O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós.
JEAN-PAUL SARTRE
JEAN-PAUL SARTRE
domingo, 23 de setembro de 2012
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
A MÚSICA VENCE BARREIRAS
West-Eastern Divan Orchestra
VENCEDORA DO PRÉMIO CALOUSTE GULBENKIAN 2012
A orquestra foi criada em 1999 por Edward Said e Daniel Barenboim, junta músicos israelitas, palestinianos e de outros países árabes.
VENCEDORA DO PRÉMIO CALOUSTE GULBENKIAN 2012
A orquestra foi criada em 1999 por Edward Said e Daniel Barenboim, junta músicos israelitas, palestinianos e de outros países árabes.
O presidente do Júri afirmou: ”A escolha da West-Eastern Divan Orchestra é oportuna e exemplar a vários títulos: celebra o poder de comunicação universal da música e a sua capacidade de transcender divisões e conflitos; aposta nos jovens e na sua aptidão em encontrar soluções novas para problemas velhos; é uma chamada de atenção para um conflito que grassa há décadas e se repercute numa região inteira. Mas é também a celebração do valor do diálogo intercultural e do seu contributo para a harmonia e a paz”.
domingo, 2 de setembro de 2012
POEMAS DE BERNARDO PINTO DE ALMEIDA
Dizíamos:
A rota
dos dias é apressada
A
translação do tempo afeta-nos –
A
publicidade dizia:
«A
vida moderna não dá tempo
Para
compreendermos o que se passa à nossa volta.»
Vendia
produtos de parar o tempo
Congelar
o instante – máquinas
Sofisticadas
que parecia servirem
Para
proporcionar mais tempo
Mais
satisfação.
O
tempo
Se
acaso corre a nosso favor
Deixa-nos
abandonados
Sem
pressa sobre uma cama de ervas
Perfume
dos corpos
Enlaçados
– coisas de crianças
Coisas
de amor
Coisas
sem importância.
.../...
TANGO
O teu sexo na minha boca
é a flor que arde: a sua chama
explode táctil abre ruínas onde antes
cidades se erguiam habitadas.
é a flor que arde: a sua chama
explode táctil abre ruínas onde antes
cidades se erguiam habitadas.
Não tem medida a forma
com que as pernas
pontas abertas de uma estrela
se atiram no vazio deste quarto.
com que as pernas
pontas abertas de uma estrela
se atiram no vazio deste quarto.
O teu sexo na minha boca
é um canto. Sonoros seus líquidos
abrem-me na língua um sulco fundo
que traz a luz que espasma na tua boca
é um canto. Sonoros seus líquidos
abrem-me na língua um sulco fundo
que traz a luz que espasma na tua boca
noite a querer fechar-se lá por
dentro.
Mas nem isso me aquieta
nem a sombra que cai nem esse grito
chegam para calar o meu desvairo.
Mas nem isso me aquieta
nem a sombra que cai nem esse grito
chegam para calar o meu desvairo.
O teu sexo na minha boca
é o meu sexo: o seu cheiro
acre que inundando
meu corpo o abre a todo o seu espanto.
é o meu sexo: o seu cheiro
acre que inundando
meu corpo o abre a todo o seu espanto.
Bilhete postal (H.S. 3B)
Aos que fizeram da luta de classes
um negócio
se deitaram das pontes mas com pára-quedas
se despediram do mundo e fundaram outra empresa,
fizeram da dor um carnaval
montaram takeaways de sentimentos
não poderemos senão desejar
os melhores votos de
uma feliz,
rápida,
morte.
se deitaram das pontes mas com pára-quedas
se despediram do mundo e fundaram outra empresa,
fizeram da dor um carnaval
montaram takeaways de sentimentos
não poderemos senão desejar
os melhores votos de
uma feliz,
rápida,
morte.
AS
PALAVRAS SÃO COISAS
Falamos
das coisas e elas acontecem
por
isso ciciamos o que nos pede o corpo
não
são as coisas só aquilo que dizemos
nossas
pobres palavras não as dizem inteiras?
As
palavras são coisas, extremas, luminosas,
quando
tu dizes porta, há uma porta que se abre
quando
tu dizes sexo, há um amor que se cumpre
não
sabemos sequer o poder das palavras
nem
o poder das coisas nem o poder dos rostos.
As
coisas são palavras feridas pela morte
são
agulhas finíssimas que trespassam a noite
os
teus lábios dizem coisas os teus lábios cintilam
por
eles fala o mundo, por eles se faz o oiro
pois
o mundo acontece sempre que o pronuncias.
As Palavras São Coisas #2
Se a tua boca as diz
se no teu rosto as vejo
as palavras são coisas
quando as fere o desejo
e quando dizes mar
e quando dizes norte
não sei se não me acerco
de um bocado de morte
e quando dizes barco
ou quando dizes esfera
há águas que transbordam
e inundam a terra
as palavras são coisas
as palavras são um perigo
se acaso as pronuncias
quando não estás comigo
e quando tu adormeces
muda num sonho fundo
tudo se desvanece
e deixa de haver mundo.
se no teu rosto as vejo
as palavras são coisas
quando as fere o desejo
e quando dizes mar
e quando dizes norte
não sei se não me acerco
de um bocado de morte
e quando dizes barco
ou quando dizes esfera
há águas que transbordam
e inundam a terra
as palavras são coisas
as palavras são um perigo
se acaso as pronuncias
quando não estás comigo
e quando tu adormeces
muda num sonho fundo
tudo se desvanece
e deixa de haver mundo.
Obrigado
Para poderem viver
As pessoas enlouquecem
Dão gritos nas ruas
Agridem os filhos.
Não há mais que loucura
Violência e espanto
As pessoas enlouquecem
Porque a vida é assim mesmo.
Para poderem viver
as pessoas enlouquecem
Porque o silêncio as fere
Lhes rebenta por dentro.
Sobre a cama vazia
Há um que abriu os pulsos
E na rua noite dentro
Há corpos já caídos.
Abrigam-se em silêncio
De um silêncio ainda maior.
Mas o gesto está ferido
Dessa loucura surda.
Se voltam para casa
Não está lá ninguém
Vão falando sozinhos
Para não gritar de medo.
As pessoas enlouquecem
As pessoas enlouquecem
Obrigado pela sua visita.
Volte sempre.
Os livros
Os livros virão ter a minha casa
Pelo noturno vale
Pelos caminhos breves
Pelas sendas de azul
Pelas florestas ao longe
Os livros virão ter junto de mim.
Abro-os numa página
Uma página ao acaso
Lá dentro os teus olhos
Vão olhar-me de frente
Uma página adiante
Ou duas para trás
Hão de ter teus cabelos
Enrolando nos meus.
Uma página em branco
É a tua boca agreste
Como num sobressalto.
Os livros virão ter a minha casa
Mas em cada livro aberto
Em cada letra lida
És sempre tu que estás
Tal como em cada casa
Em cada rua à chuva
Cada montra olhada
Cada dia a dia
É teu corpo que sonho
Teu olhar magoado
Tua voz que cantava
A linha dos teus joelhos
Sobrepondo-se ao mar.
E nesses livros todos
Que me enchem as estantes
Nas suas gravuras secas
Suas letras esguias
Nas palavras que formam
O idioma é só um
A frase diz o mesmo
Só tu saberias
Traduzi-las para mim.
Os livros virão ter a minha casa
De uma qualquer maneira
Talvez pelo correio
Ou por alguém que os traga
Mas eu não saberei lê-los
Nem os seus dizeres se voltam
Para os meus olhos cegos
Desde que tu partiste.
Os livros ficarão
Para sempre guardados
Nesse lugar a que chamo
A minha casa.
Antes
Não, ainda não a lira
Mas o arco antes, o que se tende afiado
Contra a noite numerosa de surpresa
Vai de boca em boca como o vento.
Não, ainda não a boca
Mas os dedos antes, que se estendem de noite
Quase cegos e procuram dentro da escuridão
A tua sombra.
Não, ainda não a sombra
Mas o rosto antes, que a lua ainda ilumina
Mas de repente se volta. E sobre a sua flor
Já cai a morte.
Não, ainda não a morte
Mas a voz antes, a que chora
A que de manso vem
E murmura o teu nome.
Viagem
eu contigo viajo.
Para tempos para lugares
que não sabia: onde
aquele lugar que ainda me espera
secreta coincidência lembra
aquele dia em que chovia.
eu contigo viajo.
Vou de avião. Aqui S. Petersburgo
adiante Miami Tumbuctu Viena
ou mais ao pé da porta o Porto
o Dubai que deixámos para trás
porque o calor demais a arquitectura.
eu contigo viajo.
No teu corpo há um mapa um continente
vulcões de lava acesa noite dentro
se me beijas é para o sul que viajamos
se em ti me afundo o mundo que estremece
é um lugar turbulento nos teus braços o mar
Os dias
Os dias, estes dias,
Estradas antes habitadas pelo fogo, desertos,
Caminhos que não vão dar a parte alguma
Os dias, estes dias.
Tu sabes, eu sei, todos parecem já saber
Que nenhuma coisa nova se prepara.
As rosas continuam a florir
É junho, o verão chega, a vida cai na sombra.
Os dias, estes dias,
São círculos que se fecham sobre si
Janelas que dão sobre altos muros
Saguões, escadas sobre ruas secundárias.
Nenhum sol se levanta o dia é igual
As horas lentas trazem por dentro marcas
De camas desfeitas portas abertas
Cartas esquecidas sobre mesas.
Há um perfume de flores no chão, caídas,
Fio de voz que se suspende,
Lâmina que te rouba do sossego.
A morte assalta-nos: vazia, pobre, estúpida.
Os dias, estes dias
Em que tudo parece feito em cinzas
São os dias dos suicidas, dos amantes
Quando a esperança do amor os abandona.
A ave
A ave que passou muito
lá em cima
O que resta dos gestos o que faz
Com que a voz mesmo por dentro
Se habitue
O que resta dos gestos o que faz
Com que a voz mesmo por dentro
Se habitue
A dor que as coisas têm
pela tarde.
Tudo isso parece acontecer
Num sussurro das coisas rente à vida.
Mas nada disso traz consigo fulgor
Tudo isso parece acontecer
Num sussurro das coisas rente à vida.
Mas nada disso traz consigo fulgor
A moldura dos teus
cabelos soltos
Que te ovalam o rosto num retrato
E do retrato fazem luz ainda sem nome
E da luz voo das aves no céu alto.
Que te ovalam o rosto num retrato
E do retrato fazem luz ainda sem nome
E da luz voo das aves no céu alto.
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
100 ANOS - Nelson Falcão Rodrigues (Recife, 23 de agosto de 1912 — Rio de Janeiro, 21 de dezembro de 1980) foi um importante dramaturgo, jornalista e escritor brasileiro, tido como o mais influente dramaturgo do Brasil.
- "Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico."
- "Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia."
- "Deus me livre de ser inteligente"..
- "Não há nada mais relapso do que a memória. Atrevo-me mesmo a dizer que a memória é uma vigarista, uma emérita falsificadora de fatos e de figuras."
- "O Brasil é muito impopular no Brasil."
- "Qualquer indivíduo é mais importante do que a Via Láctea."
- "O ser humano é cego para os próprios defeitos. Jamais um vilão do cinema mudo proclamou-se vilão. Nem o idiota se diz idiota. Os defeitos existem dentro de nós, ativos e militantes, mas inconfessos. Nunca vi um sujeito vir à boca de cena e anunciar, de testa erguida: 'Senhoras e senhores, eu sou um canalha'."
- "Em nosso século, o 'grande homem' pode ser, ao mesmo tempo, uma boa besta."
- "O jovem tem todos os defeitos do adulto e mais um: o da imaturidade."
- "Assim como há uma rua Voluntários da Pátria, podia haver uma outra que se chamasse, inversamente, rua Traidores da Pátria."
- "Só acredito nas pessoas que ainda se ruborizam."
- "Toda unanimidade é burra."
- "Só os profetas enxergam o óbvio."
- "no Brasil é a imprensa que descobre os crimes!"
- "A cama é um móvel metafísico."
- "Hoje é muito difícil não ser canalha. Todas as pressões trabalham para o nosso aviltamento pessoal e coletivo."
- "Tudo passa, menos a adúltera. Nos botecos e nos velórios, na esquina e nas farmácias, há sempre alguém falando nas senhoras que traem. O amor bem-sucedido não interessa a ninguém."
- "Nós, da imprensa, somos uns criminosos do adjetivo. Com a mais eufórica das irresponsabilidades, chamamos de "ilustre", de "insigne", de "formidável", qualquer borra-botas."
- "O brasileiro não está preparado para ser 'o maior do mundo' em coisa nenhuma. Ser 'o maior do mundo' em qualquer coisa, mesmo em cuspe à distância, implica uma grave, pesada e sufocante responsabilidade."
- "Há na aeromoça a nostalgia de quem vai morrer cedo. Reparem como vê as coisas com a doçura de um último olhar."
- "Ou a mulher é fria ou morde. Sem dentada não há amor possível."
- "O homem não nasceu para ser grande. Um mínimo de grandeza já o desumaniza. Por exemplo: um ministro. Não é nada, dirão. Mas o fato de ser ministro já o empalha. É como se ele tivesse algodão por dentro, e não entranhas vivas."
- "O artista tem que ser gênio para alguns e imbecil para outros. Se puder ser imbecil para todos, melhor ainda."
- "Chegou às redações a notícia da minha morte. E os bons colegas trataram de fazer a notícia. Se é verdade o que de mim disseram os necrológios, com a generosa abundância de todos os necrológios, sou de fato um bom sujeito."
- "Todo amor é eterno. E se acaba, não era amor".
- "A fidelidade devia ser facultativa".
- -
- "Amar é ser fiel a quem nos trai".
- "O homem começou a própria desumanização quando separou o sexo do amor."
- "A grande vaia é mil vezes mais forte, mais poderosa, mais nobre do que a grande apoteose. Os admiradores corrompem."
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
Há doenças piores que as doenças,
![]() |
| DESENHO DE ABEL MANTA |
Há doenças
piores que as doenças,
Há dores que
não doem, nem na alma
Mas que são
dolorosas mais que as outras.
Há angústias
sonhadas mais reais
Que as que a
vida nos traz, há sensações
Sentidas só
com imaginá-las
Que são mais
nossas do que a própria vida.
Há tanta
coisa que, sem existir,
Existe,
existe demoradamente,
E
demoradamente é nossa e nós...
Por sobre o
verde turvo do amplo rio
Os
circunflexos brancos das gaivotas...
Por sobre a
alma o adejar inútil
Do que não
foi, nem pôde ser, e é tudo.
Dá-me mais vinho, porque a vida é nada.
FERNANDO PESSOA
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
Maya Angelou
Marguerite Ann Johnson nasceu em St.
Louis, Missouri, no dia 4
de abril de 1928.
Passou a infância na Califórnia, Arkansas, e St.
Louis, e viveu com a avó paterna, Annie Henderson,
na maior parte de sua infância. Quando tinha 8 anos, ela foi estuprada pelo
namorado da mãe em St.
Louis; isto levou a anos de mudez para Maya que finalmente superou com a ajuda
de uma vizinha atenciosa, e um grande amor pela literatura.
Aos 17, Maya se tornou a primeira motorista negra de
ônibus em São
Francisco e tornou-se mãe solteira ao dar a luz ao
seu primeiro filho, em um época em que isso não era comum; em anos posteriores,
ela se tornou a primeira mulher negra a ser roteirista e diretora em Hollywood. Na década de 50 -
quando surgiu com o pseudônimo"Maya Angelou" - ela se afirmou como
atriz, cantora e dançarina em várias montagens teatrais que percorreram o país,
tais como: Porgy and Bess, Calypso Heatwave,The
Blacks e Cabaret for Freedom; Nos anos 60s ela era amiga de Martin
Luther King Jr. e Malcolm X; ela serviu no SCLC com Dr. King, e trabalhou durante anos para o movimento de direitos
civis. Também nos anos 60, ela trabalhou e viajou pela África, como jornalista e
professora, ajudando vários movimentos de independência africanos. Em 1970, ela
publicou o primeiro livro, I Know Why the Caged Bird Sings, para grande aclamação,
e foi nomeado para o Pulitzer Prize em poesia no ano seguinte.
Angelou teve uma carreira longa e distinta, é poeta,
escritora, ativista de direitos civis, e historiadora, entre outras coisas. Ela
também é atriz, dançarina, e cantora, atuou na peça de Jean Genet, "The Blacks",
e o aclamado seriado, "Roots", ganhador de um Emmy. Angelou
provavelmente é conhecida melhor pelos trabalhos autobiográficos dela que
incluem I Know Why the Caged Bird Sings e All God's Children Need Travelling Shoes.
Em 1993, Angelou leu um de seus poemas chamado "On the Pulse of
Morning", na posse de Bill Clinton como presidente; este foi um dos pontos altos de sua carreira: recebeu o Grammy de melhor texto recitado pela leitura do
mesmo, e novamente a trouxe para a vista do público. Atualmente, ela é
professora de história americana naWake Forest University, Carolina do Norte, mas ainda fazendo suas
excursões e dando palestras em vários lugares.
I Know Why The Caged Bird Sings, Maya Angelou (Eu sei porque o pássaro enjaulado canta)
O pássaro livre pula
nas costas da vitória
e flutua rio abaixo
até que a corrente termine
e mergulha suas asas
nos raios de sol laranja
e ousa e clama ao sol.
Mas o pássaro a passo largo e pomposo
em sua jaula estreita
raramente pode ver através
de sua barra de raiva
suas asas cortadas e
seus pés amarrados
então ele abre sua garganta pra
cantar.
O pássaro enjaulado canta
com temeroso trinado
das coisas desconhecidas
mas com saudades ainda
e a melodia é ouvida
na distante colina para o pássaro
enjaulado
que canta a liberdade.
O pássaro livre pensa em outra brisa
uma troca de ventos leves através dos
sinais das árvores
e as gordas minhocas esperando numa
brilhante aurora no pátio
e ele nomeia seu próprio céu.
Mas o pássaro enjaulado permanece no
túmulo dos sonhos
sua sombra grita em guincho de
pesadelo
suas asas são cortadas e seus pés
amarrados
então ele abre sua garganta pra
cantar.
O pássaro enjaulado canta
com um temeroso trinado de coisas
desconhecidas
mas com saudades ainda
e sua melodia é ouvida
na colina distante
pois que o pássaro enjaulado canta a
liberdade.
Still I Rise, Maya Angelou (Eu Ainda Me Levanto)
Você pode escrever mal de mim na
história
Com suas amargas, distorcidas
mentiras
Você pode me esmagar com os pés em
muita sujeira
Mas ainda, como pó, eu me levantarei.
Minha insolência perturba você?
Por que você está acossado de
melancolia?
Porque eu caminho como se tivesse
poços de petróleo
Bombeando na minha sala de estar.
Justamente como luas e como sóis,
Com a certeza das marés
Justamente como esperanças voando
alto
Continuarei a me levantar.
Você quer me ver quebrada?
Cabisbaixa e olhos baixos?
Ombros caindo como gotas de lágrimas.
Enfraquecida por meus gritos de alma
plena.
Minha altivez ofende você?
Não leve isso tão duramente
Porque eu rio como se tivesse minas
de ouro
Cavando no meu próprio quintal.
Você pode me atirar com suas palavras,
Você pode me cortar com seus olhos,
Você pode me matar com seu ódio,
Mas ainda, como o ar, eu me
levantarei.
Minha sexualidade perturba você?
Isso vem como uma surpresa
Que eu danço como se tivesse
diamantes
No encontro das minhas coxas.
Fora das cabanas da vergonha da
história
Eu me levanto
Desde um passado enraizado na dor
Eu me levanto
Eu sou um oceano negro, aos saltos e
amplo
Eu me levanto
Completamente em expansão eu carrego
na maré
Deixando pra trás noites de terror e
medo
Eu me levanto
Para romper o dia que é
extraordinariamente claro
Eu me levanto
Trazendo os presentes que meus
ancestrais deram,
Eu sou o sonho e a esperança do
escravo.
Me levanto
Me levanto
Me levanto
Tradução dos poemas: Maya Angelou,
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