As perturbações mentais e os grandes estados alterados da psique sempre inspiraram os artistas ao longo dos tempos, estando na origem de um grande número de obras-primas da literatura, das artes plásticas, da música e do cinema.
Rui Vieira Nery, diz que a ópera vive do desequilíbrio psicológico extremo ou do intenso conflito emocional das personagens, dominadas por medo, ciúme, ódio, pavor ou inquietação. Os poucos exemplos de óperas que focam pessoas normais, são tão enfadonhos, que ninguém se lembra delas.
Personagens paradigmáticas do desequilíbrio feminino, numa galeria indeterminada:
O desespero de Dido, da ópera Dido e Eneias, de Purcell
A histeria assassina da rainha da Noite de a Flauta Mágica de Mozart
Fragilidade emocional que acaba em desequilíbrio absoluto, personagem principal da ópera Lucia de Lamermmor, de Donizetti
Casos de obsessão sexual, Salomé e Elektra de Richard Strauss
SALOMÉ
ELEKTRA
Extraordinária frieza patológica, como em Lulu, de Alban Berg
Relativamente às personagens masculinas, sejam elas heróicas ou destrutivas é salientado a encarnação do vício, do mal, da perversão.
Iago de Otelo de Verdi
Scarpia da Tosca de Puccini
Macbeth de Verdi, que fica transtornado por uma enorme sede de poder aliada a uma enorme fraqueza de carácter
Personagens que representam a essência de uma cegueira suicida, através de confrontos, entre o amor e o dever, Radamés de Aïda, de Verdi
Desequilibrados pela rejeição social da comunidade onde se inserem, Peter Grimes, Britten.
(Fonte: Revista Gulbenkian)
O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós.
JEAN-PAUL SARTRE
JEAN-PAUL SARTRE
quinta-feira, 29 de abril de 2010
terça-feira, 27 de abril de 2010
CÂMARA ESCURA - MIGUEL TORGA

CÂMARA ESCURA
Devagar,
Hora a hora,
Dia a dia,
Como se o tempo fosse um banho de acidez,
Vou vendo com mais funda nitidez
O negativo da fotografia.
E o que eu sou por detrás do que pareço!
Que seguida traição desde o começo,
Em cada gesto,
Em cada grito,
Em cada verso!
Sincero sempre, mas obstinado
Numa sinceridade
Que vende ao mesmo preço
O direito e o avesso
Da verdade.
Dois homens num só rosto!
Uma espécie de Jano sobreposto,
Inocente,
Impotente,
e condenado
A este assombro de se ver forrado
Dum pano de negrura que desmente
A nua claridade do outro lado.
in Antologia Poética de Miguel Torga..
in Antologia Poética de Miguel Torga..
segunda-feira, 26 de abril de 2010
A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DO SER

Revi o filme, A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DO SER. Já o tinha visto no cinema, assim como também li o livro de MILAN KUNDERA. O romance passa-se nas cidades de Praga e Zurique, em 1968. Narra amores e desamores e também está presente a invasão russa à Checoslováquia e o clima de tensão política que pairava em Praga, a «Primavera de Praga». O livro aborda alguns relatos históricos, inserindo a narração num contexto real, pode ser lido parte como realidade, parte como romance, mas o amor está sempre presente, com conflitos do amor ideal e do «amor real».
As personagens principais são: Tomas, um médico jovem, com uma vida livre de compromissos afectivos. Tem uma relação informal com Sabina, uma artista e uma versão de Tomas no feminino. Tudo muda na sua vida quando conheceu Teresa, numas termas, sentindo por ela uma atracção. Deixou-lhe um cartão para o visitar se fosse a Praga. Teresa foi e entregou a sua vida a Tomas, alojando-se na sua casa e fugindo de uma vida decrépita e sem sentido. Tomas não tem coragem de a mandar embora. Teresa vai lidar com as infidelidades de Tomas.
As personagens principais são: Tomas, um médico jovem, com uma vida livre de compromissos afectivos. Tem uma relação informal com Sabina, uma artista e uma versão de Tomas no feminino. Tudo muda na sua vida quando conheceu Teresa, numas termas, sentindo por ela uma atracção. Deixou-lhe um cartão para o visitar se fosse a Praga. Teresa foi e entregou a sua vida a Tomas, alojando-se na sua casa e fugindo de uma vida decrépita e sem sentido. Tomas não tem coragem de a mandar embora. Teresa vai lidar com as infidelidades de Tomas.
Revi o filme, porque depois de ter lido referências sobre o romance, que eu desconhecia, me interessou novamente revê-lo.
O que li aqui pela net: A riqueza do romance está essencialmente em aspectos psicológicos e filosóficos. As inspirações em filósofos, como Parménides, Sartre e Nietzsche, são óbvias.
Segundo teorias do filósofo Parménides Eléia (cerca de 530 a.C. – 460 a.C., a problemática da leveza e do peso, advém das dualidades ontológicas do Ser. A dualidade, porém, por força de uma perspectiva unitária do Ser, surge da presença e da ausência. Neste sentido, o frio é apenas a ausência de calor, o não calor. As trevas são a ausência de luz, a não luz. Para Parménides, contrariamente ao pensamento lógico-formal, a problemática da dualidade leveza/peso revela o peso como ausência, como não-leveza.
Kundera desloca esse pressuposto para o campo existencial, mesclando-a ao problema da liberdade humana, numa perspectiva próxima à problemática do existencialismo. A leveza decorre de uma vida liberta de compromissos aproximando-se, das ideias de Jean-Paul Sartre sobre a condição humana. Tomas vive a leveza, mas quando fica vinculado a Teresa, experimenta o peso opressivo do comprometimento. A leveza, despe a vida do seu sentido, o peso do comprometimento é uma razão de ser, sob a perspectiva existencialista.
Sob a perspectiva filosófica nietzscheana, Tomas levava uma vida autêntica, construindo os próprios valores. Teresa ilustra a problemática da escravidão: incapaz de realizar um empreendimento como o de Tomas, amarra-o pela força da sua impotência, chegando depois a admitir ter «destruído a sua vida». Tomás, encarnando metaforicamente a noção nietzscheana, revela que não se arrepende de nada, remetendo à doutrina do Eterno Retorno, da filosofia nietzscheana, um escape para o arrependimento que pode decorrer da escolha entre a leveza e o peso, o comprometimento e a liberdade pura.
Eterno Retorno, a possibilidade das situações existenciais se repetirem indefinidamente, por força de uma finitude das possibilidades frente à infinitude do tempo. O que parece um fundamento cosmológico vazio ganha implicações éticas imensas na perspectiva de Kundera: uma vida que desaparece não tem o menor sentido. Uma mentalidade educada sob a perspectiva de uma história cíclica, repetindo-se indefinidamente, dificilmente deixaria escoar-se, no vazio a própria vida. O argumento do Eterno Retorno assume então uma face de «convite à vida», com suas alegrias e tristezas. A ideia do Eterno Retorno convida o homem a fazer a vida valer a pena de ser vivida.
Kundera também se refere à questão da atitude humana da compaixão. Sob uma perspectiva filológica, compara o sentido da expressão nas línguas latinas e nas línguas germânicas, e as implicações dessa nuance na vida psicológica e sentimental dos indivíduos. Na língua latina a palavra compaixão significa simplesmente piedade, um sentimento que se impõe quando um indivíduo está em posição de superioridade frente a um outro que sofre a relação do poder dominador, tem compaixão, sem compartilhar do sentimento que leva o próximo a sofrer.
Na língua germânica, compaixão assume um sentido de "co-sentimento": o indivíduo que sente compaixão sofre junto com o seu próximo. Para Kundera, a compaixão é muito mais terrível do que a piedade porque a incapacidade humana de transpor os limites da subjectividade faz com que o sentimento careça de um certo esforço imaginativo que quase sempre multiplica a dor do próximo, fazendo-a mesmo maior do que a do próximo. Tomas sente compaixão por Teresa e, é através da mesma, que ela consegue prender-se a ele em definitivo desde o primeiro momento.
Segundo teorias do filósofo Parménides Eléia (cerca de 530 a.C. – 460 a.C., a problemática da leveza e do peso, advém das dualidades ontológicas do Ser. A dualidade, porém, por força de uma perspectiva unitária do Ser, surge da presença e da ausência. Neste sentido, o frio é apenas a ausência de calor, o não calor. As trevas são a ausência de luz, a não luz. Para Parménides, contrariamente ao pensamento lógico-formal, a problemática da dualidade leveza/peso revela o peso como ausência, como não-leveza.
Kundera desloca esse pressuposto para o campo existencial, mesclando-a ao problema da liberdade humana, numa perspectiva próxima à problemática do existencialismo. A leveza decorre de uma vida liberta de compromissos aproximando-se, das ideias de Jean-Paul Sartre sobre a condição humana. Tomas vive a leveza, mas quando fica vinculado a Teresa, experimenta o peso opressivo do comprometimento. A leveza, despe a vida do seu sentido, o peso do comprometimento é uma razão de ser, sob a perspectiva existencialista.
Sob a perspectiva filosófica nietzscheana, Tomas levava uma vida autêntica, construindo os próprios valores. Teresa ilustra a problemática da escravidão: incapaz de realizar um empreendimento como o de Tomas, amarra-o pela força da sua impotência, chegando depois a admitir ter «destruído a sua vida». Tomás, encarnando metaforicamente a noção nietzscheana, revela que não se arrepende de nada, remetendo à doutrina do Eterno Retorno, da filosofia nietzscheana, um escape para o arrependimento que pode decorrer da escolha entre a leveza e o peso, o comprometimento e a liberdade pura.
Eterno Retorno, a possibilidade das situações existenciais se repetirem indefinidamente, por força de uma finitude das possibilidades frente à infinitude do tempo. O que parece um fundamento cosmológico vazio ganha implicações éticas imensas na perspectiva de Kundera: uma vida que desaparece não tem o menor sentido. Uma mentalidade educada sob a perspectiva de uma história cíclica, repetindo-se indefinidamente, dificilmente deixaria escoar-se, no vazio a própria vida. O argumento do Eterno Retorno assume então uma face de «convite à vida», com suas alegrias e tristezas. A ideia do Eterno Retorno convida o homem a fazer a vida valer a pena de ser vivida.
Kundera também se refere à questão da atitude humana da compaixão. Sob uma perspectiva filológica, compara o sentido da expressão nas línguas latinas e nas línguas germânicas, e as implicações dessa nuance na vida psicológica e sentimental dos indivíduos. Na língua latina a palavra compaixão significa simplesmente piedade, um sentimento que se impõe quando um indivíduo está em posição de superioridade frente a um outro que sofre a relação do poder dominador, tem compaixão, sem compartilhar do sentimento que leva o próximo a sofrer.
Na língua germânica, compaixão assume um sentido de "co-sentimento": o indivíduo que sente compaixão sofre junto com o seu próximo. Para Kundera, a compaixão é muito mais terrível do que a piedade porque a incapacidade humana de transpor os limites da subjectividade faz com que o sentimento careça de um certo esforço imaginativo que quase sempre multiplica a dor do próximo, fazendo-a mesmo maior do que a do próximo. Tomas sente compaixão por Teresa e, é através da mesma, que ela consegue prender-se a ele em definitivo desde o primeiro momento.
Nasceu no seio de uma família erudita, o pai foi um importante musicólogo e pianista. Kundera aprendeu a tocar piano e estudou musicologia, Literatura e Estética, desistindo de tudo, para estudar cinema. Em 1950, foi temporariamente forçado a interromper os seus estudos por razões políticas. Neste ano, ele e outro escritor checo - Jan Trefulka - foram expulsos do Partido Comunista checo por «actividades anti-partidárias». Em 1956, Kundera foi readmitido no Partido Comunista, mas em 1970, foi novamente expulso. Kundera, assim como Václav Havel e outros intelectuais checos, envolveu-se na Primavera de Praga, que terminou com a invasão soviética à Checoslováquia. Kundera e Havel tentaram acalmar a população e organizar um levantamento reformista, frente ao totalitarismo comunista, desistiu definitivamente em 1975.
Kundera foi viver para França, onde se tornou um escritor de sucesso, recebendo, pelo conjunto da sua obra, o "Common Wealth Award" de Literatura (1981) e o "Prémio Jerusalém" (1985).
domingo, 25 de abril de 2010
BERNARDO SOARES - LIVRO DO DESASSOSSEGO

DETALHES DA ESCULTURA «BERNARDO SOARES» DO ESCULTOR ANTÓNIO SECO
«Nada pesa tanto como o afecto alheio - nem o ódio alheio, pois que o ódio é mais intermitente que o afecto; sendo uma emoção desagradável, tende, por instinto de quem a tem, a ser menos frequente. Mas tanto o ódio como o amor nos oprime(m); ambos nos buscam e procuram, não nos deixam (sós)»
Bernardo Soares - Livro do Desassossego
O que logo nos faz lembrar uma ode de Ricardo Reis: «Não só quem nos odeia ou nos inveja/ Nos limita e oprime; quem nos ama/não menos nos limita».
Chateaubriand também dizia: on le fatiguait en l’aiman
sexta-feira, 23 de abril de 2010
AS PAIXÕES DA ALMA
Em 1649, ano em que parte para Estocolmo a convite da rainha Cristina da Suécia, René Descartes (1596-1650) publica o Tratado das Paixões, correntemente conhecido como As Paixões da Alma. Descartes aprofunda aí a sua especulação sobre o pensamento humano, desmistificando a crença de que os sentimentos se localizavam no coração e insistindo em que é o cérebro que comanda todas as manifestações exteriores das paixões da alma, e contribui para uma longa tradição de tentativas de sistematização das paixões.Dos artigos 53 a 67 enumera todas as paixões, mas no artigo 69 sustenta que há apenas seis «que são simples e primitivas». Todas as outras derivam destas. Ei-las: a admiração, o amor, o ódio, o desejo, a alegria e a tristeza.
Mote para DIAS DA MÚSICA no CCB
http://www.netsaber.com.br/biografias/ver_biografia_c_1241.html
(AGRADEÇO À A.P.S. A MOTIVAÇÃO PARA A PESQUISA)
quinta-feira, 22 de abril de 2010
ÓPERA - RICHARD WAGNER
TISTÃO ISOLDA
TANNHAUSER
DIE WALKÜRE: «THE RIDE OF THE VALKYRIES
( UMA AMOSTRA DA GRANDE OBRA OPERÁTICA DE RICHARD WAGNER )
TANNHAUSER
DIE WALKÜRE: «THE RIDE OF THE VALKYRIES
( UMA AMOSTRA DA GRANDE OBRA OPERÁTICA DE RICHARD WAGNER )
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