O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós.
JEAN-PAUL SARTRE

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

domingo, 13 de outubro de 2013

ALEISTER CROWLEY E FERNANDO PESSOA: O MISTÉRIO

Aleister Crowley, (Royal Leamington Spa, 12 de Outubro de 1875  Hastings, 1 de Dezembro de 1947), foi um membro da Ordem Hermética da Aurora Dourada e influente ocultista britânico, responsável pela fundação da doutrina ou filosofia Thelema. Foi o co-fundador da AA e eventualmente um líder da O.T.O.. É conhecido hoje em dia por seus escritos sobre magia, especialmente o Livro da Lei, o texto sagrado e central da Thelema, apesar de ter escrito sobre outros assuntos esotéricos como magia cerimonial e a cabala.
Crowley também era mago, hedonista, usuário recreacional de drogas, e crítico social. Em muita de suas façanhas ele "iria contra os valores morais e religiosos do seu tempo", era um libertário e a regra era, "Faz o que tu queres". Por causa disso, ele ganhou larga notoriedade na sua vida, e foi declarado pela imprensa do tempo como "O homem mais perverso do mundo."  Além de suas atividades esotéricas, era também um premiado jogador de xadrez, um alpinista, poeta e dramaturgo.
Em 2001, a BBC descrevia Crowley como sendo o septuagésimo terceiro maior britânico de todos os tempos, por influenciar e ser referenciado por numerosos escritores, músicos e cineastas, incluindo Jimmy Page, Alan Moore, Bruce Dickinson, Ozzy Osbourne, Raul Seixas, Marilyn Manson, Kenneth Angere Celso Junior


Fernando Pessoa interessava-se pelo ocultismo e pelo misticismo, com destaque para a Maçonaria e a Rosa-Cruz (embora não se lhe conheça qualquer filiação concreta em Loja ou Fraternidade dessas escolas de pensamento), havendo inclusive defendido publicamente as organizações iniciáticas no Diário de Lisboa (4 de Fevereiro de 1935), contra ataques por parte da ditadura do Estado Novo. O seu poema hermético mais conhecido e apreciado entre os estudantes de esoterismo intitula-se "No Túmulo de Christian Rosenkreutz". Tinha o hábito de fazer consultas astrológicas para si mesmo.
Apreciava também muito o trabalho de Helena Blavatsky tendo inclusive traduzido, em 1916, A Voz do Silêncio, assim como lhe suscitava muita curiosidade o famoso ocultista Aleister Crowley, tendo-lhe traduzido o poema Hino a Pã. Certa vez, lendo uma publicação inglesa de Crowley, encontrou erros no horóscopo e escreveu-lhe para o corrigir. Os seus conhecimentos de astrologia impressionaram Crowley e, como este gostava de viagens, veio  a Portugal conhecer o poeta. Acompanhou-o a maga alemã Hanni Larissa Jaeger . O encontro entre Pessoa e Crowley ocorreu com algum sensacionalismo, dado o Poeta Inglês ter simulado o seu suicídio na Boca do Inferno, o que atraiu várias polícias Europeias e a atenção dos média da época. Pessoa estaria dentro da encenação, tendo combinado com Crowley a notificação dos jornais e a redacção de um "romance policial" cujos direitos reverteriam a favor dos dois poetas. Apesar de ter escrito várias dezenas de páginas, essa obra de ficção nunca foi concretizada.
(Wikipédia)

Segundo João Gaspar Simões, biógrafo de Fernando Pessoa, esse viria a conhecer “um estranho homem, cuja complexidade e desenvoltura se acusam os traços típicos desse misto de charlatão e inspirador que o nosso tímido mistificador debalde procurou ser”.
João Gaspar Simões escreveu ainda que Fernando Pessoa ficou muito preocupado com a não esperada visita “daquele feiticeiro – cuja espantosa biografia lhe fora dado a conhecer lendo a história das suas estranhas aventuras”.
Crowley chegou a Lisboa no dia 2 de Setembro de 1930 acompanhado pela Mulher Escarlate (Miss Hanni Larissa Jaeger, sua assistente), a bordo do “Alcântara”, depois de ter ficado retido em Vigo durante um dia, devido a um intensíssimo nevoeiro. “Em terra”, Fernando Pessoa, transido e tímido, vê avançar para ele um homem alto, espadaúdo, envolto numa capa negra, cujos olhos, ao mesmo tempo maliciosos e satânicos, o fitam repreensivamente, enquanto exclama: “Então que ideia foi essa de me mandar um nevoeiro lá para cima”?  - João Gaspar Simões, in Vida e Obra de Fernando Pessoa – História duma Geração.

Por fim foram para o Hotel l’Europe, e só depois para o Hotel Paris, no Estoril.
Depois da chegada, Fernando Pessoa só esteve com eles por duas vezes, tendo uma sido no Estoril, e a outra em Lisboa.
Porém, no dia 18 de Setembro, Fernando Pessoa recebeu uma carta de Crowley, contando-lhe que Miss Jaeger havia tido, duas noites atrás, um “formidável” ataque de histerismo, deixando o Hotel Miramar de pantanas, e que de manhã, não havia sinal nenhum dela, havia simplesmente desaparecido.
Ainda no dia 18, Crowley foi para Lisboa e encontrou-se com Fernando Pessoa, mostrando-se preocupadíssimo com Miss Jaeger, dizia que estava perturbada e tinha o desejo de se suicidar, pois se achava perseguida por um mago negro chamado Yorke.
Acabou por nunca encontrar Miss Jaeger, nem a detectaram em parte alguma da fronteira, a sair do país em que momento fosse.
Crowley ficou em Lisboa até dia 23 de setembro, seguindo depois para Sintra, onde ficou por alguns dias no Casal de Santa Margarida, casa do dono do negócio da Shell em Portugal.
No entanto… Fernando Pessoa afirma ter visto Crowley por duas vezes no dia 24, sendo que uma dessas vezes foi no Rossio, e outra no Cais do Sodré, a entrar na Tabacaria Inglesa. Em ambas não estava a uma distância que Crowley pudesse entrar em contacto.
A Polícia Internacional viria a dizer tempos depois, no fim do mistério e para o mais adensar, que Crowley havia passado a fronteira no dia 23.
Entretanto, no dia 25, Augusto Ferreira Gomes, um amigo ocultista de Fernando Pessoa, jornalista de Notícias Ilustre encontra acidentalmente junto à Boca do Inferno em Cascais, uma cigarreira (de Aleister Crowley) com uma mensagem debaixo dela.

Segundo os fatos que todos possuíam, Aleister Crowley tinha ido para Sintra no dia 23, saído do país no dia 23, sido visto em Lisboa no dia 24, e no dia 25 a (sua suposta) mensagem era encontrada à beira da Boca do Inferno.
A mensagem era a seguinte:

L.G.P.
                        Ano 14, Sol em Balança
Não posso viver sem ti. A outra “Boca do Infierno” (sic) apanhar-me-á — não será tão
quente como a tua.
        Hisos
                                Tu LiYu.


O grande mistério é: Aleister Crowley foi fotografado em Londres jogando Xadrez com Fernando Pessoa anos após seu suposto suicídio.



O suicídio de Crowley teria sido apenas uma mistificação em que Fernando Pessoa colaborou?
Se sim, qual foi o motivo para que elaborassem tal plano? E o que aconteceu com Miss Jaeger?
Se não foi Crowley, quem cruzou a fronteira do país no dia 23 de setembro?

UM MISTÉRIO!!!



domingo, 22 de setembro de 2013

SCHOPENHAUER - Die Welt als Wille und Vorstellung - PARA LER E RELER

  "As religiões são como vaga-lumes: para brilhar precisam das trevas."
 "A riqueza influencia-nos como a água do mar. Quanto mais bebemos, mais sede temos".
"Quanto mais claro é o conhecimento do homem – quanto mais inteligente ele é – mais sofrimento ele tem; o homem que é dotado de génio sofre mais do que todos."
"Toda criança é, de certo modo, um génio  E todo génio é, de certo modo, uma criança."
"As causas não determinam o carácter da pessoa, mas apenas a manifestação desse carácter, ou seja, as acções."
"A felicidade não passa de um sonho, e a dor é real... Há oitenta anos que o sinto. Quanto a isso, não posso fazer outra coisa senão me resignar, e dizer que as moscas nasceram para serem comidas pelas aranhas e os homens para serem devorados pelo pesar."
"Na verdade, só existe prazer no uso e no sentimento das próprias forças, e a maior dor é a reconhecida falta de forças onde elas seriam necessárias."
"A modéstia é a humildade de um hipócrita que pede perdão por seus méritos aos que não têm nenhum."
"Decepção contínua e desilusão, bem como a natureza geral da vida, apresentam-se como previsto e calculado para despertar a convicção de que nada vale nossos esforços, nossos esforços e nossas lutas, que todas as coisas boas estão vazias e fugazes, que o mundo em todos os lados está falido, e que a vida é um negócio que não cobre os custos..."

"O que torna as pessoas sociáveis é a sua incapacidade de suportar a solidão e, nela, a si mesmos."
"A compaixão pelos animais está intimamente ligada à bondade de carácter  e pode ser seguramente afirmado que quem é cruel com os animais não pode ser um bom homem".
"O bom humor é a única qualidade divina do homem."
"Em geral, nove décimos da nossa felicidade baseiam-se exclusivamente na saúde. Com ela, tudo se transforma em fonte de prazer."
"Assim como a cera, naturalmente dura e rígida, torna-se, com um pouco de calor tão moldável que se pode levá-la a tomar a forma que se desejar, também se pode, com um pouco de cortesia e amabilidade, conquistar os obstinados e os hostis."
"Toda vez que a alegria se apresentar devemos abrir-lhe a porta e o portão, pois ela nunca é inoportuna."
"Sentimos a dor mas não a sua ausência."
"Casar-se significa duplicar as suas obrigações e reduzir pela metade dos seus direitos."O que um indivíduo pode ser para o outro, não significa grande coisa, no fim cada qual acaba só. Ser feliz, diz Aristóteles, é bastar-se a si mesmo."
"Nada merece nosso esforço, todas as coisas boas são apenas vaidades, o mundo é uma bancarrota e a vida, um mau negócio, que não paga o investimento. Para ser feliz, é preciso ser como as crianças: ignorante."
"Embora sejam muitas as coisas más deste mundo, a pior dentre todas é a sociedade."
"Em geral, chamamos de destino as asneiras que cometemos."
"A descoberta da verdade é impedida de forma mais eficiente não pela aparência falsa das coisas que iludem e induzem ao erro, nem directamente pela fraqueza dos poderes de raciocínio, mas pela opinião preconcebida e pelo preconceito."


domingo, 25 de agosto de 2013

DAVID HUME

David Hume (Edimburgo, 7 de Maio de 1711  Edimburgo, 25 de Agosto de 1776), filósofo, historiador e ensaísta escocês que se tornou célebre por seu empirismo radical e seu ceticismo filosófico. Hume opôs-se particularmente a Descartes e às filosofias que consideravam o espírito humano desde um ponto de vista teológico-metafísico. Teve profunda influência sobre Kant, sobre a filosofia analítica do início do século XX e sobre a fenomenologia. (Wikipédia)


A Nossa Prodigiosa Parcialidade
Todos nós temos uma prodigiosa parcialidade em favor de nós mesmos, e, se déssemos sempre vazão a esses nossos sentimentos, causaríamos a maior indignação uns aos outros, não somente pela presença imediata de um objecto de comparação tão desagradável, mas também pela contrariedade dos nossos respectivos juízos. Assim, do mesmo modo que estabelecemos o direito natural para assegurar a propriedade dentro da sociedade e impedir o choque entre interesses pessoais, também estabelecemos as regras da boa educação, a fim de impedir o choque entre os orgulhos dos homens e tornar o seu relacionamento agradável e inofensivo. Nada é mais desagradável que um homem com uma imagem presunçosa de si mesmo, embora quase todo o mundo tenha uma forte inclinação para esse vício. 

David Hume, in 'Tratado da Natureza Humana'

"O hábito é o grande guia da vida  humana."
"A beleza não é uma qualidade inerente às coisas. Ela existe apenas na mente de quem as contempla."

"Em nossos raciocínios a respeito dos fatos, existem todos os graus imagináveis de certeza. Um homem sábio, portanto, ajusta sua crença à evidência."

"A natureza, por uma necessidade absoluta e incontrolável determinou-nos para julgar, assim como para respirar e sentir"



sábado, 24 de agosto de 2013

Léo Ferré (Mónaco, 24 de Agosto de 1916 - Castellina in Chianti, Itália, 14 de Julho de 1993) poeta, anarquista e músico.

O elevado nível poético das letras das suas numerosas canções costuma reflectir um inconformismo radical de cunho anarquista e a qualidade da música e da interpretação situam-no nos maiores vultos da canção francesa. Autor de duas grandes séries de canções sobre textos de Baudelaire e Louis Aragon, utilizou também poemas de Ronsard, Apollinaire, Arthur Rimbaud entre outros.


sábado, 17 de agosto de 2013

Millôr Fernandes

Milton Viola Fernandes (Rio de Janeiro, 16 de Agosto de 19231 — 27 de Março de 2012), mais conhecido como Millôr Fernandes, desenhista,humorista, dramaturgo, escritor, tradutor e jornalista brasileiro.

Terrível é o pensar./ Eu penso tanto / E me canso tanto com meu pensamento / Que às vezes penso em não pensar jamais./ Mas isto requer ser bem pensado / Pois se penso demais / Acabo despensando tudo que pensava antes / E se não penso / Fico pensando nisso o tempo todo./

Anatomia é uma coisa que os homens também têm, mas que, nas mulheres, fica muito melhor."
"Chato, é aquele que explica tudo tim-tim por tim-tim... e depois ainda entra em detalhes."

"Esta semana, mais um recorde da Loteria Esportiva: vinte e seis milhões, quatrocentos e vinte mil, trezentos e oito perdedores".

"O bom da gente ser pobre, triste, feio, doente e velho é que nada pior nos pode acontecer".

"Diz que o grande erro de Noé foi que ele botou na Arca apenas dois animais de cada espécie, mas quando chegou a vez dos burros deixou entrar todos".

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

William Blake (Londres, 28 de Novembro de 1757 — Londres, 12 de Agosto de 1827) poeta, tipógrafo e pintor inglês, sendo a sua pintura definida como pintura fantástica.

Blake viveu num período significativo da história, marcado pelo Iluminismo e pela Revolução Industrial na Inglaterra. A literatura estava no auge, uma espécie de paraíso para os conformados às convenções sociais, mas não para Blake que, nesse sentido era romântico, "enxergava o que muitos se negavam a ver: a pobreza, a injustiça social, a negatividade do poder da Igreja Anglicana e do estado." 
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  « Aquele que se deixa prender por uma Alegria / Rasga as asas da vida; / Aquele que beija a Alegria enquanto ela voa / Vive no amanhecer da Eternidade."

"O amor não busca agradar a si mesmo / Nem destina qualquer cuidado a si próprio / Mas se dá facilmente ao outro, / E constrói um Paraíso no desespero do Inferno.

"A gratidão é o próprio paraíso."

"Se as portas da percepção fossem limpas, tudo apareceria ao homem como realmente é: infinito".

"Ver um mundo em um grão de areia/ e um céu numa flor selvagem/ é ter o infinito na palma da mão/ e a eternidade em uma hora".