O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós.
JEAN-PAUL SARTRE
JEAN-PAUL SARTRE
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
JOSÉ SARAMAGO
A 16 de Novembro de 1922, nasce, em Azinhaga (Ribatejo), José de Sousa Saramago, escritor português galardoado, em 1998, com o Nobel da Literatura.
O Nobel da Literatura José Saramago, que morreu em junho de 2010, vai ser homenageado no Por
O Nobel da Literatura José Saramago, que morreu em junho de 2010, vai ser homenageado no Por
to, na Casa da Música, a 24 de novembro, iniciativa integrada nas comemorações dos 90 anos sobre o nascimento do escritor.
A homenagem a José Saramago surge no âmbito da 12.ª edição do "Porto de Encontro", uma iniciativa do jornalista Sérgio Almeida promovida pela Porto Editora.
"A conversa, moderada pelo jornalista Sérgio Almeida, contará com as participações de Pilar del Río, Álvaro Siza Vieira, Mário Cláudio, Pedro Abrunhosa e Valter Hugo Mãe".
Quando se comemora 90 anos sobre o nascimento do escritor, para esta homenagem estão ainda previstas "leituras por Manuela Azevedo, Emília Silvestre, Filipa Leal, Ana Celeste Ferreira e José Carlos Tinoco, bem como performances de Pedro Abrunhosa, do Coral de Letras da Universidade do Porto e de O Andaime".
A homenagem a José Saramago surge no âmbito da 12.ª edição do "Porto de Encontro", uma iniciativa do jornalista Sérgio Almeida promovida pela Porto Editora.
"A conversa, moderada pelo jornalista Sérgio Almeida, contará com as participações de Pilar del Río, Álvaro Siza Vieira, Mário Cláudio, Pedro Abrunhosa e Valter Hugo Mãe".
Quando se comemora 90 anos sobre o nascimento do escritor, para esta homenagem estão ainda previstas "leituras por Manuela Azevedo, Emília Silvestre, Filipa Leal, Ana Celeste Ferreira e José Carlos Tinoco, bem como performances de Pedro Abrunhosa, do Coral de Letras da Universidade do Porto e de O Andaime".
terça-feira, 13 de novembro de 2012
TODO O MUNDO E NINGUÉM - GIL VICENTE
![]() |
| Narciso - Salvador Dali |
Ninguém: Que andas tu i buscando?
Todo-o-mundo: Mil cousas ando a buscar: delas não posso achar, porém ando porfiando, por quão bom é perfiar.
Ninguém: Como hás nome, cavaleiro?
Todo-o-mundo: Eu hei nome Todo-o-Mundo, e meu tempo todo inteiro sempre é buscar dinheiro e sempre nisto me fundo.
Ninguém: Eu hei nome Ninguém, e busco a consciência.
Berzebu: Esta é boa experiência! Dinato, escreve isto bem.
Dinato: Que escreverei, companheiro?
Belzebu: Que Ninguém busca consciência e Todo-o-Mundo dinheiro.
Ninguém: E agora, que buscas lá?
Todo-o-Mundo: Busco honra muito grande.
Ninguém: E eu virtude, que Deos mande que tope co’ela já.
Belzebu: Outra adição nos acude: escreve logo i a fundo, que busca honra Todo-o-Mundo, e Ninguém busca virtude.
Ninguém: Buscas outro mor bem qu´esse?
Todo-o-Mundo: Busco mais quem me louvasse tudo quanto eu fezesse.
Ninguém: E eu quem me reprendesse em cada cousa que errasse.
Belzebu: Escreve mais.
Dinato: Que tens sabido?
Belzebu: Que quer em extremo grado Todo-o-Mundo ser louvado, e Ninguém ser reprendido.
Todo-o-mundo: Mil cousas ando a buscar: delas não posso achar, porém ando porfiando, por quão bom é perfiar.
Ninguém: Como hás nome, cavaleiro?
Todo-o-mundo: Eu hei nome Todo-o-Mundo, e meu tempo todo inteiro sempre é buscar dinheiro e sempre nisto me fundo.
Ninguém: Eu hei nome Ninguém, e busco a consciência.
Berzebu: Esta é boa experiência! Dinato, escreve isto bem.
Dinato: Que escreverei, companheiro?
Belzebu: Que Ninguém busca consciência e Todo-o-Mundo dinheiro.
Ninguém: E agora, que buscas lá?
Todo-o-Mundo: Busco honra muito grande.
Ninguém: E eu virtude, que Deos mande que tope co’ela já.
Belzebu: Outra adição nos acude: escreve logo i a fundo, que busca honra Todo-o-Mundo, e Ninguém busca virtude.
Ninguém: Buscas outro mor bem qu´esse?
Todo-o-Mundo: Busco mais quem me louvasse tudo quanto eu fezesse.
Ninguém: E eu quem me reprendesse em cada cousa que errasse.
Belzebu: Escreve mais.
Dinato: Que tens sabido?
Belzebu: Que quer em extremo grado Todo-o-Mundo ser louvado, e Ninguém ser reprendido.
in Gil Vicente, Auto da Lusitânia, 1532
sábado, 27 de outubro de 2012
domingo, 21 de outubro de 2012
SERÁ?
Fé é nostalgia. É um nó na garganta. A fé é mais um
passo adiante do que uma posição, mais um pressentimento do que uma
certeza. A fé é espera. Ela está caminhando no tempo e no espaço. Portanto,
se alguém se chega a mim e me pede para
falar sobre minha fé, é exatamente sobre essa jornada no tempo e no espaço que
falo. Os altos e baixos das lágrimas, os sonhos, os momentos particulares, as intuições. Falo sobre a sensação ocasional que
tenho de que a vida não é uma sequência
de eventos que gera outros eventos tão a esmo, quanto uma tacada no jogo
de bilhar faz que as bolas se afastem em diferentes direções, mas que a vida
tem um roteiro, assim como num romance -
aqueles eventos que, de algum modo, nos levam a algum lugar.
Buechner
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
O ENSINO DA GRAMÁTICA - RUBEM FONSECA
Você está triste?
Não sei. Talvez.
Tristeza dá câncer, sabia?
Pensei que dava verruga no nariz.
Estou falando sério.
Ultimamente você vive falando sério.
Quando eu brincava você reclamava.
Nem tanto ao mar nem tanto à terra.
Você colocou vírgula depois de mar.
Estou falando, não estou escrevendo.
Mas na sua fala tinha uma vírgula depois de mar?
Não. Você está fazendo uma análise sintática e morfológica da frase?
Na frase há o uso da figura de sintaxe chamada elipse.
Chega. É por coisas assim que eu não quero mais viver com você.
Porque eu sei gramática e você não?
Entre outras coisas.
Não gosta mais de foder comigo?
Usarei uma elipse aqui. Ou melhor, uma zeugma.
Zeugma é um substantivo masculino.
Um zeugma, então.
Significando?
Que é fácil subentender.
Subentender por que você não gosta mais de foder comigo?
Precisamente. Pensa.
Estou pensando e não consigo.
Pensa em nós dois na cama.
Você sempre se manifesta pomposamente na hora do orgasmo.
Pomposamente? Explica.
Exibição de magnificência sensual. Mímica.
Mímica?
Mímica. Muito bem-feita.
Vou fazer as malas. Diga: já vai tarde.
Já vai tarde.
E esses olhos úmidos de lágrimas?
Mímica.
Acho que vou ficar mais um pouco.
Um pouco?
Uns dias.
Dias?
Pensando bem, uns meses. Mas você me ensina gramática durante esse tempo.
Então deixa de ficar triste.
Tenho uma razão. Já estou com câncer.
Jura?
Juro. Pulmão. O cigarro.
Meu amor, vou cuidar de você.
Mas antes me ensina gramática
Texto extraído de "Axilas e outras histórias indecorosas", de Rubem Fonseca, Editora Nova Fronteira - 2011
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