O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós.
JEAN-PAUL SARTRE

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

William Blake (Londres, 28 de Novembro de 1757 — Londres, 12 de Agosto de 1827) poeta, tipógrafo e pintor inglês, sendo a sua pintura definida como pintura fantástica.

Blake viveu num período significativo da história, marcado pelo Iluminismo e pela Revolução Industrial na Inglaterra. A literatura estava no auge, uma espécie de paraíso para os conformados às convenções sociais, mas não para Blake que, nesse sentido era romântico, "enxergava o que muitos se negavam a ver: a pobreza, a injustiça social, a negatividade do poder da Igreja Anglicana e do estado." 
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  « Aquele que se deixa prender por uma Alegria / Rasga as asas da vida; / Aquele que beija a Alegria enquanto ela voa / Vive no amanhecer da Eternidade."

"O amor não busca agradar a si mesmo / Nem destina qualquer cuidado a si próprio / Mas se dá facilmente ao outro, / E constrói um Paraíso no desespero do Inferno.

"A gratidão é o próprio paraíso."

"Se as portas da percepção fossem limpas, tudo apareceria ao homem como realmente é: infinito".

"Ver um mundo em um grão de areia/ e um céu numa flor selvagem/ é ter o infinito na palma da mão/ e a eternidade em uma hora".




quarta-feira, 31 de julho de 2013

Denis Diderot (Langres, 5 de Outubro de 1713 — Paris, 31 de Julho de 1784)



Denis Diderot (Langres, 5 de Outubro de 1713 — Paris, 31 de Julho de 1784), filósofo e escritor francês.
A sua obra prima é a edição da Encyclopédie (1750-1772) ou Dictionnaire raisonné des sciences, des arts et des métiers, onde reportou todo o conhecimento que a humanidade havia produzido até à sua época.

"Dizem que o desejo é produto da vontade, mas dá-se o oposto: a vontade é produto do desejo."

"Engolimos de uma vez a mentira que nos adula e bebemos gota a gota a verdade que nos amarga."

"Apenas há um dever: o de sermos felizes."

"Nem que seja para fazer alfinetes, o entusiasmo é indispensável para sermos bons no nosso ofício."

"Se, quando somos ricos, temos tudo, qual o interesse em termos mérito e virtude?"

"Perguntaram um dia a alguém se havia ateus verdadeiros. Você acredita, respondeu ele, que haja cristãos verdadeiros?"

"Não se retém quase nada sem o auxílio das palavras, e as palavras quase nunca bastam para transmitir precisamente o que se sente."

"A ignorância não fica tão distante da verdade quanto o preconceito."

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Mayakovsky

Vladimir Vladimirovitch Mayakovsky (★ 19 de Julho de 1893, Baghdati - † 14 de Abril de 1930, Moscou) poeta, dramaturgo e teórico russo, frequentemente citado como um dos maiores poetas do século XX, ao lado de Ezra Pound e T.S. Eliot, bem como "o maior poeta do futurismo"

E Então, Que Quereis?...

Fiz ranger as folhas de jornal
abrindo-lhes as pálpebras piscantes.
E logo
de cada fronteira distante
subiu um cheiro de pólvora
perseguindo-me até em casa.
Nestes últimos vinte anos
nada de novo há
no rugir das tempestades.
Não estamos alegres,
é certo,
mas também por que razão
haveríamos de ficar tristes?
O mar da história
é agitado.
As ameaças
e as guerras
havemos de atravessá-las,
rompê-las ao meio,
cortando-as
como uma quilha corta
as ondas.
Trecho de “E Então, Que Quereis?...”, de Maiakóvski.
Tradução de E. Carrera Guerra.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Rolando Teixo, Pedro Bidarra



Será que o silêncio, como o som, é passível de ter um volume que aumenta? Será possível aumentar o volume do silêncio e ter, hoje, um silêncio mais volumoso que o silêncio de ontem, quando, contra toda a evidência objectiva, o silêncio de hoje é igual ao silêncio de ontem? A ausência de diálogo, de assunto, de conversa é a mesmíssima de ontem; as notícias que saem pela televisão são as mesmas e os talheres que batem no parto, pontuam o mesmo silêncio da mesma maneira. Mas hoje sente-se um silêncio mais volumoso do que o de ontem. Não mais pesado, como é comum dizer-se, não é assim que ele se sente. Sente-se apenas mais volumoso. Rolando Teixo, Pedro Bidarra

sábado, 29 de junho de 2013

DEUS

KOSTABI
"A religião chegou a convencer as pessoas de que existe um homem-invisível morando no céu, que vê tudo, todo dia, a todo instante. E esse homem-invisível criou uma lista de 10 coisas que ele não quer que faça. Se fizer uma dessas 10 coisas, ele tem um lugar especial cheio de fogo, fumaça, ardor, tortura e angústia, para onde ele o envia para sofrer e se queimar e se sufocar e gritar e chorar para todo o sempre até o fim dos tempos...mas ele te ama!"
"Já tentei acreditar que existe um Deus que criou cada um de nós à sua imagem e semelhança, que nos ama muito e observa tudo. Eu realmente tentei acreditar. Mas tenho que lhes dizer a verdade: quanto mais se vive, quanto mais se olha ao redor, mais se percebe: alguma coisa esta errada.(...) Isso não é um trabalho bem feito, se isso é o melhor que Deus pode fazer não me impressiona."
"Se existe um Deus, acho que a maioria das pessoas devem concordar que Ele é, no mínimo, incompetente e talvez, simplesmente não quer saber."
Suponhamos que suas preces não sejam atendidas, o que diz? Oh, é desejo de Deus. Assim seja. Está bem, mas se é desejo de Deus e se ele vai fazer o que quer de qualquer modo, pra quê serve rezar?"

George Dennis Patrick Carlin (Nova Iorque, 12 de maio de 1937 - 22 de junho de 2008) foi um comediante norte-americano conhecido pela sua postura crítica à religião.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

sábado, 22 de junho de 2013

«TODAS AS CARTAS DE AMOR SÃO RIDÍCULAS» - FERNANDO PESSOA

Fernando e Ofélia
O encontro/desencontro destes dois seres predestinados para nunca se encontrarem e, uma vez encontrados, cada um deles viver, um na plena e redentora ilusão de se saber amado – miticamente «para sempre» -, e outro num mundo alheio, insuspeitado e ingénuo, votada à desilusão.

Se Ofélia, tivesse lido o menor dos poemas do seu efémero e improvável «namorado» onde nada se glosa senão a evidência de que a vida é pura Ficção e a chamada Ficção a única e impenetrável «verdade» dela, não teria embarcado nessa travessia do coração para um porto que nunca existiu para o companheiro/fantasma dessa viagem sem viajante dentro. Ofélia tinha razão quando Fernando vinha com o seu duplo infernal Álvaro de Campos, que a afastava dela. Fernando Pessoa teve como única musa o desamor.
No combate venceu a Literatura, monstro sublime da imaginação, única paixão que assolou Pessoa.(Eduardo Lourenço)

ALGUMAS CARTAS DE FERNANDO A OFÉLIA, UMA DELAS ESCRITA PELO SEU HETERÓNIMO ÁLVARO DE CAMPOS:

 Meu Be«be»zinho lindo:
     
Não imaginas a graça que te achei hoje á janella da casa de tua irmã! Ainda bem que estavas alegre e que mostraste prazer em me ver (Álvaro de Campos).
     
Tenho estado muito triste, e além d'isso muito cansado - triste não só por te não poder ver, como também pelas complicações que outras pessoas teem interposto no nosso caminho. Chego a crer que a influência constante, insistente, hábil d'essas pessoas; não ralhando contigo, não se oppondo de modo evidente, mas trabalhando lentamente sobre o teu espírito, venha a levar-te finalmente a não gostar de mim. Sinto-me já differente; já não és a mesma que eras no escriptorio. Não digo que tu própria tenhas dado por isso; mas dei eu, ou, pelo menos, julguei dar por isso. Oxalá me tenha enganado...
     
Olha, filhinha: não vejo nada claro no futuro. Quero dizer: não vejo o que vãe haver, ou o que vãe ser de nós, dado, de mais a mais, o teu feitio de cederes a todas as influencias de familia, e de em tudo seres de uma opinião contraria á minha. No escriptorio eras mais dócil, mais meiga, mais amorável.
     
Enfim...
     
Amanhã passo  á mesma hora no Largo de Camões. Poderás tu apparecer à janella?
     
Sempre e muito teu
     
CARTA A OFÉLIA QUEIRÓS - 31 DE MAIO DE 1920
     
     
Bebezinho do Nininho-ninho:
     
Oh!
     
Venho só quevê pâ dizê ó Bebezinho que gotei muito da catinha dela. Oh!
     
E também tive munta pena de não tá ó pé do Bebé pâ le dá jinhos.
     
Oh! O Nininho é pequenininho!
     
Hoje o Nininho não vai a Belém porque, como não sabia se havia carros, combinei tá aqui às seis ho'as.
     
Amanhã, a não sê qu'o Nininho não possa é que sai daqui pelas cinco e meia. [desenho de uma meia] (isto é a meia das cinco e meia).
     
Amanhã o Bebé espera pelo Nininho, sim? Em Belém, sim? Sim?
     
Jinhos, jinhos e mais jinhos.
     
CARTA A OPHÉLIA QUEIROZ – 25 DE SETEMBRO DE 1929
   
   
Exma. Senhora D. Ophélia Queiroz:
    
Um abjecto e miserável indivíduo chamado Fernando Pessoa, meu particular e querido amigo, encarregou-me de comunicar a V. Ex.ª — considerando que o estado mental dele o impede de comunicar qualquer coisa, mesmo a uma ervilha seca (exemplo da obediência e da disciplina) — que V. Ex. ª está proibida de:
(1) pesar menos gramas,
(2) comer pouco,
(3) não dormir nada,
(4) ter febre,
(5) pensar no indivíduo em questão.
   
Pela minha parte, e como íntimo e sincero amigo que sou do meliante de cuja comunicação (com sacrifício) me encarrego, aconselho V. Ex.ª a pegar na imagem mental, que acaso tenha formado do indivíduo cuja citação está estragando este papel razoavelmente branco, e deitar essa imagem mental na pia, por ser materialmente impossível dar esse justo Destino à entidade fingidamente humana a quem ele competiria, se houvesse justiça no mundo.
   
Cumprimenta V. Ex. ª
   
Álvaro de Campos
eng. Naval
CARTA A OFÉLIA QUEIRÓS - 9 DE OUTUBRO DE 1929
   
   
     Terrivel Bébé
   
      Gosto das suas cartas, que são meiguinhas, e também gosto de si, que é meiguinha também. E é bombom, e é vespa, e é mel, que é das abelhas e não das vespas, e tudo está certo, e o bebé deve escrever-me sempre, mesmo que eu não escreva, que é  sempre, e eu estou triste, e sou maluco, e ninguém gosta de mim, e também porque é que a havia de gostar, e isso mesmo, e torna tudo ao princípio, e parece-me que ainda lhe telephono hoje, e gostava de lhe dar um beijo na bocca, com exactidão e gulodice e comer-lhe a bocca e comer os beijinhos que tivesse lá escondidos e encostar-me ao seu hombro e escorregar para a ternura dos pombinhos, e pedir-lhe desculpa, e a desculpa ser a fingir, e tornar muitas vezes, e ponto final até recomeçar, e porque é que a Ophelinha gosta de um meliante e de um cevado e de um javardo e de um indivíduo com ventas de contador de gás e expressão geral de não estar ali mas na pia da casa ao lado, e exactamente, e enfim, e vou acabar porque estou doido, e estive sempre, e é de nascença, que é como quem diz desde que nasci, e eu gostava que a Bebé fôsse uma boneca minha, e eu fazia como uma criança, despia-a, e o papel acaba aqui mesmo, e isto parece ser impossível ser escripto por um ente humano, mas é escripto por mim .
 


 
Cartas de Amor, Fernando Pessoa. (Organização, posfácio e notas de David Mourão Ferreira. Preâmbulo e estabelecimento do texto de Maria da Graça Queiroz.) Lisboa, Ática, 1978 (3ª ed. 1994)