JEAN-PAUL SARTRE
sábado, 27 de agosto de 2011
MAHATMA GANDHI
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
EDUARDO LIBÓRIO (1900-1946)
Foi através do Jornal de Letras, que vi a edição do livro, Poesias, Desenhos e Correspondência, pela Imprensa Nacional Casa da Moeda. [ Prefácio, introdução, organização e notas de Gil Miranda (Professor Emérito de Teoria Musical no Oberlin College, EUA)]
REVOLUCIONÁRIO, EXCÊNTRICO SURREALISTA, METEÓRICO.
Músico, desenhador e poeta, sem ter pertencido a nenhum grupo literário, prenuncia a corrente surrealista que só entra em Portugal dois anos após a sua morte.
MAS QUEM É EDUARDO LIBÓRIO?
Com a «pulga» atrás da orelha, lá fui eu para a floresta da internet fazer as minhas explorações, porque de facto nunca tinha ouvido tal nome e não sei pelas quantas milésimas vezes senti aquele sopro: «só sei que nada sei» e nem é preciso dizer de quem!?...
Nessa floresta, onde ando sempre em explorações…pouco ou nada encontrei!
Na wikipédia a entrada é lacónica e diz apenas isto:
Eduardo Miguel Monteiro Libório, também conhecido pelo pseudónimo de Eduardo Claro, foi um músico e compositor português. Em sua honra foi criado o Prémio Eduardo Libório de História da Música, destinado a galardoar jovens músicos.
Música!?...Através do you tube nada! Mas cheguei a um compositor, Rui Serôdio que ganhou o prémio com o seu nome! Outro desconhecido para mim!...
Voltando ao Eduardo Libório, encontrei algo mais substancial em:
ONDE SE DIZ ENTRE OUTRAS COISAS: Eduardo Libório (1900-1946) músico de profissão e artista multifacetado, é um poeta desconhecido do público.
SOBRE A SUA POESIA: Uma linguagem poética de desarmante singeleza prende-nos pelo encanto e inesperado de temas e ideias, enunciadas com uma limpidez de cristal.
Ecoam aqui formas do que viria a ser alguma poesia surrealista surgida bem depois da morte do poeta ocorrida em 1946 (a primeira reunião do Grupo Surrealista de Lisboa realizou-se em fins de Outubro de 1947, na pastelaria A Mexicana). Nomeadamente, é alguma poesia de Alexandre O’Neill que me ocorre ao ler grande parte destes poemas.
E aqui sim, encontram-se alguns dos seus poemas, de que vou destacar:
POEMA GIRATÓRIO,
COM “FIGURAS DE PASSAR”,
DEDICADO PELO LIBÓRIO
A QUEM O QUEIRA ACEITAR
Passa a tristeza, a dor, passa o cuidado,
Passa o prazer – o amor passa também…
– E passam as saudades do passado
Se no passado não passou alguém…
Ilusões – esperanças passageiras,
Passos falsos – e “passas” verdadeiras,
Pássaros, Passarões – e Passarolas
Uns à solta e outros em gaiolas,
Todos vão, de passagem, pelo ar…
Passam, a passear, os mensageiros
De mensagens passadas – e a passar…
Passam na vida, a passo, os passageiros
Para o mundo onde havemos de voltar…
Passam dúvidas, fés – passam certezas
Do que já se passou – ou vai passar
E, por vezes, perpassam baronesas
Num passeio, de passagem – a girar.
O VIAJANTE
Gosto tanto de sonhar
– E de dormir…
Esquecer o tempo que passou
E não pensar no que há-de vir…
Viver a vida verdadeira
A noite inteira:
Fechar os olhos – e partir…
Tudo em silêncio, tudo apagado,
E eu, suspenso,
Maravilhado
A espreitar o que está do outro lado…
Se me esquecesse de voltar…
Oh! Se pudesse ficar assim,
Horas sem fim
Sem acordar.
A viajar dentro de mim…
terça-feira, 23 de agosto de 2011
FERNANDO PESSOA UM GRANDE INSPIRADOR...
Fernando Pessoa «foi uma espécie de aparição fulgurante descida das brumas culturais alheias ao nosso desterro azul, para nele inscrever em portuguesa língua o mais insubornável poema jamais erguido à condição exilada dos homens na sua própria pátria, o universo inteiro».
Pessoa Revisitado - Eduardo Lourenço.
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
PAULO CASTILHO - «DOMÍNIO PÚBLICO» (Sobre jovens «surpreendidos» em pleno «mal de vivre». devido à aspereza da conjuntura)
Paulo Castilho, diplomata e escritor, filho do diplomata, fundador da Presença e com uma vasta bibliografia sobre Literatura Portuguesa, Guilherme Castilho (destacando-se os seus trabalhos dedicados a Raul Brandão e António Nobre) e da escritora Marta de Lima.
Paulo de Castilho esteve colocado nos Estados Unidos, Reino Unido, Suécia e na Irlanda. Chegou tarde à vida literária, o seu primeiro livro foi publicado em 1987, O Outro lado do Espelho (Prémio Literário Diário de Notícias), seguiu-se, Fora de Horas, que ganhou tudo o que havia para ganhar em prémios literários e depois: Sinais Exteriores, Parte Incerta, Por Outras Palavras e Letra e Música.
Paulo Castilho, defende a escrita realista, clara e depurada. O seu método de trabalho é criar as «fundações» com um primeiro esboço da história e depois passar ao trabalho mais duro, mas de que mais gosta «burilar o texto».
Escreve em cima da realidade, das situações presentes. Em Domínio Público, debruça-se sobre os jovens de 30 anos que vivem em Portugal e reagem aos acontecimentos com dúvidas, com irritação, mas também com compreensão! Jovens que têm em comum a percepção, que nada podem fazer para mudar as suas próprias vidas e sofrem com as consequências. A geração que mais duramente está a sofrer os efeitos da conjuntura.
«Há neles uma melancolia persistente e, mais do que isso, um certo culto dessa mesma melancolia, encarada quase como um valor positivo, e um certo comprazimento com um grau de sofrimento interior que são muito nossos».
«Nós os portugueses, para além desse apego à melancolia, tendemos a ser desorganizados, a reagir a algo que nos aconteça disparando em todas as direcções, prescindindo de qualquer forma de pensamento táctico e temos ainda um individualismo muito forte que nos leva a acreditar que nos podemos safar enquanto indivíduos, mas nunca como grupo. Evidentemente que também temos outras características bem mais positivas como um forte sentido de solidariedade e entre-ajuda.»
Esta geração está perdida sem saber o que fazer! Paulo Castilho, frequentava a Faculdade de Direito em Lisboa, quando rebentou a greve estudantil no ano lectivo 1961-62, precisamente no ano em que começou a Guerra Colonial. Tinham objectivos de luta muito claros, um implícito e outro explícito. O segundo seria derrubar a Ditadura e instaurar a democracia, que unia comunistas, católicos e socais democratas. O primeiro, decorrente deste, era acabar com a guerra.
Paulo Castilho, no entanto realça que quem andava na universidade sabia sempre que tinha emprego à espera. «O país era tacanho, a vida era condicionada, mas a sobrevivência estava assegurada à partida. Isso hoje não acontece»