O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós.
JEAN-PAUL SARTRE

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

André Paul Guillaume Gide (Paris, 22 de Novembro de 1869 — Paris, 19 de Fevereiro de 1951)

André Gide - Recebeu o Nobel de Literatura de 1947. Oriundo de uma família da alta burguesia, foi o fundador da Editora Gallimard e da revista Nouvelle Revue Française. Gide não somente era homossexual assumido, como também falava abertamente em favor dos direitos dos homossexuais, tendo escrito e publicado, entre 1910 e 1924, um livro destinado a combater os preconceitos homofóbicos da sociedade de seu tempo, Corydon.



«Na frente de certos ricos, como não se sentir uma alma de comunista?"

"Nada impede mais a felicidade do que a lembrança da felicidade."

"Todas as coisas já foram ditas, mas como ninguém escuta é preciso sempre dizer de novo."

"Crê nos que buscam a verdade, duvida dos que a encontram."
"As mentiras mais detestáveis são as que mais se aproximam da verdade."

domingo, 10 de novembro de 2013

Friedrich Schiller

Johann Christoph Friedrich von Schiller (Marbach am Neckar, 10 de Novembro de 1759 — Weimar, 9 de Maio de 1805), mais conhecido como Friedrich Schiller, poeta, filósofo e historiador alemão. Schiller foi um dos grandes homens de letras da Alemanha do século XVIII, e juntamente com Goethe,Wieland e Herder é representante do Romantismo alemão e do Classicismo de Weimar.
Beethoven imortalizou o seu poema «Ode à Alegria», na sua última sinfonia, a Nona.
Neste poema Schiller expressa uma visão idealista da raça humana como irmandade, uma visão que tanto este como Beethoven partilhavam.
Este poema não foi oficialmente adoptado nem pelo Conselho da Europa, nem posteriormente pela União Europeia, permanecendo como um hino sem letra, pois a música é uma linguagem universal e obtém o mesmo efeito, este Hino expressa os ideais de liberdade, paz e solidariedade, ideais estes que a Europa e as suas instituições como um todo querem e ambicionam prosseguir. (VÊ-SE!!!!)

Síntese de Ode à Alegria: Escuta irmão esta canção da alegria Um canto alegre de quem espera um novo dia. Vem,canta, sonha cantando, Vive esperando um novo sol Em que os Homens voltarão a ser irmãos.



sexta-feira, 8 de novembro de 2013

FERNANDO PESSOA O «JANOTA»

As fotografias de Fernando Pessoa, podem revelar uma pessoa sem grandes preocupações na forma como se vestia. É verdade que Pessoa, passou por dificuldades económicas e teve dívidas, mas nunca sucumbiu à miséria.
Fernando Pessoa gostava de vestir bem. Por vezes teve que recorrer à venda de livros já lidos, para ter dinheiro, muito dele para comprar roupas e acessórios nas casas mais requintadas de Lisboa, como a Camisaria Pitta. Os familiares sempre disseram que Pessoa andava sempre bem arranjado, de colarinhos bem engomados e gostava de vestir com um certo rigor. Seria o que se dizia então um «janota», mas ser «janota» ficava caro, até teve uma alta conta num dos alfaiates mais conceituados de Lisboa, Lourenço & Santos, Lda. O próprio Fernando Pessoa faz referência no seu diário, entrada em 30 de Novembro de 1915: «Há noite fiquei satisfeito de ouvir duas referências diferentes (do Cortês-Rodrigues e do Perdigão), ao facto de eu estar bem vestido (Oh, eu!)».
No fim da sua vida Fernando Pessoa recebeu o Prémio Antero de Quental, quantia de 5000$00, pelo seu livro «Mensagem». Oito meses depois de receber este dinheiro morreu no Hospital São Luís dos Franceses, é de pensar que o poeta viveu esses meses num justíssimo desafogo, mas o facto de ter morrido sem deixar dívidas, revela que também as saldou todas.
Escritor David Soares

Retrato exposto na Casa Fernando Pessoa, feito pelo pintor Adolfo Rodriguez Castañe, um dos seus amigos.

sábado, 2 de novembro de 2013

Odysséas Elýtis


Odysséas Elýtis (Heraclião, Creta, 2 de Novembro de 1911 — Atenas, 18 de Março de 1996), poeta grego, distinguido com o Prémio Nobel de Literatura em 1979.
Após conhecer a poesia de Paul Eluárd, abandonou o curso de direito para dedicar-se 
inteiramente à poesia. Elýtis, segundo ele próprio, "procurava no Surrealismo o clima propício a sua 'vitalidade libertária', preservando o mecanismo da construção mítica, mas não as figuras da mitologia.
Seu principal trabalho, escrito durante quatorze anos e publicado em 1959, é Axion Esti, um poema que tenta identificar os elementos vitais nos três mil anos de história e tradição da Grécia e onde imagens do sol e do mar misturam-se com a liturgia Ortodoxa e os elementos pagãos com o Cristão. Outros trabalhos incluem Ανοιχτά χαρτιά ("Anoichtá chartiá", ou seja, "Papéis abertos"), importante colectânea de ensaios sobre literatura.

Não me lembrava deste Nobel, a poesia nunca tem a expansão comercial da prosa e mesmo aqui na Internet, nada se encontra por aqui em português.


El concierto de los jacintos

I
Ponte un poquito más cerca del silencio y recoge los cabellos de esta noche que sueña, desnudo su cuerpo. Tiene
muchos horizontes, muchas brújulas, y un destino que arde incansable cada vez y sus cincuenta y dos papeles. Después
vuelve a empezar con otra cosa - con tu mano, que le da perlas para hallar un deseo, una islita de sueño.
Ponte un poquito más cerca del silencio y abraza la enorme ancla que gobierna en los abismos. Dentro de poco estará en
las nubes Y tú no entenderás, mas llorarás, llorarás para que yo te bese y cuando vaya a abrir una brecha en la mentira,
un pequeño tragaluz azul cielo en la ebriedad, me morderás.
Sombra celosa de mi alma, engendradora de una música en el claro de luna.

Ponte un poquito más cerca de mí.

De "Orientaciones"
Ediciones del oriente y del mediterráneo 1996
Versión de Ramón Irigoyen

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

JOHN KEATS



Ao Outono

I

Estação de névoas e frutífera suavidade,
Amiga do peito do sol maduro;
Conspiras como ele como espargir e abençoar
Com frutas as videiras nos beirais de palha;
Arqueias com maçãs os ramos musgosos,
Preenches até o fim de madurez as frutas;
Inflas as cabaças e farta as cascas das avelãs
Com doce cerne; fazes brotar mais
E mais, flores tardias às abelhas,
Até que pensem jamais findar-se-ão os dias quentes,
Pois o Verão transbordou suas meladas colméias.

(...)
[Mais poemas em: http://john-keats.tumblr.com/Poemasemportuguês

John Keats (Londres, 31 de Outubro de 1795 - Roma, 23 de Fevereiro de 1821). Juntamente com Lord Byron e Percy Bysshe Shelley, foi uma das principais figuras da segunda geração do movimento romântico. A poesia de Keats é caracterizada por um imaginário sensual, mais visível na sua série de odes.
O trabalho de Keats raramente foi bem recebido pelo público e pelos críticos. Indiferente a isso, ele escreveu com abundância e qualidade, por toda a sua curta vida. Entre 1818 e 1819, concentrou-se em dois poemas importantes: Hyperion (inacabado), em versos brancos, sob a influência de John Milton, e La Belle Dame Sans Merci.
Abandonou a carreira médica para dedicar-se à literatura e começou a escrever o longo poema Endymion em 1818, que foi violentamente criticado. Tais críticas, no entanto, apenas estimularam o poeta.
No ano em que se publica Endymion, Keats encontrou Fanny Brawne, a grande paixão da sua vida. Teve que separar-se dela em 1820, devido à tuberculose que havia contraído. Foi para a Itália, onde morreu poucos meses depois. Sobre seu túmulo, no Cemitério Protestante de Roma, foi esculpida a inscrição que ele mesmo redigira: Here lies one whose name was writ in water (Aqui descansa um homem cujo nome está escrito sobre a água).
Keats, o último e maior dos poetas românticos ingleses, exerceria uma profunda influência sobre Tennyson, Robert Browning, pré-rafaelitas e outros.
"Se a poesia não surgir tão naturalmente como as folhas de uma árvore, é melhor que não surja mesmo".

"O prazer visita-nos muitas vezes; mas a mágoa agarra-se cruelmente a nós".

"No mesmo templo do deleite / A velada Melancolia tem o seu santuário".

"'Beleza é verdade, verdade é beleza' - isto é tudo / o que conheceis sobre a Terra, e é tudo o que precisais conhecer".

"Oh, se eu ao menos pudesse ter uma vida de sensações em vez de uma vida de pensamentos".

(WIKI)

domingo, 27 de outubro de 2013

DYLAN THOMAS



Em Meu Ofício ou Arte Tacicturna

Em meu ofício ou arte taciturna
Exercido na noite silenciosa
Quando somente a lua se enfurece
E os amantes jazem no leito
Com todas as suas mágoas nos braços,
Trabalho junto à luz que canta
Não por glória ou pão
Nem por pompa ou tráfico de encantos
Nos palcos de marfim
Mas pelo mínimo salário
De seu mais secreto coração.
Escrevo estas páginas de espuma
Não para o homem orgulhoso
Que se afasta da lua enfurecida
Nem para os mortos de alta estirpe
Com seus salmos e rouxinóis,
Mas para os amantes, seus braços
Que enlaçam as dores dos séculos,
Que não me pagam nem me elogiam
E ignoram meu ofício ou minha arte.
(tradução: Ivan Junqueira)



Dylan Marlais Thomas (Swansea, 27 de Outubro de 1914 – Nova Iorque, 9 de Novembro de 1953).
O pai de Dylan Thomas, recitava-lhe Shakespeare e desde miúdo ficou fascinado pela língua. Aos 16 anos deixou os estudos e foi trabalhar para um jornal. Acabou por deixar o emprego para se dedicar completamente à poesia, foi nessa altura, que Thomas escreveu mais de metade dos seus poemas. Thomas com vinte anos, mudou-se para Londres, ganhou o prémio Poet's Corner e publicou o seu primeiro livro, 18 Poemas, com grande sucesso. Durante este período de sucesso, Thomas começou a abusar do álcool.
Ao contrário dos seus contemporâneos, Thomas não estava preocupado com a exibição de temas de questões sociais e intelectuais, e a sua escrita, com o seu lirismo intenso e altamente carregada emoção, tem mais em comum com a tradição romântica.
O poeta foi aos Estados Unidos. Teatral, romântico e dado a grandes bebedeiras, tornou-se numa figura lendária nos EUA e um ídolo para a geração dos poetas da chamada Geração Beat.
Arrebatou plateias com a sua voz grave ao ler os seus versos em teatros e universidades. Sabe-se que o jovem cantor e compositor americano Robert Allen Zimmerman, adoptou o nome Bob Dylan em homenagem ao poeta galês.
Dylan Thomas morreu de alcoolismo, aos 39 anos.

"Respirei fundo e escutei o velho e orgulhoso som do meu coração. Eu sou, eu sou, eu sou."

ESPELHO

Sou de prata e exacto. Não faço pré-julgamentos.
O que vejo engulo de imediato
Tal como é, sem me embaraçar de amor ou desgosto.
Não sou cruel, simplesmente verídico —

O olho de um pequeno deus, de quatro cantos.
Reflicto todo o tempo sobre a parede em frente.
É rosa, manchada. Fitei-a tanto
Que a sinto parte do meu coração. Mas cede.
Faces e escuridão insistem em separar-nos.

Agora eu sou um lago. Uma mulher se encosta a mim,
Buscando na minha posse o que realmente é.
Mas logo se volta para aqueles farsantes, o brilho e a lua.
Vejo as suas costas e reflicto-as na íntegra.
Ela paga-me em choro e em agitação de mãos.
Eu sou importante para ela. Ela vai e vem.
A cada manhã a sua face alterna com a escuridão.
Em mim se afogou uma menina, e em mim uma velha
Salta sobre ela dia após dia como um peixe horrível.

Sylvia Plath, nasceu na Jamaica Plain, Massachusetts a 27 de Outubro de 1932. Poetisa, romancista e contista.
Reconhecida principalmente pela sua obra poética, Sylvia Plath escreveu também um romance semi-autobiográfico, "The Bell Jar", com detalhes da sua luta contra a depressão. Como Anne Sexton, Sylvia Plath é considerada por dar continuidade ao género de poesia confessional.
Suicidou-se em Primrose Hill, Londres, a 11 de Fevereiro de 1963