografias: Photographs, Photographs 1970-1990, American Olympians, Women, American Music e A Photographer’s Life 1990-2005.






sábado, 6 de fevereiro de 2010

SONHO - EUGÉNIO DE CASTRO


UM SONHO
Na messe, que enlouquece, estremece a quermesse...
O sol, celestial girassol, esmorece...
E as cantilenas de serenos sons amenos
Fogem fluidas, fluindo a fina flor dos fenos...
As estrelas em seus halos
Brilham com brilhos sinistros...
Cornamusas e crotalos,
Cítolas, cítaras, sistros,
Soam suaves, sonolentos,
Sonolentos e suaves,
Em Suaves,
Suaves, lentos lamentos
De acentos Graves Suaves...
Flor! Enquanto na messe estremece a quermesse
E o sol, o celestial girassol, esmorece,
Deixemos estes sons tão serenos e amenos,
Fujamos,
Flor! À flor destes floridos fenos...
Soam vesperais as Vésperas...
Uns com brilhos de alabastros,
Outros louros como nêsperas,
No céu pardo ardem os astros...
Como aqui se está bem!
Além freme a quermesse...
- Não sentes um gemer dolente que esmorece?
São os amantes delirantes que em amenos
Beijos se beijam,
Flor! À flor dos frescos fenos...
As estrelas em seus halos
Brilham com brilhos sinistros...
Cornamusas e crotalos,
Cítolas, cítaras, sistros,
Soam suaves, sonolentos,
Sonolentos e suaves,
Em Suaves,
Suaves, lentos lamentos
De acentos Graves, Suaves...
Esmaece na messe o rumor da quermesse...
- Não ouves este ai que esmaece e esmorece?
É um noivo a quem fugiu a Flor de olhos amenos,
E chora a sua morta, absorto, à flor dos fenos...
Soam vesperais as Vésperas...
Uns com brilhos de alabastros,
Outros louros como nêsperas,
No céu pardo ardem os astros...
Penumbra de veludo .
Esmorece a quermesse...
Sob o meu braço lasso o meu Lírio esmorece...
Beijo-lhe os boreais belos lábios amenos,
Beijo que freme e foge à flor dos flóreos fenos...
As estrelas em seus halos
Brilham com brilhos sinistros...
Cornamusas e crotalos ,
Cítolas, cítaras, sistros ,
Soam suaves , sonolentos ,
Sonolentos e suaves ,
Em Suaves , Suaves, lentos lamentos
De acentos Graves, Suaves...
Teus lábios de cinábrio, entreabre-os!
Da quermesse
O rumor amolece, esmaece, esmorece...
Dê-me que eu beije os teus morenos e amenos Peitos!
Rolemos, Flor! À flor dos flóreos fenos...
Soam vesperais as Vésperas...
Uns com brilhos de alabastros,
Outros louros como nêsperas,
No céu pardo ardem os astros...
Ah! Não resista mais a meus ais!
Da quermesse
O atroador clangor, o rumor esmorece...
Rolemos, ó morena!
Em contactos amenos!
- Vibram três tiros à florida flor dos fenos...
As estrelas em seus halos
Brilham com brilhos sinistros...
Cornamusas e crotalos,
Cítolas, cítaras, sistros,
Soam suaves, sonolentos,
Sonolentos e suaves,
Em Suaves, Suaves, lentos lamentos
De acentos Graves, Suaves...
Três da manhã.
Desperto incerto...E essa quermesse?
E a Flor que sonho? E o sonho?
Ah! tudo isso esmorece!
No meu quarto uma luz, luz com lumes amenos,
Chora o vento lá fora, à flor dos flóreos fenos...
Arcachon,12 de Julho de 1889.

EUGÉNIO DE CASTRO - SIMBOLISMO LITERÁRIO

Tenho lido ultimamente, alguma coisa sobre o Movimento Simbolista. O precursor do movimento simbolista, em França, foi o poeta francês Charles Baudelaire com "As Flores do Mal", (1857), aqui já inserido. Mas só em 1881 a nova manifestação é rotulada, com o nome decadentismo, substituído por Simbolismo em manifesto publicado em 1886. Espalhando-se pela Europa, é na França, porém, que tem seus expoentes, como Paul Verlaine, Arthur Rimbaud e Stéphane Mallarmé (referi a poesia de uns, vou referir a de outros).
Os nomes de maior destaque no Simbolismo português são: Camilo

Pessanha, António Nobre, e Eugénio de Castro.



CLEPSIDRA
Murmúrio de água na clepsidra gotejante,

Lentas gotas de som no relógio da torre,
Fio de areia na ampulheta vigilante,
Leve sombra azulando a pedra do quadrante,

Assim se escoa a hora, assim se vive e morre…
Homem que fazes tu? Para quê tanta lida,

Tão doidas ambições, tanto ódio e tanta ameaça?
Procuremos somente a Beleza, que a vida
É um punhado infantil de areia ressequida,
Um som de água ou de bronze e uma sombra que passa…

in Rosa do Mundo, 2001 Poemas para o Futuro, Assírio & Alvim
Eugénio de Castro (n. em Coimbra a 4 Março de 1869; m. em Coimbra, a 17 de Agosto de 1944)


A LAÍS

À ciprina Laís, de quem sou tributário.
A Laís que possui compridas tranças pretas,
P’lo meu escravo mandei, no seu aniversário,
Um cacho moscatel num cabaz de violetas.
Os amantes, que dão às suas namoradas
Fulgurantes anéis de riqueza estupenda,
Luminosos rocais e redes consteladas,
Hão-de sorrir, bem sei da minha humilde of’renda.
Pensei em dar-lhe, é certo, um precioso colar
E um anel com mais luz do que o incêndio de Tróia,
Mas reconsiderei de pronto, ao atentar
Que ainda ninguém viu dar jóias a uma jóia…

in 366 poemas de amor, antologia organizada por Vasco da Graça Moura,Quetzal Editores

TUA FRIEZA AUMENTA O MEU DESEJO

Tua frieza aumenta o meu desejo
Fecho os olhos para te esquecer
e, quanto mais procuro não te ver,
quanto mais fecho os olhos, mais te vejo.

Humildemente atrás de ti rastejo,
humildemente, sem te convencer,
enquanto sinto para mim crescer
dos teus desdéns o frígido cortejo.
Sei que jamais hei-de possuir-te. Sei
que outro, feliz, ditoso como um rei,
enlaçará teu virgem corpo em flor.
O meu amor, no entanto, não se cansa:

amam metade os que amam com esp’rança,
amar sem esp’rança é o verdadeiro amor

PRESSÁGIOS

Quando eu nasci, tocava o fogo
Na minha freguesia,
E um meu vizinho, que perdera ao jogo,
Golpeava as veias, quando eu nascia.
Chegando ao mundo, comigo vinha

Uma irmãzinha,
Pó que, mudado em flor, voltou logo a ser pó…
E eu comecei, chegando ao mundo, a ver-me só…
A linda gémea, que Deus me dera,

Logo morria, mal nascera,
Morria logo…Na freguesia, tocava a fogo…
Com tais avisos, com tais presságios,

Breve me afiz a padecer, sem protestar,
Ódios, tormentos, decepções, lutos, naufrágios,
Os idos, os de agora e os mais que hão-de chegar.

Eugénio de Castro (1869-1944)(in «Antologia», Introdução, Selecção e bibliografia deAlbano Martins, Imprensa – Nacional Casa da Moeda,Lisboa, 1987)

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

DJANGO REINHARDT (1910-1953)














DJANGO REINHARDT (1910-1953), foi um guitarrista feito da matéria das lendas.
De origem humilde, etnia cigana e analfabeto tornou-se um dos maiores músicos da história do jazz.
Formou o famoso Quintette du Hot Club de France e tocou com os grandes: Louis Amstrong, Coleman Hawkins, Benny Carter e Duke Ellington.
Django foi um dos primeiros músicos da Europa a apaixonar-se pelo bebop e a compreender e sentir a estética de Charlie Parker e Dizzy Gillespie
Obra-prima: Djangology
A sua sonoridade era aveludada, com um balanço inconfundível e cheio de lirismo. O seu som ficou conhecido como jazz manouche.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

TEMPO (LIVRO DO DESASSOSSEGO-BERNARDO SOARES)


O passado é nada e o futuro pode ser tudo. Só o presente existe.


«Não tenho esperanças nem saudades.»
L. do D.

Vivo sempre no presente. O futuro, não o conheço. O passado, já o não tenho. Pesa-me um como a possibilidade de tudo, o outro como a realidade de nada. Não tenho esperanças nem saudades. Conhecendo o que tem sido a minha vida até hoje — tantas vezes e em tanto o contrário do que eu a desejara —, que posso presumir da minha vida de amanhã senão que será o que não presumo, o que não quero, o que me acontece de fora, até através da minha vontade? Nem tenho nada no meu passado que relembre com o desejo inútil de o repetir. Nunca fui senão um vestígio e um simulacro de mim. O meu passado é tudo quanto não consegui ser. Nem as sensações de momentos idos me são saudosas: o que se sente exige o momento; passado este, há um virar de página e a história continua, mas não o texto.
Breve sombra escura de uma árvore citadina, leve som de água caindo no tanque triste, verde da relva regular — jardim público ao quase crepúsculo —, sois, neste momento, o universo inteiro para mim, porque sois o conteúdo pleno da minha sensação consciente. Não quero mais da vida do que senti-la a perder-se nestas tardes imprevistas, ao som de crianças alheias que brincam nestes jardins engradados pela melancolia das ruas que os cercam, e copados, para além dos ramos altos das árvores, pelo céu velho onde as estrelas recomeçam.
13-6-1930

Livro do Desassossego por Bernardo Soares.Vol.I. Fernando Pessoa. (Recolha e transcrição dos textos de Maria Aliete Galhoz e Teresa Sobral Cunha. Prefácio e Organização de Jacinto do Prado Coelho.) Lisboa: Ática, 1982. - 186.

domingo, 31 de janeiro de 2010

PAUL GAUGUIN (1848-1903)

A sua obra, longe de poder ser enquadrada em algum movimento, foi tão singular como as de Van Gogh ou Paul Cézanne. Apesar disso, é verdade que teve seguidores e que pode ser considerado o fundador do grupo Les Nabis, que, mais do que um conceito artístico, representava uma forma de pensar a pintura como filosofia de vida.
As suas primeiras obras tentavam captar a simplicidade da vida no campo, algo que ele conseguiu com a aplicação arbitrária das cores, em oposição a qualquer naturalismo, como demonstra o seu famoso CRISTO AMARELO.


O pintor, buscando o exotismo partiu para o Taiti, em busca de novos temas, para se libertar dos condicionamentos da Europa. As suas telas surgem carregadas da iconografia exótica do lugar, e não faltam cenas que mostram um erotismo natural. A cor adquire mais preponderância representada pelos vermelhos intensos, amarelos, verdes e violetas, como MULHER COM UMA FLOR.

"DE ONDE VIEMOS? O QUE SOMOS? PARA ONDE VAMOS?, é uma tela enorme que sintetiza toda sua pintura. É também um dos quadros que mais me faz reflectir. Nele estão representadas todas as idades e o seu título é paradigma de grandes inquietações

Gauguin desenvolveu as técnicas do "sintetismo" e "cloisonnisme", estilos de representação simbólica da natureza onde são utilizadas formas simplificadas e grandes campos de cores vivas chapadas, que ele fechava com uma linha negra, e que mostravam uma forte influência das gravuras japonesas.
A sua pintura é caracterizada por:
Natureza alegórica, decorativa e sugestiva;
Formas dimensionais, estilizadas, sintéticas e estáticas.