JEAN-PAUL SARTRE
domingo, 13 de novembro de 2011
«FUGA PARA O BARROCO»
Ouviu-se: Mendelssohn, Respighi, Stravinsky
Heitor Villa-Lobos, Aldemaro Romero e Alberto Ginasterra.
Destaco Villa-Lobos, «Bachianas Brasileiras nº 9», que alude ao maior compositor do período barroco, Johann Sebastian Bach. Composto em dois andamentos, Prelúdio e Fuga.
Do programa: «A Fuga é um verdadeiro monumento de contraponto digno de Bach e o seu final é verdadeiramente grandioso. O seu ritmo, estruturada num compasso de 11 tempos (5+6), cria um efeito simultâneamente sincopado e irregular».
Não foi por acaso que escolhi este vídeo, no mesmo é apresentada obras do pintor Cândido Portinari, um pintor que muito aprecio. Nas suas obras, o pintor retratou questões sociais e aproximou-se da arte moderna europeia. As suas pinturas aproximam-se do cubismo, surrealismo e dos pintores muralistas mexicanos, sem, contudo, se distanciar totalmente da arte figurativa e das tradições da pintura. O resultado é uma arte de características modernas.
sábado, 12 de novembro de 2011
MEMÓRIA
A memória é uma caixa cheia de gavetas, onde vamos arrumando o que vivemos, retendo informação. Sem ela não teríamos passado, apenas o presente. Retemos umas coisas e outras não, porque a memória regista a informação de modo a ocupar o menor espaço possível, e o esquecimento faz parte dessa arrumação. Do ponto de vista emocional, seria complicado se o tempo não esbatesse algumas memórias que vivemos há 10 anos, porque seria como se as continuássemos a viver agora.
Por vezes temos um nome debaixo da língua que não quer sair, este fenómeno revela a dificuldade na recordação de palavras que a pessoa conhece. O cérebro tem uma conceptualização ou imagem, mas que por uma qualquer alteração nas redes neuronais, não está a fazer ligação com a linguagem (léxico). Aí convém desviar a atenção para outra situação, porque a palavra acabará por surgir.
Com a idade surgem queixas de memória, sendo importante saber se fazem parte de um processo normal associado ao envelhecimento ou se traduzem um processo de deterioração cognitiva. Sabe-se hoje, por exemplo, que a depressão também afecta a memória, o que torna mais difícil o diagnóstico diferencial entre depressão, demência e envelhecimento.
Deve ser feito um rastreio que consiste na aplicação de alguns testes breves que ajudam a chegar a uma conclusão, ie a escala de Queixas Subjectivas de Memória, que foca alguns aspectos relacionados com o funcionamento da memória no dia-a-dia.
Existem outros factores que influenciam o desempenho da memória, como é o caso de alguns medicamentos ou certos estilos de vida que, provocando muito «stress» ou preocupações, tornam difícil registar informação nova. A ansiedade também é importante, porque interfere com os mecanismos de atenção, dificultando a codificação da informação.
Tão importante como o exercício físico, é "exercitar o cérebro". Estes exercícios de estimulação cognitiva passam por criar hábitos de leitura e escrita, motivar a capacidade de atenção, entre outras coisas.
Por vezes recorda-se com mais facilidade o que aconteceu na infância, do que aconteceu no dia anterior. As memórias antigas (memória remota) estão consolidados e armazenadas em áreas diferentes em relação às memórias recentes. O que aconteceu recentemente está em córtex cerebral e depois passa para o hipocampo (estrutura que permite a consolidação da informação).
fotos-mssábado, 5 de novembro de 2011
AMEAÇAS E DESAFIOS...

Há uma profunda falta de liderança política e a sua face mais visível é a crise económica e financeira. Também o Sistema Terra continua a sofrer, com completa indiferença pelos nossos interesses e preocupações humanos, na sua mudança acelerada, que vai do clima à biosfera. Os estudos preparatórios para o 5º. Relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas é de grande complexidade. Mais do que nunca estadistas, estrategistas e cientistas têm de estar lado a lado na monitorização da evolução do estado ambiental e climático do planeta. Complexidade, na medida em que as alterações climáticas se ligam a outros problemas da habitação comum da Terra que aguardam por solução urgente, como é o caso da urgência de uma nova política energética que nos liberte da dependência de combustíveis fósseis, que além de poluentes, trazem consigo o risco da multiplicação de disputas violentas dada a sua crescente escassez.
Outro aspecto a considerar é a escala e a natureza da ameaça. As alterações climáticas constituem o melhor exemplo da globalização da ameaça. Uma ameaça cuja natureza é de um novo tipo, ontológico. Não se prende com a projecção espacial e territorial do poder, mas com a metamorfose intrínseca desse espaço e desse território pela acção desmesurada e colateral do poder humano ( incluindo aqui a violenta capacidade de transformação plástica dos ecossistemas por parte da tecnociência).
Um outro desafio implica a aceitação dos limites dos meios militares para fazer face a esta nova ameaça. Curiosamente, o pensamento estratégico já enfrentou no passado uma situação semelhante, quando a possibilidade de autodestruição da humanidade, num quadro de Mutual Assured Destruction, acabou por fazer do não uso das armas nucleares a melhor doutrina do seu planeamento e desenvolvimento.
Urge perante as alterações climáticas a cooperação compulsiva entre os Estados e outros atores da política internacional. Hoje, as ameaças que pairam sobre o clima e o ambiente mundiais têm no uso de um património comum, a atmosfera, o centro nevrálgico do problema e a sua eventual solução. A atmosfera planetária é hoje um tema político de segurança nacional e mundial. Nenhum país pode decretar uma soberania exclusiva sobre a «sua» atmosfera, sem com isso incorrer num ato de hostilidade para com o resto dos parceiros da comunidade internacional.
Não há meios para expandir fisicamente a atmosfera, mas há meios para uma gestão mais sustentável. A multiplicação de vagas de refugiados ambientais, de conflitos entre Estados (cada vez mais débeis ou mesmo falhados) e dentro de Estados pela disputa de recursos naturais cada vez mais escassos, poderá ainda ser uma realidade ainda mais violenta se não compreendermos todas as dimensões de segurança envolvidas na ameaça ambiental e climática em rápida aceleração.
São desafios para um futuro breve, resta saber se haverá coragem para enfrentar as ameaças à segurança comum em ordem unida e com uma forte cadeia de comando. Ou se, pelo contrário, preferem continuar a regredir em direção à fragmentação e à insignificância.
Seguindo o pensamento de Viriato Marques Soromenho JL
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
É FELIZ?, a pergunta repete-se ao longo de um dos mais emblemáticos documentários de Jean Rouch, «CHRONIQUE D’UN ETÉ, assinado também por Edgar Morin.
Cinema verdade, sem encenação, sem história premeditada, apenas explorando um tema, com o recurso de meios técnicos leves, para que a busca da verdade possa ser captada de imediato.
“É uma experiência verdadeiramente emocionante, esta que o documentário directo nos proporciona, a de poder acompanhar passo a passo, examinar como num microscópio, uma conversa, a mais banal que seja; observar de que modo nascem as palavras, que gestos as acompanham, deter-se sobre um acontecimento de segundos, reter no tempo algo que aconteceu uma só vez e que jamais voltará a repetir-se”. MORIN
Chronique d‘un été surpreendeu pelo encanto espontâneo das expressões quotidianas colhidas pela câmara de filmar, mesmo nas pequenas observações diante da pergunta “o senhor é feliz?” que Marcelline e Nadine, as duas entrevistadoras, levam às pessoas nas ruas de Paris. O rápido diálogo com um policial encontrado ao acaso:
Você é feliz?
Não
Não? Você não é feliz? Porquê? Fazemos uma pesquisa sociológica
Em civil eu responderia, mas com a farda...
Você não pode responder?
Não, com a farda não. À paisana eu teria respondido.
A resposta do estudante Jean-Pierre
Sim eu vivo, efectivamente eu vivo, e sem dúvida muito melhor que a maior parte dos estudantes de minha idade. Mas vivo bem na medida em que aceito compromissos terríveis. Vivo bem porque aceito estes compromissos, na medida em que aceito que a vida não seja assim como desejaria que ela fosse.
A confissão sofrida de Marilou, que esconde o rosto, desvia o olhar, fala e não fala, diz que não se pode dizer o que ela quer dizer
Mais forte que tudo é o medo... O medo, apesar de tudo, o medo... medo de me encontrar completamente só. Completamente... isolada. Queria ter um emprego que não me fizesse medo... e viver com alguém que... que –
que é que você quer que eu diga?... não se pode falar destas coisas.
o comentário de Jacques operário da Renault
Para mim o trabalho é tempo perdido. É preciso vencer o aborrecimento que é ir para o trabalho todo o dia, ir para um trabalho que não me interessa, um trabalho – como dizer? – no qual não encontro nenhum interesse, nenhum sentido. E no entanto é necessário, é preciso fazê-lo, suportá-lo, até as seis da noite, não é? Depois das seis procuro voltar a ser eu mesmo. Existe um empregado até as seis da tarde, depois um outro homem, uma pessoa em tudo diferente.
Alguns entrevistados sentem-se intimidados diante da câmara, outros, reagem falsamente, interpretam. Talvez se deva falar da possibilidade de um novo cinema verdade não como um meio ou o meio de revelar a verdade por meio de um filme, mas como um modo de actualizar algo sonhado|esboçado a certa altura da história do cinema (por realizadores de documentários, mas não só) a de fazer um cinema que se coloque de verdade diante a realidade.